Nossa barca elevada nas brumas imóveis navega em direção ao porto da miséria, a cidade enorme de céu sujo de fogo e lodo
sábado, 8 de maio de 2021
Nossa barca elevada nas brumas imóveis navega em direção ao porto da miséria, a cidade enorme de céu sujo de fogo e lodo
quarta-feira, 5 de maio de 2021
O SER
Nesta imensa
teia
O ser
caminha
E ao invés
de viver, tateia
Procura por
algo
Às vezes sem
razão
Amargo
Cria a dor
Constrói
feridas
Às vezes o
amor
Alegre,
dolorido
O ser se diz
Em vários
sentidos
Esquece a
grandeza
O caminho da
vida
Cria
labirintos
Antecipa o
partir
Esquece-se
de tudo
Do existir
O agora e o
ser
O doce sopro
Deste
diminuto
Viver
Não pode ser
Fim da
estrada
Nem viver
É o nada.
Jaime Baghá
– Existencialista, assim como Sartre, “O Ser e o nada.”
domingo, 2 de maio de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
BAGHÁ
O OBSCURO * (ou Ápeiron)
Amanheci
interiorano
Vou
para beira do mar
Escrever
no promontório
Ficar
longe dos Dórios
Que
sabem pouco o amar.
Além
dos desenganos
Sinto
o ar do oceano
Longe
da afasia
Solitário
Manhã,
cedo
Parado
numa ataraxia
Sem
a lira
Sem
enredo
Mas
poeta
Mais
Aedo.
Esqueço
os simples mortais
Suas
banais cerimônias
Viajo
pelo éter astral
No
arque das cosmogonias
E
os pífios de tão cegos
De
quase vazios cérebros
Escolheram
seus destinos
Vão
para as sombras de Érebos.
Não
quero suserania
Só
etéreo em meu ego
Viajar
nas poesias
Como
Homero o cego
Indiferente
aos povos
Quero
ter a plenitude
Na
harmonia do logos.
Não
cultuo rapsódias
Como
o senhor do certo
Acho
que são paródias
De
um poeta eclético
Pois
a moral de tudo
É
que vivo neste mundo
Uma
odisseia louca
Um
Ulisses vagabundo.
Uma analogia a
Heráclito de Éfeso – Jaime Baghá
sábado, 24 de abril de 2021
O PODER DA FRAUDE
Fuja das
seitas de dinheiro e politica, da alienação e caminhe com a cultura, com a
ecologia, com a sensatez, com a poesia e seja feliz nesta curta existência. Não
gosto da histeria, da loucura, gosto da poesia e da brandura. Abomine os
sacrifícios de aberração e rituais malucos, para ser feliz precisamos de amor, temos
uma religiosidade do inconsciente, do vórtice, da diferença, uma insegurança
ideológica e do progresso junto com o jogo cíclico das crises econômicas. Temos
um Deus tornado leigo e infinitamente ausente que acompanha o pensamento
contemporâneo manipulado na voz do
fanático. Com a cultura sabemos quem é ele no manuseio dos homens gananciosos e
falsos pastores, porque tudo explodiu no renascimento da psicanálise, na
redescoberta de Nietzsche e de Heidegger, tivemos uma ruptura no modo de pensar
o sagrado, aprendemos a ver com a crise, seja do otimismo marxista, ou seja,
daquele liberal. Esta religiosidade vazia para entreter e lucrar com as
pessoas, invadiu o pensamento da assim chamada esquerda que vê a maquinação e o
engano com outra ótica, na verdade nem necessita muito esforço, vendo pastores
vendendo feijões milagrosos para curar a pandemia, lembro-me de minha juventude
e de malucos tipos Jim Jones e o
reverendo Moon. Para mim e para quem
procura conhecer os homens do mundo, certas resposta deve ser procurada em
Freud e Lacan e não nos filósofos embusteiros, na turma do ódio, na nova
direita brasileira ou na confraria dos charlatães enganadores que manipulam o povo
imbecilizando-os para manipular o poder. Como dizia Ariano Suassuna, “O
fanatismo e a inteligência nunca moraram na mesma casa.” Jaime
Baghá
domingo, 18 de abril de 2021
Sou um brasileiro de estatura mediana, hermético, olhos castanhos que olham no interior por trás de óculos escuros e estou sempre longe noutra situação resolvendo algum problema dos meus loucos pensamentos. Falo muito para alegrar poucos, pouca besteira, excessivamente educado, desajeitado, roupas largas, pouca vaidade na aparência, aceito a vida fatalisticamente pensando em alterar tudo. Tenho ideias estranhas e mórbidas, mas original como realmente tinha que ser, tenho ainda um espetacular senso sardônico de humor negro.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
PALAVRAS
Que
habitam meu interior?
São
as guerras das palavras
São
as lutas do meu eu
Numa
infindável batalha
De
desvendá-las
Perdê-las
Juntá-las
Não
deixar morrer
E
revive-las em contos
Em
versos
Para
construir meu universo
Na
loucura de minha mente
Inquieta
Procuro
a resposta certa
Encontro
linguagens erradas
E
construo meu texto
Com
nexo
Levado
pelas palavras
Não
quero o lírico
A
rima
A
métrica
Quero
o verso livre
Achar
a palavra
Que
resuma meus anseios
Quero construir meus versos
Sonetos
malucos
Fragmentos
do meu eu
Saboreando-os
Num
banquete sem fim
Nos
devaneios dos meus pensamentos.
quinta-feira, 8 de abril de 2021
QUAL O FUTURO DO TRABALHO?
Além dos
gigantes como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, as plataformas
ocupam outros setores como finanças, hotelaria, transportes, comercialização e
distribuição de mercadorias, entrega de comida a domicilio. Outrora apoiado em
edificações distribuídas pelos espaços físicos nas cidades e arredores, o
comércio, atacado e varejo, baseado no contato pessoal entre funcionários
vendedores e clientes vem sendo substituído pelo e-commerce. Assim a economia fica na mão de
poucos e o trabalhador na precarização e no empobrecimento vive numa bolha cada
vez mais inflada e você o tolo, sem conhecimento que só fala o que vê e o que
ouve, não se instrui e não lê, bate palmas para o carrasco imbecil que provoca
a tua própria desgraça. Jaime
Baghá
segunda-feira, 29 de março de 2021
SEM JEITO
Não fixo lugar
Onde reina o falso discreto.
Ando olho, observo
Comento, gesticulo
Um estorvo
Avesso ao teatral decoro.
Só a alma é latente
O físico corre
Dissimulando a mente
Ironizando o ridículo
Às vezes louco
Às vezes indecente.
Pondo a nu o protocolar
Reunião social
Zumbaia familiar
Para não acomodar
O eu marginal.
Sem jeito, velho e na
contramão. – Jaime Baghá – verão de 2000
Tenho uma tendência a fazer o
contrapeso lançando luz sobre uma área do pensamento que não esta sendo enfatizado,
e vivo fora do consenso para manter meu olhar livre e contribuir com mais
clareza para a visão geral. O problema é viver numa sociedade que não enfatiza
nada e não pensa.
terça-feira, 23 de março de 2021
Dor
Qual o caminho quando não
houver estradas
Qual o desejo quando não
houver mais amor
Qual é a porta quando não se
tem mais saída
Qual o desespero quando não
se tem mais dor
Qual é a liberdade quando não
se é livre como o vento
Qual são as ilusões quando
não se tem mais sentimentos.
terça-feira, 16 de março de 2021
SEM A LOUCURA
Sem
minha loucura não tenho vida, não tenho sonhos, quimeras, não tenho energia,
devaneios e uma aura criativa por menor que seja. Necessito do além do racional
para poder observar, para raciocinar a loucura da trajetória e da caminhada humana.
Necessito ver além da fachada, procurar ver por baixo das máscaras, juntar
palavras e transformar o pequeno verso tosco num despertar de sentimentos, para
ser poesia, texto, para ter corpo e alma e eu ufanar-me com o meu desvario. Jaime Baghá
quinta-feira, 11 de março de 2021
AS PRAGAS QUE NOS OPRIMEM. Temos que procurar uma identidade, acabar com certas elites, o louco de plantão e seu profundo mal, sua identidade doentia com um neoliberalismo e sua máxima de produzir competição até a devastação gerindo sofrimento e miséria. Tudo aumenta de forma espantosa e com a recessão nosso PIB é o pior em mais de 30 anos, esta vergonha será uma mancha indelével na nossa dignidade, rebaixada para sempre na comunidade internacional onde teremos que viver nesta regressão civilizatória. Seremos sempre um país infeliz que esta sempre a espera de um “mito.” Um povo inteligente que ânsia o progresso, não pode acreditar que o autoritarismo que implica no caos traz a ordem, na verdade o Brasil esta um país doente, além da peste a patologia nacional e a incompetência do governo, o vírus que se alastra e os poucos recursos, o desdém, o deboche, o tráfico de influência que é uma tradição no nosso sistema político agora é uma influência muito mais maligna e o canalha é o cara que manda. Jamais devemos optar por alguém que prega o ódio e a violência, Bolsonaro trafega na névoa, nada sabe a respeito de coisa alguma, um títere parlapatão que neste momento serve aos desígnios dos eternos donos do poder, é um governo de destruição nacional um governo omisso, incapaz, mentiroso, negacionista e homicida. Batemos recordes diários do número de casos e mortes e assim como tudo, sem previsão de melhora em curto prazo. Protesto e não me calo porque este governo é um desaforo, uma vergonha e eu sou de uma época que jovens lutavam pela democracia e os poetas vaziam versos como Chico Buarque e cantavam nossa liberdade, sou de uma geração que cantávamos com Jim Morrison, “We want the world, and we want it now,” Nós queremos o mundo, e queremos agora. Jaime Baghá
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
PALAVRAS
Que
habitam meu interior?
São
as guerras das palavras
São
as lutas do meu eu
Numa
infindável batalha
De
desvendá-las
Perdê-las
Juntá-las
Não
deixar morrer
E
revive-las em contos
Em
versos
Para
construir meu universo
Na
loucura de minha mente
Inquieta
Procuro
a resposta certa
Encontro
linguagens erradas
E
construo meu texto
Com
nexo
Levado
pelas palavras
Não
quero o lírico
A
rima
A
métrica
Quero
o verso livre
Achar
a palavra
Que
resuma meus anseios
Quero
construir meus versos
Sonetos
malucos
Fragmentos
do meu eu
Saboreando-os
Num
banquete sem fim
Nos
devaneios dos meus pensamentos.
Jaime Baghá
- Numa incansável
procura pelas palavras.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
GOSTOS
Não gosto da roupa da moda
Do lugar da moda
Da música da moda
Incomoda-me.
Não gosto de quem causa
dor
Do político conservador
Da falta de gosto do emergente
Do vulgar Indecente
Não gosto do som alto no
carro
Bad boy otário
Pessoa fútil
Trapaceiro e inútil
Não gosto do burguês
arrogante
Dos rebentos ignorantes
Do fascista
Quem no mal insista
Não gosto do político
canalha
Do cínico, covarde
Do alto falante
Poluindo a cidade
Não gosto de quem polui
Pela diferença exclui
Que destrói o verde e o
mar
Quem causa ao planeta todo
mal
Não gosto do ignorante
Da traição e do farsante
Dos gritos de briga
Desaforos e intrigas
Não gosto da desordem
De tudo na ordem
De guerra e militar
De jogos de azar
Não gosta da bomba
De quem zomba
Jogo de bingo
Pós domingo
Não gosto de despejo com
policia
Do doente racista
Da confusão
De falta de educação
Não gosto das confrarias
De quem não respeita as
artes
Homens com estandartes
Grupelhos e misantropias
Não gosto do vulgar
De cidade sem mar
Do governo ditador
Da falta de amor
Não gosto da mentira
De quem a primeira pedra
atira
Do falso intelectual
De máscara neoliberal.
Tem coisas que a gente não gosta – Jaime
Baghá
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Pensador
É aquele que
pensa
O que a
mente comum não consegue pensar.
Pensador é o
profano
Bendito,
insano
Profeta do
infinito.
Pensador é o
solitário
Que vê,
procura
De muitos
porquês
O que define
a vida
Sonha, faz à
alternativa.
Pensador é o
que muda o mundo
Oferece a
utopia
Do incerto
ao certo
Dentro de um
plano
De anjo e
demônio
Que os
Deuses me protejam
De ti
pensador.
Louco, praga
da natureza
Dos poetas o
estro
Mas que por
certo
O que mais
me aproxima
De todo o
universo.
Para
quem não vive só de prato e bispote. Jaime Baghá
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
Sem norte
Eu não
sabia
Que amores
ficavam
Pelos
caminhos
Eu não
sabia
Que um dia
Ficaria
assim sozinho.
Eu não
sabia
Destinos e
rumos
Da traição
do tempo
Eu não
sabia
Que vinham
os fantasmas
Só cabelos
ao vento.
Eu não
sabia
Nas minhas
alegrias
Ficar triste
assim
Eu não
sabia
Quem era
você
Nem
conhecia a mim.
Para quem ficou pelo caminho, e se perdeu...- Jaime Baghá
Daquela gentileza
Aquele sorriso esperteza
Não gosto
Daquele elogio
Com tapas nas costas
E o abraço tão frio
Não gosto
Da aproximação fantasia
Amigo metáfora
Alegoria
Não gosto
Quem me faz tão alto
E toda aquela alegria
Convencional de um falso.
O falso sempre me aborrece. Jaime Baghá - inverno 1998.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
PROCELA
Por detrás do morro a lua
surge
Tentando vencer as nuvens
negras da tempestade
O vento forte canta o hino
dos vendavais
A transformação é rápida
De cintilantes estrelas
Para os clarões de raios
Do luar de silhuetas e
formas
Para o escuro breu do temporal
Trovões como
ensurdecedores tambores
Anunciam a mudança na
natureza
E o vendaval me causa medo
e fascínio.
A tempestade entre as
montanhas do interior. – Jaime Baghá
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020
RECLUSÃO
A casa é simples entre o mar e as montanhas da serra, mas
estou recluso com meus discos do Blur, Metallica, U2, Miles Davis, Billie
Holiday, Elis, Chico, Rachmaninoff. Livros e recortes de Foucault, Nietzsche, Chomsky, Hobsbawn, Beckett, Schopenhauer,
Drumond, Bukowski, Leminski, poemas
simbolistas e manifestos iluministas. Umas visões de Jessé Souza e Pierre
Bourdieu para não perder a ternura, e de vez em quando colocando na página
social um esculacho ao bufão que nos “governa” e seus asseclas dementes. Assim
vou aliviando meu isolamento e dando um sentido a vida na “dupla curva”, dos
sensatos que escolhem a vida ou o falso dilema da economia canalha que até
Hayek e Von Mises teriam vergonha e Marx e Thomas Piketty profundamente
irritados pela desigualdade.
Na época do Covid 19 – 2020 - Jaime Baghá
segunda-feira, 14 de dezembro de 2020
A REVOLTA DOS DÂNDIS
Por
ser aceito
Convidado
Estava
ali
Frente
aos confrades sentados
Falei-lhes
Sem,
no entanto saber
O
que nunca haviam escutado.
Falei-lhes
de Caetano
Lina
Bo Bardi e Glauber
Betinho,
mil planos
Henfyl,
Brasil
De
poesias
Sonhos
e de Elis
De
músicas e arte latina
E
coisas do meu país.
Então
o grupo
De
vazia Sabedoria
Lançou-me
um olhar de soslaio
Em
clara xenofobia
E
numa emulação
Jogaram
ao abandono
O
meu brâmane companhia.
Dândis
interioranos
Continuam
ao meu lado
Arredios,
desconfiados
Olhando-me
de longe
Amedrontados
Alguns
se aproximam
Comigo
mais análogos
E
assim passam os dias
Eu
continuo a sorrir
Com
ares de melancolia.
Tantas
situações
Podíamos
deixar viver
Ditirambos
Subversões
Contos
e ficções
Eu
profícuo, com visões
Mas
inviso
Um
inovador reaça
Como
um personagem de Kafka.
Uma poesia ao “conselho de cultura” do interior que
teve uma curta vida, que adoravam festas particulares, roupas “demarca”,
fardamento escrito nas costas dizendo que eram do conselho de cultura da
província de maneira pueril. Um regular grupo de eventos, e parco conhecimento,
só isso. – Jaime
Baghá


















