sexta-feira, 7 de outubro de 2022


 EU E VOCÊ

 Você gosta do Bozo, eu gosto do Lula

Você gosta do Ronaldo Caiado, eu do Pedro Stédile

Você gosta daquele bispo dos milagres, eu gosto de Leonardo Boff

Você gosta do Pinochet, eu gosto do Allende

Você gosta do Botha, eu do Mandela

Você gosta Bush, eu do Fidel

Você gosta do Vargas Losa, eu do Gabriel Garcia Marquez

Você gosta do Nixon, eu do Che Guevara

Você gosta do General  Custer, eu de Simon Bolívar

Você gosta do Thomas Edison, eu do Nicola Tesla

Você gosta do Pizarro, eu do Atahualpa Yupanqui

Você gosta do Avigdor Lieberman, eu gosto do Ilan Pappé

Você gosta do Churchill, eu gosto do Ghandi

Você  gosta do John Wayne, eu do Grande Otelo

Você gosta do Costa e Silva, eu do Brizola

Você gostas do Reagan, eu do Mitterrand

Você gosta de sertanejo, eu de moda de viola

Você gosta de balada, eu de Jazz

Você gostas do Olavo de Carvalho, eu do Ferreira Gullar

Você gosta do Stalin, eu do Sergei Prokofiev

Você gosta do General Franco, eu do Garcia Lorca

Você gosta dos dogmas, eu do Nietzsche

Você gosta da mão invisível, eu da Mais Valia

Você gosta do Salieri, eu de Mozart

Você gosta do Rupert  Murdoch, eu do Jean Baudrillard

Você gosta da América do Norte, eu da América Latina

Você é capitalista, eu socialista

Você gosta da Usina Belo Monte, eu dos Índios do Xingú

Você gosta de Caras, eu de Caros Amigos.

Você gosta da Veja, eu da “Cult”

Você gosta do Roberto Campos, eu do Darcy Ribeiro

Você gosta do Mickey, eu do Chico Bento

Você gosta da Wanessa Camargo, eu da Vanessa da Mata

Você gosta do Billy Graham, eu do Mather Luther king

Você gosta do Dale Carnegie, eu gosto do Bukowski

Você gosta do PAN ou do PRI mexicano, eu gosto do Subcomandante Marcos

Você gosta do Blacwater, eu do Sea Shepherd

Você gosta do Amado Batista, eu do Chico Buarque

Você gosta do bispo Macedo e eu do  Tenzin Gyatso   

Você gosta do Gustavo Lima e eu do Paulinho Moska

 Jaime Baghá  -  Eu com clareza.

domingo, 2 de outubro de 2022


 LA VEM O SOL

Senta ai

Alcance a cerveja

Olhe o mar

Encoste em mim

Escute comigo

Here Comes The Sun

Olha o sol

Olha pra mim

Gosto de star aqui

Com você

Assim.

 

Dos bons tempos depois de uma festa, de pegar a moto bem cedo e parar na Guarita de Torres ver o sol nascer nos dois. Jaime Baghá

terça-feira, 27 de setembro de 2022

 SONETO NUCLEADO

Sou a matéria inerte

Sou o rudimentar

Sou a mesma química

Sou a ordem primordial

 

Sou a multiplicação celular

Sou a menor bactéria

Sou a maior baleia do mar

Sou a forma etérea

 

Sou o indivíduo único

Sou tempo, época, era

Sou todas as vidas

 

Sou o código genético

Sou a ligação da matéria

Sou o universo.

 

Jaime Baghá se questionando.

domingo, 18 de setembro de 2022


 O QUE EU VI.

Eu vi parte  de minha geração muito louca e alguns destruídos pela loucura,  andando  pelas ruas até a  madrugada em busca de uma viagem ou uma dose de loucura.

Anjos celestiais com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, rindos, com velhos jeans e olheiras fundas, viajavam fumando, um sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos as vezes com uma adorável companhia olhando os telhados e estrelas na noite.

Anjos iluminados que não tinham muito para onde ir, com a rebeldia jovem e contra o establishment alucinados escutando Jimi Hendrix, Bob Dylan, Raul Seixas, lendo poesias Beat

Alguns se armaram outros detidos por excessos e com os bolsos cheios de marijuana.

Muito loucos com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool e transas intermináveis em noites de orgia.

    Alguns voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca no de q boteco da esquina  falando sem parar para outro louco na mesma situação tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e lembranças  e anedotas e viagens visuais e choques nas fugas dos home, intelectos inteiros regurgitados em recordação dos que sumiam das bandas para as internações.

E de outros que sumiram e foram para as beiras das praias de Santa, loucos que ficaram com os pés com marcas na sola de tanto caminhar na areia do mar.

 Sentados na porta do bar, acendiam cigarros falavam dos corações partidos que deixaram ou que os deixou depois do abandono da metrópole.     Alguns liam filosofia, escutavam Caetano,  Jim Morrison Janis Jopllin, Jimi Hendrix e lendo visionários e contra a guerra do Vietnam 

Alguns desapareceram, uns ficaram comportados junto a família, outros morreram de cirrose, alguns encontraram um grande amor e outros maravilhosos e que nunca mais ouvimos falar.

Jaime Baghá

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

CONTATO

Se houver outras civilizações

No espaço infinito

Não fiques triste

Teu Deus não morreu

Se o outro ser nada venera

Por favor, não o doutrine

Não lhe fale de nossas guerras

Não o transforme num sectário de ninharias

Conte teus pecados

E em nome de Deus não o faças matar

Fale do teu imbecil

De razões por trair e venerar

Mas o melhor seria

De o teu mundo nada contar.

Jaime Baghá – Achando que ainda tem algo a ser descoberto.    

 

sábado, 20 de agosto de 2022


 

PINA

Ser Pina

É ousadia

Fragmentos

Ações e sentimentos

Suspense

Contraposições

Diagonais e progressões

 

Ser Pina

É ser humano

Prisioneiro

Crueldade e abandono

É perda

Luto

Alegria e beleza.

 

Ser Pina

É liberdade

Paixão

Conflitos e história

É amor

Lírico

Ternura e glória

 

Ser Pina

É absoluta

Minimalista

Além do artista

Elementos

Dança

Tempo e movimento.

 

Ser Pina

É dar forma

Sentir

Elegante e subtil

Nobre

Você

E o que te move

 

Ser Pina

É estar vivo

Ou dançamos

“Ou estamos perdidos”.

 

 E se você puder, pode ser gloriosa como a brasileira Deborah Colker.

Pina Bausch foi uma coreógrafa, dançarina e diretora de balé alemã.

Jaime Baghá

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

TEMPOS

 

Ela passava na noite

Para venerar os ídolos

Para esquecer tempos idos.

 

Ela passava na noite

Para ficar na bobeira

Para ficar nas certezas.

 

Ela passava na noite

Para continuar a rotina

Para não ser libertina.

 

Ela passava na noite

Para ser mais família

Para obedecer a ira.

 

Ela passava na noite

Para ficar menos aflita

Para não ser mais maldita.

 

Ela passava na noite

Para não mais sofrer

Para me ver

E os lábios tremer.

 

Ela passava na noite...

 

Jaime  -  Inverno  1976

Quadro: A Persistência da Memória - Salvador Dali

 

 

domingo, 24 de julho de 2022

Lendo o distópico "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley vi que ele descreve num misto de fantasia e sátira implacável, uma sociedade futura de tipo totalitário. A ideia simplista do progresso, alicerçado apenas na técnica; o sórdido materialismo mecanicista e certas ideologias filiadas numa filosofia de inspiração pragmázamiatintica a manipulação psicológica. Eis o alvo da sátira de Huxley. Efetivamente, o Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia do falso messias e do capitalismo canalha.
“Não quero conforto. Quero poesia, quero o conhecimento, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero bondade, quero o pecado, e como cético até Deus. enfim, quero ter o direito de ser infeliz se assim desejar.
Jaime Baghá; Gosto de ler distopias para conhecer melhor alguns governantes e loucos que insistem em aparecer em cena e para eu contribuir para que eles sumam.
Livros distópicos: "1984" de George Horwel = "Nós" de Ievguêni Zamiatin, "O Conto da Aia" de Margaret Atwood, "Fahrenheit" de
Ray Bradbury, "O Processo", Franz Kafka e tantos outros.

Jaime Baghá.

 

quinta-feira, 21 de julho de 2022


 CEPTICISMO

 

Somente caminhar

Mais um autômato

Nada perguntar

Vontade estranha

Louco leitor

Interrogando sozinho

Perguntas interiores

Inquieto no íntimo

Olhando estrelas

Pensamento infinito

Revolta

Gritos

Livros por abrir

Axiomas falsos

Nada descobrir

Sem solução

Menino

Homem

Fora religião

Heurística

Uma interrogação

Parar

Pensar

O grito no ar

Quem somos

Nunca vencer

Simulacros da verdade

Ceder

E morrer.

 

Jaime Baghá

quarta-feira, 20 de julho de 2022


 “O INFERNO  SÃO OS  OUTROS”   

Quero a reconciliação

Encontros e descobertas

Encontrar mais portas abertas

Nos momentos de solidão.

 

Quero lançar-me a própria sorte

Alcançar a liberdade

Não falar meias verdades.

Ter mais valor minha morte.

 

Quero valorizar os momentos

A origem de minha existência

Como Heidegger, “Ser e Tempo”.

 

Quero a reflexão, autoconhecimento, um Lama

Vida, estilos e essência

Descobrir minha condição humana.

 

Jaime Baghá - Jacques Lacan: Eu sou o inferno.

segunda-feira, 18 de julho de 2022


 Foto:  Piotr Kropotkin

A KROPOTKIN

Aos jovens, Kropotkin escreveu:

Façam de vosso trabalho sua revolta

De suas mãos, uma ferramenta

À libertação.

Médico, professor e engenheiro,

Estudante das leis contra as normas e

A favor da justiça

Poeta vá contra as formas.

Cure, ensine e construa,

Defenda e imagine o mundo

Que virá a seguir.

Vossos passos, vossos atos,

Se em ti vive,

Se tu o sentes,

Se crês nas obras

Do que estão ao teu lado,

Seja agora a inspiração

Dos que ainda hão de vir.

Seja agora o alívio

Dos que sofrem desamparo,

Seja o remédio, a lição e o projeto

Para edificar a revolução.

Não como dádiva,

Ou curso natural,

Mas como fruto de tuas mãos.

Pelo exemplo chame

Tua irmã e teu irmão,

Pela gentileza mantenhas viva

A fagulha de teu coração.

Resistir nada mais é

Que saber estar no presente e

Colocar de acordo

Sentimento,

Pensamento e

Ação.

Existir é fazer da vida

Projeto para o futuro.

Só haverá paz quando não mais existir exército.

Jaime Baghá

terça-feira, 12 de julho de 2022

MELANCOLIA

 O outro lado

Naquele recôndito

A parte terrível

O solitário

O Sensível

A procura

O que sentimos

O que nos invade

O grande vazio

Sem cura

Que se encontra consigo

Comigo

Algumas vezes

A solidão

Que afoga

Como um som

De Miles Davis

Como uma droga

Que o destino brinca e joga.

 Jaime Baghá

 

 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

O MEU VALIOSO TEMPO

 Tenho tantos escritos

Tantas anotações

Poemas, motes

Inspirações

Que vivo perdido

Entre textos e noções

 

Tenho sempre algo inacabado

Agendas lotadas

Cadernos rabiscados

Poesias incompletas

Caixas abarrotadas

 

Tenho papeis por toda a parte

Encima dos armários

Nas escrivaninhas

Nos bolsos

Em lugares estranhos

Nos cantos

Em baús

De todos os tamanhos

 

Tenho pensamentos

Incertezas

Metáforas

Clarezas

Absurdos

 Acertos e Enganos

 

Tenho escritos nos guardanapos

Caixa de Cigarro

Papeluchos e trapos

Papel de pão

Papel de embrulho

Tudo é usado para a inspiração

 

Tenho anotações

Em caixas de remédio

Papeis de chocolate

Capas  de filme

Blocos ao lado da cama

Além do meu moleskine

 

Tenho diversos lápis

 Canetas distintas

Sheaffer, Parker

Esferográficas e tintas

Bic, Pentel e Cross

De aprendizes a professores

Só não tenho a Mont Blanc

Personalizada dos escritores

 

 Tenho inspiração

Devaneios e chistes

Sempre uma anotação

Escritos inacabados

Poemas sem fins

Nos bolsos amarrotados

Indiferente ao meu final

A morte em meio a loucura

Dos meus papéis rabiscados.

 Jaime Bahá - -  A loucura que me faz viver.

 

 

sexta-feira, 17 de junho de 2022


 O POBRE E O RICO NO BRASIL

Aqui justiça tem preço

É a nossa realidade

Quanto custa a liberdade?

Depende do teu endereço.

 

O poder é dinheiro e bravatas

Para o burguês nobre

Cadeia e hospício para os pobres

E ao outro a lei das gravatas.

 

O crime não é para esta gente

Que tem dinheiro suficiente

Um burguês não pode ser vil

Ele paga em cima na hora

E fica livre agora

Se o crime for no Brasil.

 

domingo, 12 de junho de 2022


 UM FILÓSOFO DE SUBÚRBIO

 Poderia eu apenas cobiçar e lutar para a minha fortuna pessoal, fiquei muito tempo a escutar filósofos, sociólogos e poetas. Talvez se não fosse o veneno destes homens do passado, dos contemporâneos que nasceram com amor a humanidade, eu tivesse os mesmos princípios morais e as mesmas virtudes dos “homens bem sucedidos.” Talvez me inspirasse a mais terna solicitude a minoria dos poderosos do mundo, talvez eu fosse impiedoso com a massa sofredora. Rousseau foi um dos primeiro a falar de “homens odiosos a ponto de cobiçar mais do que o suficiente, enquanto outros homens morrem de fome.” Realmente se seguirmos a cadeia de nossos vícios, descobriremos que o primeiro elo esta preso a desigualdade de riquezas. É meu mal foi não ter somente lido romances de sucesso de massa, fui preocupar-me com o mundo, o qual nunca terá conserto, será apenas ponto de debates entre ideologias opostas, pois mesmo o pobre libertário muda suas atitudes quando muda sua posição social e mesmo não mudando tem a mania de acreditar no Diabo pensando que é Deus e coloca um canalha no poder. Raros, raros são os homens que por toda a sua vida lutam por amor a humanidade, acho que mesmo sem expressão, sou um deles.

 Jaime Baghá um sonhador 

quinta-feira, 9 de junho de 2022


 TEMPOS

 Ah, o tempo passou

Mas o passado

Ainda não se perdeu

Sobrevive nos meus pensamentos

Como uma película

Trazendo momentos

Mostrando lugares

As ânsias

Os risos

Os amores

A rebeldia

As dores

Os encontros

Namoros.

 

Ah, o tempo

Este passado atrevido

Invade meus sonhos

Transformando-me em herói

Iludindo-me

Em conquistas utópicas

Das velhas paixões

Que não vou mais ver

E, só

Em sonhos viver.

 

Ah, o tempo passou

E eu, com saudades

Gostaria de ver

Todos os rostos

De quem eu amei

Dos amigos de festas

Dos bares e garotas

Que nunca sonhei.

 

Ah, o tempo

Me faz pensar

Em ermos lugares

Clubes, pousadas

Acampamentos

Bares

Fogueirinha e amor

Na beira dos mares

E assim lembrarei

Até a vida acabar.

 

Ah, o tempo

Quero-te na morte

Lembrar os momentos

No fim e no nada

Lembrar meus fantasmas

Dos sonhos de jovem

Dos dias, das noites

Das canções

De todas as loucuras

Das minhas ilusões.

 

Ah, o tempo passou

Mas às vezes

Volto a viver

Nos pensamentos correr

Olhando o ar

Recordando...

E como um tolo menino

A sorrir e chorar.

 

Com o passar do tempo, o pensamento que todos nós sentimos quantas histórias, quantos momentos, quantas loucuras, quantas paixões de doer o peito. Quanta gente jovem reunida, como na poesia, quantas aventuras e emoções que hoje lembramos e que um dia vai se perder no espaço e no tempo, como a chuva e depois o sol. As emoções do fulgor da juventude, os acertos, as mancadas, sem compromisso, a rebeldia e o sorriso fácil. Esta é a melhor época da vida que apesar das dores da saudade, eu confesso que vivi.  Jaime Baghá 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Quadro: Baudelaire, Mallarmé,  Paul Verlaine, Corbiére, Arthur Rimbaud.


MALDITO

 Não fale meu nome aos gritos

Que a voz não vai alcançar

Meu ser no nada, no infinito

Alma dispersa a vagar.

 

Não pense em meu nome maldito

Sinônimo de ruína moral

Sem norte, com luxúrias e vícios

Sem senso, loucura um chacal.

 

Mão sonhe meu nome, um pesadelo

Que no mundo anda perdido

Nunca amor e desvelo

Soturno, noturno, escondido.

 

Não evoques meu satânico nome em vão

Não chore jamais por mim

Pois eu sou a perdição

Que um dia quis ser querubim.

 

Jaime Baghá – Outono 2000

 

O termo escritor maldito os quais eu admiro é de vida a margem da sociedade. O típico “hipster” sabe? Não curto muito o suposto certinho, aquele conservador falso da moral e dos bons costumes. Curto o cara que rejeita as convenções sociais, as regrinhas do cotidiano sem sentido, mas reproduzidas por hábito. O sujeito que não se liga muito de pertencer a qualquer ideologia dominante.

Admiro o cara que vive a margem, que despreza alguns protocolos sociais, ou boa parte deles, no mínimo vai escandalizar alguma “otoridade” em dado momento, por isso eis meus escritos e minhas posições.

Mas citando Orwell: numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário.

sábado, 23 de abril de 2022

NA ESTRADA

 Para quem viveu intensamente e com todas as loucuras a vida na juventude, usou cabelo comprido, jeans, pegou uma estrada sem destino e sem compromisso, desconfiou do sistema e ama a liberdade. Para quem descobriu a poesia da geração Beat, devorou as poesias de Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, Paulo Leminski e outros. Para quem descobriu o Jazz, vibrou com Woodstock e delirava com Janis Joplin, The Who, Jimi Hendrix, não pode perder o filme Na Estrada "On The Road", direção de Walter Salles, uma adaptação do clássico Beat de Jack Kerouac. A geração Beat foi a que encontrou seu próprio caminho, mesmo na contramão, foi um grupo entre o coletivismo social do anos 50 e o "faça você mesmo" dos anos 70. Eram iluminados que diziam não ao conformismo, nunca houve uma mudança igual e é improvável que venha a existir outro semelhante. Era uma geração culta e enlouquecida, mas como falou Rimbaud, ninguém é sério aos 17 anos. Se existe algo que tenho muitas saudades na minha juventude, foi esta vida de muita poesia e loucura, de descobrimentos e pé na estrada, de amigos que perduram até hoje, quem viveu sabe, quem não viveu que veja as histórias e os filmes acomodados no seu sofazinho. sds. Jaime Baghá,  ainda na contramão.

domingo, 17 de abril de 2022


HIPPIE

 Foi no tempo de aquários

Joplin, Hendrix

Crazy

Cantando, “Oh Fox Lady”

Na Praça

Eu

Vários

 

Roupas da “Boutique Lixo*

Liberdade

Paz e amor

Aos comportados, despudor

Gatas

Hippies

Bixos.

 

Encontro na Redenção

Dançando livre na praça

Paz, amor, contestação

Cabelos longos

Harmonia

A loucura vira arte

Eternamente jovem eu seria.

 

Nos belíssimos tempos de paz e amor. – Jaime verão 1970

 

*Boutique Lixo, era uma loja da década 70 em Porto Alegre, roupas extravagantes e psicodélicas como a década e muitas roupas militares vindo da guerra do Vietnã que a gurizada usava como forma de protesto a ditadura.

 

domingo, 3 de abril de 2022


 ERA UM GAROTO QUE COMO EU...

Eu tinha quinze anos e usava uma calça tão justa que o pé quase não podia entrar e alisava o meu cabelo para ficar parecido com os cantores da época, com uma franja que os meus cabelos crespos não ajeitavam. Namorava a filha da vizinha e íamos ao cinema na matinê assistir os filmes de John Ford com o John Wayne correndo para salvar a mocinha em perigo, ou os melosos filmes italianos do Gianni Morandi que fazia eu e a namorada encher os olhos de lágrimas de mãos dadas, ou com o riso solto com os filmes da Atlântida com Oscarito, Grande Otelo, Anselmo Duarte, Lana Bitencourt e gostava do seriado do Durango Kid que antecedia o filme. Festa era reunião dançante em casa, nas garagens embaladas por Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, Beatles e outros.

Comecei a perder a inocência com a chegada do movimento Hippie e toda sua rebeldia e logo tínhamos o tropicalismo com suas letras inteligentes e questionadores. Nunca mais fui o mesmo, ia para o Parque da Redenção em P. Alegre me juntar aos Hippies e ver as meninas com suas roupas coloridas e flores nos cabelos dançar no gramado. Nunca mais fui o mesmo e meus cabelos puderam voltar ao normal, crespos, longos e desgrenhados eram um sucesso da moda, que combinavam com minha calça e jaqueta Lee que comprávamos de contrabando no cais do porto até a primeira  loja aparecer vendendo na cidade. Para estar mais ligado ao movimento comprávamos roupas na Boutique Lixo que segundo diziam, vinham de navios do Vietnã. Usávamos estas roupas militares americanas, para confrontar numa rebeldia a ditadura. Meu pai começou a ficar preocupado e os vizinhos falavam da moda, das danças esquisitas (separados), dos cabelos compridos, das roupas fora dos padrões e do cheiro de maconha nas esquinas.  Como os comportados ainda era a grande maioria, sentíamos que éramos uma espécie de privilegiados por entender as letras das músicas, dos horrores das mortes dos jovens na guerra do Vietnã. Éramos uma espécie que entendia os protestos e as letras que Chico Buarque estava cantando e se embalar com Janis Joplin e Hendrix. Alguns mais intelectualizados tinham um pé em Miles Davis, Charlie Parker e a poesia Beat. Eu nunca mais fui o mesmo e gostei muito de ter passado por isto, curtir Porto Alegre a noite, ir  no Bar Escaler no Bairro Bom Fim e apesar de bem jovem, conhecer a “Esquina Maldita” pra ouvir um pouco de política e de viver diferenciado numa época que me tornou diferente para todo o sempre e sem querer ser saudosista, acho que o mundo deveria ter continuado uma época de Aquarius, pois não acho legal este modernismo sem romantismo em que o cara já nasce transando e dando porrada

Pequena crônica  de um jovem feliz. Jaime Baghá