segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
O pessimismo de Schopenhauer, o paraíso perdido do poético, do inútil, do lúdico, do dionisíaco de Michel Foucault, o olimpo asséptico do anti-humanista Heidegger, a crítica artística das relações humanas de Bertolt Brecht, Antonio Gramsci, o apóstolo da emancipação das massas, o existencialismo de Jean Paul Sartre, a aristocracia estética e o repugno do homem do dia-a-dia de Nietzsche. As interações humanas da Pós Modernidade de Zygmunt Bauman A utopia de uma harmonia total e perpétua de Carl Marx e tantos outros pensadores é o suprassumo do ensinamento e a espera de outros filósofos e pensadores que tentem na mudança do futuro do homem e do planeta é a única saída para um novo mundo. Precisamos pensar, é odioso ser um homem comum. Jaime Baghá
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
A Música
A perfeição da solista
O Cello entre as pernas
Apaixonava minha vista
Duplamente meu coração.
O enlevo, os olhos cerrados
Os majestosos trejeitos
Cabelos desalinhados
Um Anjo em concerto
Veio do céu para o palco
Com grandiosa comitiva
Querubins em espetáculo
Que o meu corpo invadem
Dando vida a minha vida
A magia de Vivaldi.
Jaime Baghá
O amor é a melhor música na partitura da vida. Sem ele você será um eterno desafinado no imenso coral da humanidade.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
Dor
Qual o caminho quando não
houver estradas
Qual o desejo quando não
houver mais amor
Qual é a porta quando não se
tem mais saída
Qual o desespero quando não
se tem mais dor
Qual é a liberdade quando não
se é livre como o vento
Qual são as ilusões quando
não se tem mais sentimentos.
Jaime Baghá
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
NA NOITE
Na noite não
há nomes reais
Maria é
Pamela
Berenice é
Jennifer
Raimunda é
Shirley.
Na noite
tudo é falso irreal
Na noite não
há pedras no meio do caminho
Há o tabefe,
o calor, o tato.
A noite vem
sempre a palo seco
A noite vem
sempre a falo duro
A noite
quase não se fala.
As atitudes,
os gestos, a bofetada, o carinho
Os amores,
os prazeres, o ódio e o dinheiro são crus
A noite
quase não se fala
A noite tudo
é acústico
A noite é
injusta
Entre uma
felação e outra
Entre morte
e vida
Severina,
agora Ariadne, lê poemas de João Cabral de Melo Neto.
Jaime
Baghá
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
ENIGMA
E este
pensamento aonde irá?
Vai sucumbir
no fim?
Morrerá?
Raio de
dúvida cruel
Que me
bloqueia o pensar.
As vezes
penso eu?
Outra
situação ou mundo deve existir?
Ou é só uma
vida por parir.
Mas este
pensamento aonde irá?
As células
não podem pensar?
Mas as
células das células
Não ficarão
a vagar?
Raio de
dúvida cruel
Pensamento
tão maroto
Quer uma
saída
Não admite
ficar morto.
E este
pensamento aonde irá?
Não sei
Não
conseguiu ainda me explicar
Satiriza
Enche-me de
fantasias
E sempre
fica uma ponta do véu.
E este
pensamento aonde irá
Raio de
dúvida cruel.
Eu querendo
ser eterno – Jaime
Baghá
segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
ERA UMA VEZ UM MENINO
Que gostava de flâmulas
Gibis, bolas de gude
Peões, caixa de bugigangas
No quartinho, embaixo da
cama.
Eu era um menino
Que dançava rock
Para as primas olhar
Coca-Cola e lanchinho
Nos córregos a pescar.
Eu era um menino
Cantor, cowboy
Que não perdia matinê
Banho pelado nos açudes
Seriados de super-heróis
Eu era um menino
Desbravador de florestas
Do fundo do quintal
Tarzan, Super Homem
Com capas de roupas do varal.
Eu era um menino
De imaginários inimigos
Espadas, pistolas de raio
Medo do escuro
Destemido diante do perigo.
Eu era um menino
Moleque, fora da linha
Mambembe, ator
Cunhado do meu amigo
Namorado da filha da vizinha.
Ainda sou um menino
Nesta egocêntrica luta
Paria do vazio convencional
Que me fez poeta, chacal
Nesta pífia sociedade adulta.
Um menino feliz – Jaime Baghá - primavera 2005
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
EU
Eu sou só um
pensamento
Só uma
alucinação
Só um
tormento
Só uma
sensação.
Eu sou só
uma passagem
Só um
divertimento
Só uma
mensagem
Só um
sofrimento.
Eu sou só um
grito
Só uma
imagem
Só mais um
ser no infinito.
Só uma
coragem.
Eu sou só um
delírio
Só uma
maldade
Só mais um
sem juízo
Só uma
verdade.
Eu sou só um
ser
Só uma
ventura
Só um saber
Só todo
loucura.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
POR AÍ
Fique você
por aí
Cabeça, tudo
bloqueado
Eu vou sai
por aí
Despistar a
ignorância
Ver outra
gente, além desta gente.
Fique você
por aí
Você é este
amarelo demente
Eu não estou
nem aí
Minha pátria
é a minha gente
Só paro no
tempo na beira do mar
E tem mais
Não choro no
caís.
Fique você
aí
Contando o
vil metal
Com ódio da
vida
Eu sei quem
ganha esta corrida
Sofremos
pouco ou demais
Morremos
iguais.
Fique você
aí pascácio
Como no
universo eu quero ir além
Vagabundo
astro
Resto ou
pedaço
Girando,
olhando
Vivendo
sonhando
Sentindo,
não parvo
Mais claro.
Fique você
por aí no nada
Disfarce com
roupa amarelada
Mas acabará
no cinza
Eu, talvez
de tanto delírio
Estarei por
aí ainda.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
TEU
Sou teu
No sussurro do beijo
No depois do desejo
Pelo meio da rua
Na esquina da vida
Sou teu
E ser teu me faz perdido
Querendo a paixão do teu
suor
Sou teu no que tenho de
melhor
A pele, o pelo, a paixão
Sou teu do fundo do
coração
Serpente que se enrosca no
teu peito
Procuro, acho e mostro meu
defeito
De ser teu eternamente
Sem mais querer, ser teu
simplesmente
Se mais fizer, for teu
docemente
Sem mais te ter
Ser teu.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
MINHA MORTE
Serei breve
Como cabe a um moribundo
Pois minha alma leve
Tem ânsias de ganhar outro
mundo
Aos amigos mais chegados
Deixo um pedido a toa
E não se trata ó bastardos
De consolar minha patroa
Antes que este fio de luz
se vá
E eu me perca na noite
profunda
Enxotem o padre a golpes
de pá
E as beatas com chutes na
bunda
Depois hidromel
Vinho seco
Farinha branca
Com isso partirei
Fluido flamante feliz
Passarei a eternidade
A comer margaridas pela
raiz.
Jaime Baghá O epitáfio é a última vaidade do
homem.
Quadro "O Grito" de Edvard Munch
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
FEELING
BLUES
Sad letter blues
O som viajante de Muddy Waters
Embala minha inércia
Em médio Watts
Num tapete da sala
Em êxtase
Sem fala
Apenas sentindo
O som do velho negro
Ressoar em meus cantos
Pra vida não passar em
branco
Num devaneio de láudanos
Sem solavancos
Uísque na mão
Estou na contramão
Contrariando os anos
Avesso do avesso
Noites, drinks, pouca luz
E charutos cubanos.
Jaime Baghá, que gosta muito de um blues
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
sábado, 12 de novembro de 2022
A GARÇA
Havia um casal de garças
belas
Com cores de forte
aquarela
Hoje uma somente
Grita a procura dela.
A terra não é minha
A garça não me pertence
O tolo caçador com um tiro
Mostra a extinção
eminente.
Houve épocas de espécie
mil
A garça que já foi cegonha
Nos alerta para a vergonha
Com seu solitário pio.
Talvez a garça
Num esforço derradeiro
Encontre outro parceiro
Na luta á preservar a
espécie
E eu a veja num alegre pio
E minha dor desaparece.
1991 numa casa solitária entre montanhas e matos, vendo
a tolice do almofadinha urbano. Jaime Baghá
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
TRI LEGAL
Do menino trocador de
gibis
Na porta do Vitória
Filmes de bang-bang
Da linha do bonde
De onde eu descia correndo
Dizendo que era o Tarzan
Visitar com meu Pai o Mata
Borrão
Olhando as artes
O Bataclan passava
correndo
Logo vinha a Terezinha
Morango
Lanche na Praça XV
Fotógrafos Lambe-Lambe
Mercado Público
Passeios na Redenção
Andar de pedalinho
Ir ao aeroporto olhar
aviões
DC 3, Curtiss Comanndo C
46
Desceu um Costellation
Meu pensamento voando
Na Cruzeiro, na Panair
Na Rua da Praia
Na casa do poeta Quintana
No Hotel Magestic
Versos soltos
Veríssimo, Scliar
Passar no Ao Belchior
Perto do Cine Cacique
Ver Antiguidades
Ir ao show ver Nei Lisboa
Hermes Aquino, Bicho da
Seda
Adriana Calcanhotto,
Kleiton & Kledir
Fim de tarde no Guaíba
Cais do porto
Festas no Clube Dinamite
Carnaval nos Gondoleiros
Cascalho, Baile dos
Magrinhos no Sava Club
Comprando uma Jaqueta
verde
Na desordem da Boutique
Lixo
Para te ver
Meus belos instantes
Te encontrar na noite
No Bonami
Na Casa dos Estudantes
Às vezes um porre
Eu e ela bem feliz
E acordar abraçado
Na Praça da Matriz
Que saudades
Do meu Porto Alegre
Que eu amo
E me fez feliz.
Jaime Baghá, um jovem que
curtiu P. Alegre/RS.
sábado, 29 de outubro de 2022
NO INTERIOR
Os pequenos vilarejos do interior são belos e mágicos e não
tem igual em qualidade de vida, mas não tem um boteco ou um lugar para meu
iluminismo fluorescente, nem um papo cabeça para eu poder destilar meu
macunaísmo indecente, “Ai que preguiça”. Estou no sedentarismo metafísico e de
tanto ouvir rezas pelos alto falantes, quase um existencialista arrependido, um
velho na contramão da cultura arcaica, olhando de longe a velha da foice, quase
puxando a cordinha da descarga para o nada e expiar meu pecado original do meu
miasma niilista.
Jaime
Baghá
terça-feira, 18 de outubro de 2022
SONETO DA RAZÃO ESNOBE
Lá vem o(a) esnobe
Empinando nariz a prumo
Movido (a) a dinheiro e
consumo
E um espírito tão pobre
Tem desejos de status
Mas o sangue é espúrio
O palácio um tugúrio
A Inteligência aos trapos
Leva a vida em
discrepância
No abismo depressivo
Com a fugaz segurança
Felicidade é ser rico (a)
Para os sonhos evasivos
Futura degradação psíquica
A acomodação do ignorante
é o sucesso do explorador. Jaime Baghá
terça-feira, 11 de outubro de 2022
CURRAL DE DEUS
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
EU E VOCÊ
Você gosta
do Ronaldo Caiado, eu do Pedro Stédile
Você gosta
daquele bispo dos milagres, eu gosto de Leonardo Boff
Você gosta
do Pinochet, eu gosto do Allende
Você gosta
do Botha, eu do Mandela
Você gosta
Bush, eu do Fidel
Você gosta
do Vargas Losa, eu do Gabriel Garcia Marquez
Você gosta
do Nixon, eu do Che Guevara
Você gosta
do General Custer, eu de Simon Bolívar
Você gosta
do Thomas Edison, eu do Nicola Tesla
Você gosta
do Pizarro, eu do Atahualpa Yupanqui
Você gosta
do Avigdor Lieberman, eu gosto do Ilan Pappé
Você gosta
do Churchill, eu gosto do Ghandi
Você gosta do John Wayne, eu do Grande Otelo
Você gosta
do Costa e Silva, eu do Brizola
Você gostas
do Reagan, eu do Mitterrand
Você gosta de
sertanejo, eu de moda de viola
Você gosta
de balada, eu de Jazz
Você gostas
do Olavo de Carvalho, eu do Ferreira Gullar
Você gosta
do Stalin, eu do Sergei Prokofiev
Você gosta
do General Franco, eu do Garcia Lorca
Você gosta
dos dogmas, eu do Nietzsche
Você gosta
da mão invisível, eu da Mais Valia
Você gosta
do Salieri, eu de Mozart
Você gosta
do Rupert Murdoch, eu do Jean
Baudrillard
Você gosta
da América do Norte, eu da América Latina
Você é
capitalista, eu socialista
Você gosta
da Usina Belo Monte, eu dos Índios do Xingú
Você gosta
de Caras, eu de Caros Amigos.
Você gosta
da Veja, eu da “Cult”
Você gosta
do Roberto Campos, eu do Darcy Ribeiro
Você gosta
do Mickey, eu do Chico Bento
Você gosta
da Wanessa Camargo, eu da Vanessa da Mata
Você gosta
do Billy Graham, eu do Mather Luther king
Você gosta
do Dale Carnegie, eu gosto do Bukowski
Você gosta
do PAN ou do PRI mexicano, eu gosto do Subcomandante Marcos
Você gosta
do Blacwater, eu do Sea Shepherd
Você gosta do Amado Batista,
eu do Chico Buarque
Você gosta do bispo Macedo
e eu do Tenzin Gyatso
Você gosta do Gustavo Lima
e eu do Paulinho Moska
Jaime Baghá
- Eu com clareza.


















