No circo de lonas costuradas De panos e remendos coloridos Caminhava o marombeiro ativo Um carlitos pobre das estradas
Corriam povoados de mídias e muros Na agonia da perfeição Argúcias para a arte em extinção A troupe mambembe sem futuro
Dionísios, mágicos e cabotinos Mostravam a plateia pobre e pueril Esforços de poses, risos e desatinos
No espetáculo de ensaiados passos Nariz vermelho, trejeito senil Ainda imperava o velho palhaço.
Para os pequenos circos que passam na minha cidade do interior, a magia da arte popular que insiste em não morrer. Jaime.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Samuel Beckett e Albert Camus, dois prêmios nobel de literatura, são leituras obrigatórias para quem faz uma opção do absurdo como literatura. Beckett notabilizou-se no teatro do absurdo e Camus nos mostra a filosofia do absurdo em seus ensaios e romances.
A comparação está entre a peça de Beckett, “Esperando Godot” e o romance “O Estrangeiro” de Camus, ambas mostram a falta de sentido da vida humana, nosso universo irracional e uma crítica de nosso inútil esforço para entender o significado dos acontecimentos da vida humana.
“Esperando godot” é a espera de algo que nunca vem, assim como o homem à espera de Deus que nunca chega e termina em coisa nenhuma, deixando para os personagens, Vladimir e Stragon, uma decisão: apenas ir vivendo num mundo irracional. Em “O Estrangeiro”, o personagem Mersault vive numa descrença, num tédio e ao mesmo tempo ele age de maneira indiferente a tudo: a todas as normas sociais, impermeável a todos os valores morais e ao mundo que o rodeia. Um detalhe interessante, foi escrito por Camus em “As Cartas a um Amigo Alemão”, escritas durante a guerra. Nelas, Camus diz: “Acho que o mundo não tem sentido, mas sei que algo nele tem sentido, e é o homem, porque é o único ser que reclama um sentido”. Jaime
Samuel Beckett foi um dos fundadores do teatro do absurdo, é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas.
Beckett nasceu em 1906 em Foxrock, perto de Dublin numa família burguesa e protestante, em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês.
Em 1928, foi lecionar em Paris onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930, Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês.
No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte.
Em 1933, voltou a Dublin por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou de um estranho uma facada no peito e ficou gravemente ferido.
No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942, foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". É no pós-guerra que vive o período mais intenso da sua produção literária.
A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Depois começa a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever também nesta língua. Constrói uma obra dupla, bilíngue, cada vez mais depurada.
Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes".
Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, distribuindo o dinheiro pelos amigos. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão.
Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse.
[três poemas de amor] cascando
1
fosse apenas o desespero da ocasião da descarga de palavreado
perguntando se não será melhor abortar que ser estéril
as horas tão pesadas depois de te ires embora começarão sempre a arrastar-se cedo de mais as garras agarradas às cegas à cama da fome trazendo à tona os ossos os velhos amores órbitas vazias cheias em tempos de olhos como os teus sempre todas perguntando se será melhor cedo de mais do que nunca
com a fome negra a manchar-lhes as caras a dizer outra vez nove dias sem nunca flutuar o amado nem nove meses nem nove vidas
2
a dizer outra vez se não me ensinares eu não aprendo a dizer outra vez que há uma última vez mesmo para as últimas vezes últimas vezes em que se implora últimas vezes em que se ama em que se sabe e não se sabe em que se finge uma última vez mesmo para as últimas vezes em que se diz se não me amares eu não serei amado se eu não te amar eu não amarei
palavras rançosas a resolver outra vez no coração amor amor amor pancada de velha batedeira pilando o sono inalterável das palavras
aterrorizado outra vez de não amar de amar e não seres tu de ser amado e não ser por ti de saber e não saber e fingir e fingir
eu e todos os outros que te hão-de amar se te amarem
3
a não ser que te amem
Samuel Beckett (tradução de Miguel Esteves Cardoso in As Escadas não têm Degraus 3, livros Cotovia - Março de 1990)
Peças, romances, novelas, contos, prosa, ensaios, poesias, a produção Becketiana é um ícone, uma veemente crítica a modernidade. Beckett é dos meus autores preferidos, com seu especial sendo sardônico de humor negro, é uma língua suja engenhosa, fala da escória, das putas e dos canalhas com muito talento.
Beckett mostra o sujo e joga limpo, não me engana, não me tapeia e vai aonde muitos autores não se atrevem com medo de cair ou escorregar no lugar comum. Ele é o rei da nossa grande realidade, da metáfora, da ironia e do sarcasmo, um mestre que nos desnuda inteligentemente e mostra o existencialismo, o trágico, a solidão, o pessimismo e o absurdo da condição humana, o resto é conto de fadas para iludir nossas vidas. Porém, não se iludam, porque é preciso estar preparado para o estilo Beckettiano, nele não existe meios termos, ou você mata a obra ou descobre o olimpo do prazer literário.
Eu, além do prazer, curto o sentido de fugir do lugar comum, espiando pela ótica de Beckett o contrário do bom senso e as doutrinas que o comum tenta me inculcar. O interessante em Beckett é que no início a literatura parece tola, mas aos poucos você percebe que até o silêncio das falas dos personagens não são simples inerrupções, são para refletir, respirar, pensar, entender o poderoso simbolismo subjacente da obra.
Se os personagens estiver esperando Godot na rua, esperam alguém que lhes dê o sentido da vida, se estivessem numa prisão, estariam esperando pela liberdade, todos nós estamos esperando alguém que responda nossas angustiantes perguntas, todos nós somos personagens de Beckett. Jaime
“Fail. Fail again. Fail better”.
“Falhar. Falhar de novo. Falhar melhor”. Samuel Beckett
"De todas as definições sobre Beckett, para mim a melhor foi como Harold Pinter, outro grande representante do Teatro do Absurdo (nobel em 2005), assim o definiu: Quanto mais longe ele vai mais bem me faz. Não quero filosofias, panfletos, dogmas, credos, saídas, verdades, respostas, nada a preço de saldo. Ele é o escritor mais corajoso e implacável que aí anda e quanto mais me esfrega o nariz na merda mais reconhecido lhe fico. Não se põe a gozar com a minha cara, não está a levar-me à certa, não me vem com piscadelas de olho, não me oferece um remédio nem um caminho nem uma revelação nem um balde cheio de migalhas, não me está a vender nada que não queira comprar, está-se borrifando para se eu compro ou não, não tem a mão sobre o coração. Bom, vou comprar-lhe a mercadoria toda, de fio a pavio, porque ele espreita debaixo de cada pedra e não deixa nenhum verme sozinho. Faz nascer um corpo de beleza. A sua obra é bela." Harold Pinter, 1954
Samuel Beckett traz mais uma vez o silêncio, “o abismo de consciência” que recai sobre a solidão da fantasiosa sociedade burguesa ocidental, palco das críticas do Teatro do Absurdo. “Resta pouco a dizer numa última tentativa de sofrer menos.”
Seus temas destacam o isolamento do homem em ambientes estranhos, o absurdo da vida e do universo e o exame da moral e da condição humana. A obra desse grande romancista, dramaturgo, ensaísta e filósofo, abordou a alienação e o desencanto do homem no pós-guerra.
Com o falecimento do pai em combate na Primeira Guerra Mundial, menos de um ano depois do seu nascimento no dia 7 de Novembro de 1913, sua mãe levou-o, junto com a família, para morar num bairro pobre de Argel, capital da Argélia. Aluno muito inteligente, ganhou uma bolsa de estudos para o liceu de Argel, de onde foi para a Universidade de Argel a fim de estudar Filosofia.
Desportista dedicado e exímio futebolista, suas ambições de atleta foram, todavia, frustradas pela tuberculose. Albert Camus direcionou então sua atenção para a literatura. Estudou os clássicos franceses e a política de esquerda e atuou durante algum tempo no Partido Comunista Argelino, em 1935, até ir trabalhar como jornalista para o jornal socialista Alger-Republicain. A paixão pelo teatro o levou a escrever, produzir e atuar no Théâtre du Travail. Apesar de só ter sido produzida em 1945, sua peça Calígula foi escrita pouco antes de suas obras mais admiradas.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, aos 25 anos de idade foi para a França juntar-se ao movimento de resistência à ocupação alemã, trabalhando como editor do diário parisiense clandestino Combat. Foi nessa época tumultuosa que escreveu seu primeiro e mais celebrado romance O Estrangeiro (publicado em 1942). Nele, o jovem argelino Meursault é levado a julgamento por matar um árabe. Entretanto, não é a natureza do crime que ofende o tribunal, mas sua recusa em sentir remorso. Meursault é considerado subumano, um perigo para a sociedade por sua não conformidade. Seu desapego e sua alienação emocional acabam levando-o à morte. A sensação de absurdo e a falta de sentido do mundo são temas recorrentes em Camus, pelo que acabaria sendo rotulado de existencialista, ao lado de seu então amigo Jean-Paul Sartre.
O ensaio filosófico O Mito de Sísifo (seu primeiro ensaio publicado em 1942) deu continuidade à sua exploração do absurdo e da inútil busca humana de significado num mundo incompreensível. Camus nos apresenta vários dualismos paradoxais, como a asserção de que a vida tem um grande valor, porém é banalizada pela morte, que a priva de significado. Sua conclusão é de que, para sobrevivermos, é melhor deixar de lado as ambições e concentrarmo-nos no cotidiano.
A fé persistente de Camus na bondade intrínseca do homem é, no entanto, mais bem retratada em seu segundo romance, publicado em 1947, intitulado A Peste, um relato alegórico da ocupação nazista da França em que os cidadãos da cidade argelina de Oran são assolados por uma praga de ratos e isolados do mundo exterior. O triunfo final do espírito humano é o resultado da decisão unilateral de trabalhar juntos em vez de buscar soluções pessoais. Camus examinou a ideia de rebelião em seu longo ensaio O Homem Revoltado (publicado em 1951). Na década de 1950, dedicou também boa parte de seu tempo a questões de direitos humanos, defendendo a abolição da pena capital em todo o mundo e denunciando a repressão soviética da Revolução Húngara em 1956. Nesse mesmo ano publica seu último romance, A Queda - uma série de elegantes monólogos do bem-sucedido advogado de defesa parisiense Jean-Baptiste Clemence. A história de Clemence equivale a uma confissão: toda uma vida dedicada a ajudar os fracos e oprimidos se desmancha na hipocrisia complacente de ações realizadas para sua exclusiva satisfação. Em 1957 (No mesmo ano da publicação de seu livro de contos O Exílio e o Reino), aos 44 anos de idade, Camus ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Aproximadamente três anos depois, seu filho falece e, posteriormente, Camus morre no dia 4 de Janeiro de 1960, num acidente de automóvel, nos arredores da cidade de Sens, na França.
A obra de Camus é grandiosa, magnífica, além do absurdo, Camus nos mostra a revolta, cada um associado a um mito grego, Sísifo o absurdo e Prometeu a revolta, Entre a minha preferidas, além do “O Estrangeiro”, esta “A peste”, uma alegoria ao nazismo e por extensão uma crítica a todo regime totalitário. “O Homem Revoltado”, é aquele homem que diz não a tudo o que força seus limites, a tudo que o violenta e o priva de exercer livremente o que considera seus direitos, mas sabe também que sua revolta deve respeitar alguns limites. Jean Paul Sartre (filósofo existencialista francês), não gostou do homem revoltado, é que para Sartre só existia o homem revolucionário, mas este fato, suas amizades e desavenças é outra história. Jaime
"Penso agora em flores, sorrisos, desejo de mulher, e compreendo que todo o meu horror de morrer está contido em meu ciúme de vida. Sinto ciúme daqueles que virão e para os quais as flores e o desejo de mulher terão todo o seu sentido de carne e de sangue. Sou invejoso porque amo demais a vida para não ser egoísta... Quero suportar minha lucidez até o fim e contemplar minha morte com toda a exuberância de meu ciúme e de meu horror." Albert Camus
segunda-feira, 13 de junho de 2011
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TRANSGRESSOR (O ser social)
Alguns só falam em negócios Ou sobre putas Ou sobre o ócio Eu além disso falo da rima Sobre a métrica Metáforas e dialéticas.
Alguns são confrarias Prato e bispote Esbornias e faloforias Eu sou o DNA que envenena Um maluco transgressôr A maldição da eugenia
Tudo é a confusão Do perfeito mundo imperfeito Um diz sim outro diz não O que resulta é a procura Uns de só o viver Outros de entender a loucura.
Para o meu eu arredio - Jaime
sábado, 30 de abril de 2011
MUTAÇÃO
O vento brando Do Morro das Mortes Entravam em minha janela Aeolus em tom de prosa Tocava os cristais da porta Numa música silenciosa.
Num repente Da brisa suave o revés Tudo enfurece Com raios fuzilando Em noites loucas de dormir Ou então ficar vagando.
Vendavais que me embalam Torvelinhos Coriscos Que iluminam a praça Transformam-me em fantasma Um espectro na vidraça.
Eu a beira do vento O Morro das Mortes me chama Loucos Deuses Loucos ventos Loucos Eu e o tempo.
A loucura e o fascinio de observar temporais e o outeiro iluminado pelos raios, Morro das Mortes, primeiro nome do meu pequeno município, diante do quadro lembrei Clarice, numa noite de bruxas. – Jaime Baghá
* “Eu a beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama”, Clarice Lispector. Para além da orelha existe um som...
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome. É para o meu pobre nome que vou. E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber. À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente. Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Clarice Lispector
sexta-feira, 22 de abril de 2011
A onda de protestos e mobilizações populares nos países do Oriente Médio foi como um jogo de dominó, passando de país para país e traz consigo grandes mudanças. Mostra o basta do sofrimento de um povo contra os regimes autoritários, em especial os jovens muçulmanos que gritam por liberdade, democracia, equidade e justiça social e dita uma reconfiguração da geopolítica regional, que ao que tudo indica, desloca dos centros de poder a influência dos EUA nestas regiões e anuncia a formação de um novo bloco, em jogo a exploração comercial do petróleo que traz implicações enormes para a ordem global. Muito atento a estes acontecimentos, o que mais me chamou atenção foi a matéria que o jornalista Diego Viana fez sobre o jovem tunisiano Moahamed Bouazizi, que colocou fogo no seu próprio corpo como forma de protesto (um ato parecido com o monge budista Thich Quang Dúrc em Saigon no Vietnã em 1963), por sua perspectiva de vida sem futuro, igual a milhares de jovens tunisianos que perderam a dignidade por falta de perspectivas e pela política cruel que o seu governo fazia com o povo. O ato levou a queda do ditador Ben Ali e daí por diante vimos o efeito e o começo da história. A seguir a matéria que gostei muito e repasso a vocês. Jaime Bagha
“Nem Assange, o indiscreto hacker australiano. Nem Zuckerberg, o ainda mais indiscretoempresário precoce da rede, como quis a revista Time. Nem Suárez, o goleiro fugaz dos pampas, sobre o qual ainda hei de escrever. O maior herói de 2010 foi um vendedor de frutas, ambulante e sem licença, natural de Sidi Bouzid, no interior da Tunísia. Chamava-se Mohamed Bouazizi e tinha 26 anos quando morreu.
O gesto heróico de Bouazizi foi um martírio que, em si, não tem nada de novo, mas sempre impressiona. No Vietnã de 1963, Thích Quảng Đức desceu do convento e, com toda a calma que se espera de um monge budista, imolou-se na praça mais movimentada de Saigon. Kennedy admitiu que a imagem daquele corpo se consumindo abalou o mundo. Na Tchecoslováquia de 1969, Jan Palach, estudante de filosofia, escolheu que sua existência não passaria dos 21 anos. De que valia viver sob o jugo soviético? Em 1989, a celebração de sua memória desaguaria na Revolução de Veludo, batendo um cravo no caixão da Cortina de Ferro.
É perturbador, mas parece que morrer dá resultado. Algo na morte de Bouazizi é diferente. Talvez porque ele nem era um religioso preparado para o outro mundo, nem fez um pacto, como Palach, aliás descumprido por quase todos os colegas. Na manhã do dia em que se incendiou, Bouazizi não queria morrer, queria trabalhar. Teria preferido a dignidade de exercer sua profissão, era técnico em informática, mas se a ditadura tunisiana não lhe oferecia as condições econômicas para isso, sujeitava-se a vender frutas sem licença. Nem isso a ditadura tunisiana lhe concederia. Tampouco a dignidade de ser abordado respeitosamente pela polícia. Bouazizi morreu porque não podia trabalhar, não podia sobreviver e não podia aceitar a humilhação de levar uma bofetada diante do confisco de sua mercadoria. O que ele tinha para pensar? Que espaço sobrava para a reflexão? Seu único recurso era o imediato. Diante da prefeitura, o fogo.
Daí por diante, a história é conhecida. Os tunisianos se sublevaram, 400 foram massacrados pela polícia, mas o ditador Ben Ali caiu. Os egípcios passaram dezoito dias ao ar livre, apanhando de capangas da tirania e suportando um discurso vacilante do poder apodrecido. Mas o ditador Mubarak caiu (vamos ver o que acontece com o regime como um todo). Apesar dos protestos em uma dúzia de países árabes, nada indica que outros cairão. Mas quem sabe? A energia coletiva se transmite em ondas, numa vibração que se expande quase sem dar na vista. Spinoza já dizia, Tarde já dizia, Deleuze já dizia, deveria ser óbvio por agora. Talvez todos os árabes consigam sua democracia, ou então serão massacrados mais uma vez. Aos historiadores: olho nos jornalistas.
Mas voltando a Mohamed Bouazizi: o que seu suicídio tem de único é que foi um gesto de transbordamento de vida. Coisa de quem tinha o caos dentro de si para gerar uma estrela. Ou uma revolução.
Pode parecer paradoxal, mas é o aspecto mais belo da história contada na África em 2011. Bouazizi foi quase um herói nietzschiano. Bouazizi morreu porque sua vida não cabia na lata de sardinha que a tirania lhe oferecia. Ele não sabia disso, como o sabiam ou ao menos intuíam seus antecessores vietnamita e tcheco. Sua vida vibrava de dentro para fora. Humilhação, frustração, aniquilamento, não eram para ele.
A rigor, não são para ninguém. Mas foi necessária a explosão de uma vida para incendiar centenas de milhões de outras almas, filhas, netas e bisnetas de gente que até então não conheciam muitas outras palavras a fundo. Só humilhação, frustração, aniquilamento. Bouazizi morreu e infundiu vida em quem estava amortecido. Foi o funâmbulo que caiu, mas cuja multidão, no lugar de humilhá-lo, absorveu a matéria carbonizada de seu corpo e partiu para mudar o mundo. Outros morreram, mas nada mais poderia pará-los: impossível morrer mais do que o primeiro herói. Todo mundo se lembra de Nietzsche quando um maluco qualquer, um Raskolnikov afásico nos cafundós da América profunda, se toma por um “super-homem” com espinhas e sai metralhando por aí porque se acredita “acima” do bem e do mal. Mas a hora de lembrar de Nietzsche, na verdade, é agora. Como Zaratustra (na versão do filólogo alemão), Mohamed Bouazizi morreu abraçando a terra. Alguém poderia objetar que a terra de Zaratustra era a matéria de que somos feitos, nossa argila, nossa carne. Mas a terra que o Bouazizi moribundo abraçou também era dessa terra. Era o pó de que viemos e para o qual voltaremos. Era sua terra. Das montanhas de Atlas ao delta do Nilo, do Saara à costa do Mediterrâneo. Todo esse território de história milenar adquiriu vida como os gigantes cadmeus, depois que foi abraçado pelo rapaz a quem não deixariam viver, então de presto, desafiador, não viveu. Mas morreu em nome da vida. Nem que fosse a vida dos outros.”
Carta de Bouazizi para sua mãe
"Estou viajando mãe. Perdoe-me. Reprovação e culpa não vão ser úteis. Estou perdido e está fora das minhas mãos. Perdoe-me se não fiz como você disse e desobedeci suas ordens. Culpe a era em que vivemos, não me culpe. Agora vou e não vou voltar. Repare que eu não chorei e não caíram lágrimas de meus olhos. Não há mais espaço para reprovações ou culpa nessa época de traição na terra do povo. Não estou me sentindo normal e nem no meu estado certo. Estou viajando e peço a quem conduz a viagem esquecer." —Mohamed Bouazizi
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
EU
Não destilo a finitude humana
Não descrevo elegias
Ou salto como um éros lúbrico
Satisfazendo o rebanho.
Sou a rebeldia de um Goya
E suas pinturas negras
Um becketiano no absurdo.
Odeio padrões pré-estabelecidos
A afeição do meio
Existe muita dor e danação
Na curta existência
Para que eu fique alheio
Aos arquétipos criados
Pelo social e suas máscaras.
Pela minha solidão nas multidões e pelas minhas bebidas em festas e reuniões para que as pessoas possam ficar mais interessantes.Jaime
domingo, 16 de janeiro de 2011
O poeta e dramaturgo Ferreira Gullar é o ganhador do Prêmio Luis de Camões 2010, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Lingua Portuguesa (CPLP). Gullar tem uma extensa obra de poesias, crônicas, ficção, memórias, biografias, ensaios e teatros. Uma das minhas poesias preferidas é “Traduzir-se”, a qual foi extraido do livro “Vertigem do Dia”, e gravado por Raimundo Fagner na Espanha em 1981, num disco do mesmo título que foi um marco na carreira do cantor, anteriormente, Traduzir-se foi registrado no disco “Romance Popular” de Nara Leão
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
1968
Em 1968, o mundo pegou fogo em todos os sentidos, não só no figurado. Esse ano mítico incendiou corações e mentes, explodiu em canções, filmes, passeatas, revoluções e guerras, nos campos de batalha e nas ruas, nos palcos e nas telas, na política, no imaginário e no comportamento das pessoas.Um frêmito percorreu o planeta, foi, como se disse naquela época, um “êxtase da História”.
Talvez o emblema maior dessa ebulição tenha sido o maio francês, como tudo o que ocorreu naquele mês em que os estudantes viraram Paris de cabeça para baixo, retirando as pedras do chão com as quais abalaram simbólicamente e literalmente o governo do lendário general De Gaulle, herói da guerra e monumento nacional. Anárquicos e utópicos os estudantes franceses contestaram todas as instituições, da escola ao princípio de autoridade, das relações familiares as sexuais, das roupas corte de cabelo. Além das barricadas, dos postes arrancados e dos enfrentamentos com a polícia, que causaram centenas de feridos, “les événements de mai” foram também uma guerra verbal. Nas paredes e muros, os jovens escreveram suas palavras de ordem e seu ideário: “É proibido proibir”. “A imaginação no poder”, “Seja realista, exija o impossível”. Porque, para eles, nada era impossível, das utopias as aventuras espaciais. O sonho de maio francês espalhou-se e uma onda de protestos varreu outros países do Ocidente.
Na Checoslováquia, a Primavera de Praga, um anseio de “socialismo com face humana”, acabou esmagada pelos soldados soviéticos. A resistência foi heróica e românica, com jovens enfrentando os tanques de peito aberto ou arrancando as placas das ruas para desorientar os invasores. Os protestos de rua perpassaram a Europa e chegaram até o Oriente.
No Japão, as manifestações estudantis e a repressão policial foram especialmentes violentas. Os ventos da contestação atingiram igualmente as Américas, de alto a baixo. Nos Estados Unidos, o movimento dos direitos civis de Martin Luther King, por um lado, o Black Power, por outro, e os hippies por toda a parte propondo sexo, drogas e rock’n’roll, agravaram a crise provocada pelo fracasso das tropas americanas no Vietnã.
No campo artístico, Janis Joplin, Jimni Hendrix, Bob Dylan e Joan Baez funcionavam como os acordes dissonantes, fazendo coro a subversão sonora que vinha de fora com os Beatles e os Rolling Stones. Essa misteriosa sincronia, que juntava jovens de nações e sistemas tão diferentes em torno de anseios e ideias comuns, se manifestou de maneira particular em países da América Latina, como o México, onde a repressão policial produziu um sangrento espetáculo de violência coletiva.
No Brasil, uma ditadura militar que se instalara em 1964 canalizou contra ele a rebeldia e a resistência dos estudantes. Em lugar da “sociedade de consumo”, do “sistema”, os jovens daqui tinham um inimigo mas concreto, que censurava, prendia e passou a torturar e matar. O ano que se caracterizou por memoráveis manifestações de rua, acabou com um sinistro ato, o AI-5, que cancelou todas as liberdades públicas. Nem por isso, os jovens daqui e de outras partes deixaram de lutar por seus sonhos e utopias, alguns dos quais a humanidade realizaria em seguida, como a odisseia no espaço que foi a conquista da Lua.
Do livro de Zuenir Ventura, “1968, o Ano que Não Terminou”.
Imagens do cartaz da esquerda p/direita: 01-AI-5; 02-Augusto Boal; 03-Caetano Veloso; 04-Chico Buarque; 05-Ferreira Gullar; 06-Gilberto Gil; 07-Bombas de Napalm Vietnã; 08-Janis Joplin; 09-Jimi Hendrix; 10-Joan Baez e Bob Dylan; 11-Vladimir Herzog; 12-Jose Celso Martinez; 13-Estudantes em protestos nas ruas de Paris; 14-Mather Luther King; 15-A foto considerada marco que mudou e virou a opinião pública americana sobre a Guerra do Vietnã; 16-Uma Odisséia no Espaço (filme); 17-Movimento Hippie, a revolução dos costumes sobre as lentes do Hair; 18-The Beatles; 19-Revolução estudantil, maio 1968 ruas de Paris; 20-Manifestação popular R.Janeiro contra ditadura; 21-Homem na Lua; 22-Passeata conta a ditadura no R.Janeiro em junho de 1968- Da dir. para esq. Carlos Scliar, Clarice Lispector, Oscar Niemayer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento; 23-Plinio Marcos; 24-Primavera de Praga, 25-A passeata dos 100 mil em 1968, manifestação popular de protesto conta a ditadura no Brasil.
A ÚLTIMA UTOPIA
Podemos pregar paz e amor, protestar contra as guerras, contra o racismo, clamar pelos direitos civis, podemos exigir direitos iguais às mulheres, respeito aos homossexuais, podemos incendiar as ruas em busca de nossos direitos e gritar contra o poder e suas situações indesejadas. De 1968 até hoje se passaram 43 anos e este senso crítico que incendiou uma geração bem que poderia ter um número maior de adeptos nos dias de hoje, necessitamos de opiniões mais reinvidicativas e que não fiquem alheio a tantas situações.
O planeta sofre uma série de problemas causadas pelo homem: poluição, queimadas, pescas predatórias, guerras e sua ganância de lucro a qualquer custo, o poder não necessita mais de repressão, políticos podem ser corruptos, roubar, aumentar seus salários ao bel-prazer, contando ainda com a complacência e a parceria da justiça. Houve uma influência e uma manipulação muito forte pela mídia e o consumo, as músicas foram capitalizadas, as artes muitas vezes é uma ópera bufa, todo tipo de asneira agora vira sucesso e o ridículo virou “celebridade” (palavrinha infecta). Perdemos muito do senso crítico.
Hoje temos o mundo diante dos nossos olhos através da internet, um instrumento poderoso que é usado quase que exclusivamente para mostrar basbaquices e “vantagens” com a intenção de aparecer a qualquer custo, e tristemente se tem lucro com isso, pois, a massa de emergentes formada pela plebe do mau gosto, despolitizada e desinformada, paga por isso. Sendo assim, o que era para ser uma grande tecnologia, acaba sendo transformada num moto-contínuo da imbecilização. Salva-se uma minoria que acreditou ser ouvida, hoje o jovem que tem senso político, ecológico e humanista é um chato, resume-se em pequenos grupos oriundos de famílias educadas e com tradição pela cultura.
Somos a utopia em busca da perfeição e enquanto existir um ser humano ele vai lutar, não adianta esperar o que dizia a música do “Hair”, “When the moon is in theseventh house, and júpiter aligns with mars, then peace will guide the planet, and love will steer the stars”, cuja tradução é “Quando a lua estiver na sétima casa, e júpiter se alinhar com marte, então a paz guiará os planetas e o amor dirigirá as estrelas”, que segundo os cálculos só acontecerá no ano 2600, já ouvi esta história e foi muito bonita, mas o que influenciou mesmo, não foi a lua ou o alinhamento dos planetas, e sim uma nova mudanças de atitudes e o que percebemos atualmente é que a mensagem da geração de 1968 está sendo esquecida.
Jaime
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Jaime e Maneca nos ventos do Santa Marta Farol de Santa Marta/SC - 1987.
VENTOS
Meninos que corriam Contra os ventos Riam Voavam Desafiando o tempo.
Deslizavam em meu rosto Os ventos Sul Chuva fina Na vidraça da água furtada Minuanos.
Hoje El Niños La Niña Cruzam meus caminhos Tatuando meu rosto Pelo tempo Pelos ventos.
Nos alcantis de Torres Olhando o mar Recordo o menino De alegre volitar Os ventos continuam Eu Lento caminhar.
E as asas? Ora, para que as asas Se conheço os alísios De tanto olhar.
Eu era um dos meninos que corriam contra os ventos minuanos, sem importar-se com o frio Ou com o futuro. Hoje nos rochedos dos mares do sul, sinto os ventos, com saudades da in— fância e feliz por atravessar as mudanças e traduzir em poesia os caminhos percorridos. Creio que estes belos instantes são o verdadeiro significado da vida.
Jaime
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
CANÇÕES DE PROTESTO
As canções de protesto nascem da insatisfação individual ou coletiva em consequencia dos problemas dentro da sociedade, envolvendo principalmente questões políticas, religiosas e raciais.
Na segunda guerra, “Bella Ciao”, foi o hino da resistência italiana. Billie Holiday cantou “Strange Fruit” condenando o racismo americano sobre os linchamentos (negros enforcados em árvores), no sul dos Estados Unidos. Nina Simone cantou “Mississippi Goddamn”, um protesto contra o racismo, uma vergonha covarde que mancha a sociedade norte-americana.
“Revolution” dos Beatles e “We Love You” dos Rolling Stones pedia o fim das guerras e o desarmamento nuclear. “Sunday Bloody Sunday” do U2 é um desabafo e indignação contra a intolerância religiosa entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte. “Imagine” é um hino pacifista de John Lennon, a música “Give Peace a Chance” de Lennon também pedia o fim da guerra do Vietnã.
Em 1969 tivemos o Festival de Woodstock, com Jimi Hendrix, Creedence, The Who e outros lendários, que soou como um pedido de paz e amor, liberdade para as atitudes, drogas e amor livre, estas posturas eram mais um movimento hippie do que político e o engajamento era mais ficção do que realidade. Um protesto dos bons da década de 60 foi a música “Blowin’ In The Wind”, que Bob Dylan e Joan Baez cantavam e fez ferver a terra do Tio Sam. Nos anos 70 surgiu o movimento Punk, com bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash, que faziam críticas a guerra fria, ao nacionalismo e a monarquia britânica. Na América Latina temos cantores famosos por suas canções de protesto, como Mercedes Sosa, Violeta Parra, Silvio Rodriguez e Victor Jara, este último um ícone da canção de protesto latino-americano e maior expressão da “Nova Canção Chilena”, uma de suas músicas mais famosa é “Te Recuerdo Amanda”. Victor Jara foi assassinado durante a ditatura no Chile pelo genocida Augusto Pinochet.
No Brasil, durante a repressão e a censura instauradas pelo regime militar, deram origem a movimentos musicais que viam na música uma forma de criticar o governo. Destaques para Chico Buarque, “Apesar de Você”, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e outros. Em 1968 no III Festival Internacional de Cultura, em São Paulo, Geraldo Vandré cantou “Prá Não Dizer Que Não Falei de Flores”, junto com o quarteto Livre. A música ficou em segundo lugar no festival e tornou-se um hino da resistência contra a ditadura militar.
Na década de 80 a música “Geração Coca-Cola”, de Renato Russo e Legião Urbana foi uma resposta e uma indignação contra a soberania norte-americana sobre o Brasil e os demais países latino-americanos. Bem mais recente a banda americana Green Day, com a música “American Idiot”, manifesta a sua posição a presença militar dos EUA no Iraque.
As músicas de protesto hoje perderam lugar para o capitalismo musical. O pessoal até curte uma “causa”, mas não se comprometem, isto fica para alguns mais fortes que não se assustam com a reação do público, este grande público globalizado e ligado pela internet, que tem uma ligação em sua maioria com modismos, fofocas e de aparecer a qualquer custo, mostram-se pouco preocupados aos problemas do mundo e mesmo ligados a tanta informação vão mostrando que as manifestações e atitudes capazes de mudar uma geração é mesmo coisa para poucos. Jaime.
Bauman nos proporciona uma visão do mundo pós-moderno, globalizado, de nossa sociedade, nossas comunidades, nosso comportamento, nossas vidas e nosso amor. O homem necessita do socialismo de Baumann? Eu acho que sim, leia-o e tire suas próprias conclusões. Jaime
ZYGMUNT BAUMAN
Um renomado periódico espanhol referiu-se recentemente a Zygmunt Bauman como um dos poucos sociólogos contemporâneos "nos quais ainda se encontram idéias". Opinião semelhante é freqüentemente exposta por críticos de várias partes do mundo quando refletem sobre o pensamento desse intelectual polonês radicado na Inglaterra desde 1971 e empenhado há meio século em "traduzir o mundo em textos", como diz um deles. Indiferente às fronteiras disciplinares, Bauman é um dos líderes da chamada "sociologia humanística", ao lado de Peter Berger, Thomas Luckmann e John O'Neill, entre outros. De um lado, não se encontram em suas obras abstrações ou análises e levantamentos estatísticos; de outro, são ali aproveitadas quaisquer idéias e abordagens que possam ajudá-lo na tarefa de compreender a complexidade e a diversidade da vida humana. Essa é uma das razões pelas quais Bauman tem muito a dizer para uma gama de leitores muito maior do que normalmente se espera de um trabalho de sociologia mais convencional, o que condiz com suas próprias ambições de atingir um público composto de pessoas comuns "esforçando-se para ser humanas" num mundo mais e mais desumano. Como ele gosta de insistir, seu objetivo é mostrar a seus leitores que o mundo pode ser diferente e melhor do que é. Autor prolífero e de renome internacional, pode-se dizer que sua fama e prolixidade aumentaram significativamente após a aposentadoria, em 1990: 16 de seus 25 livros foram publicados após essa data e cinco obras dedicadas ao estudo de seu pensamento foram escritas nos últimos anos. Descrito certa vez como "profeta da pós-modernidade" (com o que não concorda), por suas reflexões sobre as condições do mundo da "modernidade líquida", os temas abordados por Bauman tendem a ser amplos, variados e especialmente focalizados na vida cotidiana de homens e mulheres comuns. Holocausto, globalização, sociedade de consumo, amor, comunidade, individualidade são algumas das questões de que trata, sempre salientando a dimensão ética e humanitária que deve nortear tudo o que diz respeito à condição humana. Preocupado com a sina dos oprimidos, Bauman é uma das vozes a permanentemente questionar a ação dos governos neoliberais que promovem e estimulam as chamadas forças do mercado, ao mesmo tempo em que abdicam da responsabilidade de promover a justiça social. "Hoje em dia", lamenta ele, "os maiores obstáculos para a justiça social não são as intenções... invasivas do Estado, mas sua crescente impotência, ajudada e apoiada todos os dias pelo credo que oficialmente adota: o de que 'não há alternativa'". É nesse quadro que se pode entender sua afirmação de que "esse nosso mundo" precisa do socialismo como nunca antes. Mas o socialismo de que Bauman fala, como insiste em esclarecer, não se opõe "a nenhum modelo de sociedade, sob a condição de que essa sociedade teste permanentemente sua habilidade de corrigir as injustiças e de aliviar os sofrimentos que ela própria causou". É nesse sentido que ele define o socialismo como "uma faca afiada prensada contra as flagrantes injustiças da sociedade". Nascido na Posnânia em 1925, Bauman escapou dos horrores do holocausto que aguardavam os judeus poloneses na Segunda Guerra Mundial ao fugir com sua família para a Rússia, em 1939. De lá voltou após a guerra, quando se filiou ao partido comunista, estudou na Universidade de Varsóvia e conheceu Janina, com quem está casado há 55 anos e com quem teve três filhas: Anna (matemática), Lydia (pintora) e Irena (arquiteta). Confiantes e animados pelo sonho de criar uma sociedade mais justa e igualitária, Zygmunt e Janina ali construíram suas carreiras (ele como professor da Universidade de Varsóvia e ela como editora de roteiros cinematográficos) e criaram sua família, até que uma nova onda de anti-semitismo e repressão esmagou seus sonhos e os forçou ao exílio. Após três anos em Israel, o convite para o cargo de chefe do departamento de sociologia na Universidade de Leeds trouxe Bauman e sua esposa à Inglaterra, onde permanecem até hoje.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Essa noite me sinto envenenado, mijado, usado, gasto até o osso. Acho que a multidão, aquela multidão, a humanidade, que sempre foi difícil para mim, aquela multidão esta ganhando afinal. Acho que o grande problema é que tudo é uma performance repetida para eles. Não há novidades neles. Nem mesmo o menor dos milagres. Apenas se arrastam sobre mim. Se um dia eu pudesse ver UMA pessoa fazendo ou dizendo algo incomum me ajudaria a seguir em frente. Mas são rançosos, bolorentos. Não há emoção. Olhos, ouvidos, vozes, seios, pernas, mas... nada. Congelam-se dentro de si mesmos e se enganam fingindo que estão vivos.
C.Bukowski
Esta visão da humanidade é minha identificação com Bukoswki.
sábado, 2 de outubro de 2010
A manipulação e a utilização sectária da informação deformam a opinião pública e anulam a capacidade do cidadão para decidir livre e responsavelmente. Se a informação e a propaganda são armas de enorme eficácia nas mãos dos regimes totalitários, também não deixam de o ser nos sistemas democráticos; quem domina a informação, domina de certa forma a cultura, a ideologia e, portanto, também controla em grande medida a sociedade. Noam Chomsky
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O ANJO
Raros momentos felizes Poeta, vagabundo Tropeços, deslizes Educado aos gritos Surrado Perdido no mundo Um maluco maldito Ainda assim, gentil Olhava por baixo Calado, senil Vivia o noturno Caminhante da noite Alhures, soturno Afogando mágoas em drinks Drogas, orgias Um discípulo beatnik Aproveitando os restos Personagem de Bukowski Sem pudor, incesto Cigarro entre dedos Trêmulos Tragando até o filtro Nervosos, aflitos Dissimulando a dor Entre devolutas Procurando amor Abraçado as putas Pederastas Bêbados Errante das praças Bares e becos Contestando o mundo A miséria humana O capital imundo Viveu o amargo, doce Tímido Mágico e gauche Morreu de não sei o quê De aids Chapado Ou overdose de AZT.
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domingo, 19 de setembro de 2010
Jaime,Antonio,Joseph e Krause, P.Alegre 1972
O DESPERTAR
Eu tinha quinze anos e usava uma calça que o pé quase não podia entrar de tão justa, alisava os cabelos para ficar parecido com os cantores da época e ter uma franja que os meus cabelos crespos e encaracolados não ajeitavam. Namorava a filha da vizinha e íamos ao cinema assistir a matinê, ver os filmes de John Ford com o John Wayne dando tiros para todos os lados e correndo para salvar a mocinha em perigo, e nós acompanhávamos a trilha sonora batendo os pés no assoalho do velho Cine Danúbio Azul (da pequena cidade da grande P.Alegre), que deixava o lanterninha louco e muitas vezes o projetista interrompia o filme para a gurizada se recompor, então, dávamos uma sonora vaia de assobios. Isto só não acontecia nos filmes do Elvis Presley ou nos melosos filmes italianos do Gianni Morandi, que faziam eu e a namorada com as mãos dadas e apertadas encher os olhos de lágrimas. Ou com o riso solto com os velhos filmes da Atlântida, com Oscarito, Grande Otelo Cyl Farney, Odete Lara, Tônia Carrero, Norma Bengell. Antes do filme, um seriado do Durango Kid que era interrompido com uma cena de perigo para ver no próximo domingo. Para trocar gibis, gostava de ir ao Cine Rey na Volta do Guerino ou no Vitória da Borges.
Festa boa era reunião dançante na casa de alguém, e melhor ainda na casa daquela menina liberal e com pais modernos, embalada com som de Roberto Carlos, Renato e Seus Blue Caps, Beatles era a novidade e com eles, “ She Loves You” yeah, yeah, yeah, traduzido para iê,iê,iê, era o rock brasileiro e suas guitarras elétricas. Com o movimento Hippie, comecei a perder a inocência, meu gosto pela Bossa Nova (que tenho até hoje) sofreu um pequeno baque com o tropicalismo de Gil e Caetano, nunca mais fui o mesmo.
Grudávamos nas antigas televisões Invictus e Admiral para ver o Festival da Música Popular Brasileira, Elis Regina, arrastão, Chico Buarque, Nara Leão e a “Banda”, Os Mutantes, surgia o Clube da Esquina com Milton Nascimento e os irmãos Borges. Eu que já estava seriamente abalado com o Festival de Monterey, Jimi Hendrix Experience e Janis Joplin, pirei nas letras musicais inteligentes, de protesto e questionadoras. Não precisei mais alisar meus cabelos, agora compridos e cacheados junto com uma calça e uma jaqueta Lee (que quando eram lavadas tínhamos que ficar cuidando no varal, senão roubavam) comprada de contrabando no cais do porto de P.alegre do negão Café, usávamos com roupas militares que comprávamos na Boutique Lixo, um depósito na Voluntários da Pátria (depois na Independência) que vinham do Vietnã.
Eu estava realmente integrado com a nova geração, dançando na noite de Porto Alegre e sumindo nos subterrâneos da metrópole. Meu pai começou a ficar preocupado e os mais velhos a falar das danças esquisitas (separados) e do cheiro de maconha nas esquinas. Minha idéia de liberdade foi aguçada com o livro de Kerouac “On The Roads” e completava com o descobrimento de Godard e seu “Acossado”, “A Doce Vida” de Fellini, Stanley Kubrick, Glauber e o cinema novo, Anselmo Duarte ganhava a palma de ouro em Cannes com “O Pagador de Promessas” e em 1969 fomos ao delírio com Woodstock, Credence, The Who, Santana e outros lendários.
Como os comportados ainda eram a grande maioria, sentíamos que éramos uma espécie de privilegiados por entender o que estava acontecendo em nossa volta, o horror da ditadura, a guerra do Vietnã, Bob Dylan, Joan Baez, sabíamos o que Chico Buarque e seus amigos estavam dizendo, o que falava o Boal e o que queria dizer Plinio Marcos e a anarquia do Zé Celso Martinez. Alguns mais velhos eram “os engajados” e chamavam agricultores de camponeses, outros tinham um pé em Miles Davis, Charles Parker e na poesia Beat, eu era muito jovem ainda, tava curtindo o paraíso como dizia Timothy Leary. Quando coloquei um pôster do Che na parede (que tenho até hoje) e comecei a ler Camus, Sartre, Brecht e outras políticas e lutas, pensava mais no trabalho para ter o vil metal (não sou filho de pai rico) do que a subversão. Gostava das ruas de P.Alegre, do Raul Ellwanger, do Festival Sulbrasileiro da Canção (melhor festival Gaucho), “Há, meu Matchu Pitchu ninguém segura este meu delírio” do Hermes Aquino, Mr. Lee Júlio Fürst, depois Almôndegas, Nelson Coelho de Castro, Ney Lisboa, gente da melhor qualidade.
Botei o pé na estrada, praia era Santa Catarina, (onde vivo hoje) gostava de poesias, filosofia e tudo que é Cult (e hoje gosto mais ainda) com uma boa pitada de jazz. Não era mais o menino que gostava de ouvir “Itai Dona da Noite” ou ir no Mataborrão com meu pai. Fiquei muito longe de alguns jovens do meu bairro, mas amei intensamente viver com este pessoal diferenciado, numa época que me tornou diferente para todo o sempre , e sem querer ser saudosista, hoje sento na beira do mar do Rosa ou de Torres e avalio: não acho muito legal este pós-modernismo pit-bull sem muito romantismo, em que o cara já nasce transando e dando socos, talvez por amar demais uma época em que se acreditou tanto na arte como força política no mundo.
Jaime Baghá – Quando a saudade aperta, vou tomar um chimarrão no Brique da Redenção, olhar o velho e o novo e me sentir um pouco em casa.
Desde o início das propagandas eleitorais venho acompanhando a repercussão sobre os candidatos “celebridades”, é inúmera as notícias, piadas, e-mails espantados falando da decadência política brasileira.
Porém amigos, eu me pergunto: porque tanto espanto? Esses não são os verdadeiros candidatos para o povo brasileiro? Não são reconhecidos? Não aparecem em todas as emissoras de canais, em programas que se orgulham em ser expoente de crítica da sociedade e da política brasileira? Que se orgulham em mostrar a verdadeira face do povo brasileiro? Transformando esses candidatos, que agora provocam espanto nessa mesma imprensa e no resto dos cidadãos, em ídolos do povão?
Os candidatos são jogadores, cantores, humoristas, tudo “celebridade” produzida e criada pelos que apedrejam; que fizeram as pessoas amarem essa palavra: “CELEBRIDADE”. Todos saídos da mesma instantaneidade e fugacidade que a mídia e a tecnologia nos empurram goela abaixo todos os dias.
Visualize por esta ótica meu caro: Romário foi o “herói” da copa de 1994 e o Tiririca é palhaço e melhor do que aqueles que nos fizeram de palhaço. Prefiro ver dinheiro sendo colocado numa calcinha da mulher fruta, do que nas cuecas e nas meias dos pilantras eleito pelo povo. Estes são os verdadeiros candidatos e acho até que são melhores que Maluf, Sarney, Collor, Barbalho, Quércia, Maia, Jucá, Roriz, Rezende, Bornhausen, Crusyus e tantos outros macacos velhos especialistas em sumir com o dinheiro público.
Isto tudo é resultado da decadência de uma postura social e política de um país que não reconhece sua história e não valoriza sua memória. De uma classe média conservadora que um dia saiu em marcha, atrás do “padre de Hollywood” chamado Patrick Peyton, pela Família com Deus pela Liberdade, entregando o país nas mãos de militares; e que ainda hoje essa mesma classe, metidos a sabidos, taxa aqueles que lutaram contra a Ditadura como terroristas.
A porta que foi aberta por jovens, intelectuais, poetas, artistas e escritores brasileiros, enfim, por todas as pessoas que tentaram ao menos lutar contra àquela condição e a repensar uma forma democrática e justa para o país; transformou-se hoje num circo de horrores sem estofo e a serviço de uma triste ideologia. Hoje seus herdeiros cafonas e sem cultura lutam para manter as coisas sem fundamento, estes filhos espúrios promovem uma verdadeira lavagem cerebral no povo com novelas, programas pífeos e jornais televisivos medíocres, repassando uma propaganda enganosa, ajudando os canalhas de plantão do PIG (partido da Imprensa golpista) a deixar cada vez mais idiotas “espertos”, que agora estão ridicularizando os chamados candidatos “celebridades”.
Estes candidatos são vocês meus amigos, somos nós, são os ídolos da nossa cultura. Então porque desdenhar? É uma pena que o Luan Santana não se candidatou, aí todos iam à loucura.
Autoria: Jaime Bagha e Jaime Zé Silva.
domingo, 29 de agosto de 2010
"Os países pobres são subdesenvolvidos não por razões naturais - pela força das coisas - mas por razões históricas - pela força das circunstâncias. Circunstâncias históricas desfavoráveis, principalmente o colonialismo político e econômico que manteve estas regiões à margem do processo da economia mundial em rápida evolução. Na verdade, o subdesenvolvimento não é a ausência de desenvolvimento, mas o produto de um tipo universal de desenvolvimento mal conduzido. É a concentração abusiva de riqueza - sobretudo neste período histórico dominado pelo neocolonialismo capitalista que foi o fator determinante do subdesenvolvimento de uma grande parte do mundo: as regiões dominadas sob a forma de colônias políticas diretas ou de colônias econômicas. Esta tremenda desigualde social entre os povos divide economicamente o mundo em dois mundos diferentes: o mundos dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos países bem desenvolvidos e industrializados e o mundo dos países proletários e subdesenvolvidos. Este fosso econômico divide hoje a humanidade em dois grupos que se entendem com dificuldade: o grupo dos que não comem, constituido por dois terços da humanidade, e que habitam as áreas subdesenvolvidas do mundo, e o grupo dos que não dormem, que é o terço restante dos países ricos, e que não dormem com receio da revolta dos que não comem. Ora, o problema do subdesenvolvimento não é exclusivo destes países; é antes um problema universal, que só pode ter soluções igualmente em escala universal. Viver na opulência, num mundo em que 2/3 estão mergulhados na miséria, não é apenas perigoso, é um crime. A tensão social na qual se vive hoje é, na maior parte das vezes, o produto desta conhecida injustiça social, já que os povos dominados tomaram consciência da realidade sócio-econômica do mundo. Cada vez se pergunta com mais insistência se desenvolver-se significa desumanizar-se, nesta frenética busca de riqueza, de acordo com a fórmula preconizada pelo ocidente de maximizar os lucros em vez de maximizar as energias mentais que enriquecem com mais rapidez a vida dos homens e podem dar-lhes muito mais felicidade." Josué de Castro
"Não, a pior tragédia não é a que tomba inesperada, rápida, definitiva e única como um raio e que até pode ser atribuída a castigo divino... Mas a que se arrasta quotidianamente, surdamente, monótona como chuva miudinha." Mário Quintana
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Este vídeo é dedicado aos Maluf, Barbalho, Collor, Sarney, Quércia, Roriz, Jucá, Calheiros, Maia, e outros que delapidam o capital ético deste país.
Billie Holiday faz parte da história da música. A compositora viveu de forma intensa, o que refletiu na sua obra. Ela rompeu barreiras raciais e foi a primeira negra a cantar numa big band de brancos.
Eu Baghá, as vezes saio à esmo pelas ruas do Morro das Mortesno desvario de achar um boteco para o meu iluminismo fluorescente encontrar um papo cabeça para eu poder destilar meu macunaismo indecente. Estou no sedentarismo metafísico e de tanto ouvir reza e cultos no altofalante da província, quase um existencialista arrependido, um velho na contramão da cultura arcaica, olhando de longe a Velha da Foice, quase puxando a cordinha da descarga para o nada, expiar meu pecado original, do meu miasma niilista. Mas aí chega outros caminhantes, Kerouacs modernos, amigos de estradas, para aplacar minhas angústias.
MEU QUERUBIM
Quando eu nasci apareceu um anjo Não era o torto de Drumond Era um anjo de pessimismo irônico Non-Sense, vanguarda Vagabundo, surrealista, abstrato Amante do absurdo Menos da guarda Vinha marcando presença Desde a figura trágica de Prometeu Dadaístas Geração Beat Agora, Eu.
Lia "Flores do Mal, "Versos ìntimos" Louco como o anjo de Torquato Metido a "enfant terríble" Niilista Frequentou o "Salon des Refusés" Tinha o cheiro doce dos simbolistas Tímido, espalhafatoso Meio artista.
Então, olhou-me com cara de safado Deu-me dois tapinhas nas costas E assim falou de súbito Vai Baghá Vai viver na contramão E chutar a bunda dos estúpidos.
O homem inventou o e-mail porque não consegue ser inteiro. Será que é devaneio ou será que é verdadeiro? Porque não consegue ser inteiro o homem inventou o e-mail. Será que é devaneio? Será que é verdadeiro? O homem inventou o e-mail