domingo, 11 de agosto de 2019


AVESSO
Não destilo a finitude humana
Não escrevo elegias
Ou salto como um Eros lúbrico
Satisfazendo o rebanho

Sou a rebeldia e o desespero
Prefiro a loucura de um Goya
E suas pinturas negras
Um beckettiano no absurdo

Odeio padrões pré-estabelecidos
A afeição do meio
Existe muita dor e danação
Na curta existência

Para que eu fique alheio
Aos arquétipos invisíveis
Pelo social e suas máscaras
A Maschera Nobile dos cínicos.


Meu lado maldito – Jaime Baghá


terça-feira, 30 de julho de 2019


Neoliberalismo, o capital exterminador

Nosso sistema político e econômico é falho, mas não para uma minoria que vive da exploração. As pessoas votam pensando que estão contra o sistema, apoiam gente como Bolsonaro e Trump, que não são contra o sistema, mas sim, fazem um discurso mostrando as falhas deste sistema que eles mesmos criaram e conservam. As falhas no sistema econômico são uma clara na desregulamentação causada por eles que dizem que o conserto são os cortes nos gastos sociais. As pessoas querem mudar a vida e escolhem um populismo fascista, que põe a culpa nos negros, nos emigrantes, nordestinos e toda uma xenofobia, criando uma sociedade mais dividida e violenta.

Muitas pessoas levadas por uma propaganda midiática posam como antissistema, mas na verdade acabam apoiando ainda mais esse sistema opressor e vão piorando cada vez mais o quadro. É fácil tocar no sentimento do cidadão manipulável, que cada vez mais vão colocando no poder políticos fascistas comandados por grandes corporações, fazem uma terapia de choque, privatizam tudo, água, energia, saúde, educação, etc.; até chegar ao ponto em que a democracia se torna um problema para o neoliberalismo.

Milton Friedman um dos mais influentes economistas conservadores do século XX, professor da Escola de Chicago, criou seguidores em todo mundo e um neoliberalismo capitalista de mercado. Propôs a intervenção estatal mínima, a desregulamentação de tudo para funcionar bem, sem coibir o mercado e com o desaparecimento do setor público, privatizar tudo. Friedman achava que tinha que depurar tudo, sacrificando o povo e as causas sociais, deixando o capital eficaz somente para uma classe privilegiada. Sua experiência foi maior no Chile e na Argentina, mas se fosse tão boa porque ele nunca aplicou nos Estados Unidos?  Eles na sua insanidade acham que o estado de bem, limitava o crescimento, a mídia que nos deveria orientar, só aumenta a histeria. Cortes na saúde é um homicídio e os profissionais protestam os cidadãos alienados só sentem o grande engano quando eles necessitam dos cuidados médicos e não tem, quando suas aposentadorias se desvanecessem e todos seus benefícios conquistados a duras lutas são perdidos, é a alienação midiática controlado por um poder canalha.

Em muitos casos as pessoas cansaram de ouvir não, mesmo sendo vítimas elas só obedecem, não resistem, falta lhes uma visão e um projeto político que, quando acontece, cria-se uma propaganda enganosa colocando como vilões os benfeitores. O interessante nisto tudo é que, ao mudarmos um sistema mais voltado para o social, também mudamos os problemas climáticos, com menos poluição a mais valor ao verde. Eles falam em mudar separadamente, mas nos temos que juntar tudo, porque o sistema é um todo, se quiser diminuir a temperatura não podemos mais explorar petróleo, gás e carvão, nós já temos a alternativa, mas não usamos pelo lucro fácil ao poder, este mesmo que manipula o sistema e prega o neoliberalismo excludente e um capitalismo perverso. Temos que acabar com os subsídios fósseis e ter um alto imposto sobre o carbono, porque dinheiro tem, vivemos numa época de grande riqueza privada que só pensa numa insanidade de cada vez aumentar seus lucros sem a mínima compaixão e ver a miséria, a fome, a criminalidade e a extinção de sua própria espécie, numa loucura voraz pelo lucro, que de nada vai adiantar porque eles são a pragas do sistema, da espécie e do extermínio.

Jaime Baghá  – verão 2019 – As vezes fico angustiado por um futuro que não testemunharei.

segunda-feira, 1 de julho de 2019


SELVAGEM

O homem que ganhou a vida neste planeta, aos poucos vai destruindo o seu próprio habitat, seu próprio semelhante, numa ganância sem piedade para ao que há de vir, não pensa na preservação das espécies e da sua própria. O homem mata e corta sessenta bilhões de animais por ano, quase dez vezes a população humana, abate e come como se a vida nunca tivesse existido, não tivesse significado. Caça os animais silvestres, às vezes só pelo simples prazer do tiro, em quarenta anos metade dos animais selvagens terão desaparecidas, sessenta mil espécies não existirão até 2050.

O ritmo de morte é cem vezes mais que o natural entre os animais e as condições está reunido para a extinção massiva das espécies, então como não temer, que depois dos animais, das árvores, plantas em geral, os oceanos e outros seres vivos, o próximo da lista serão os seres humanos, morrendo num planeta destruído com numa ficção de horror.

A vida na terra é uma criação de beleza e harmonia, mas desde que o homem existe a história dos seres vivos foi transformada pela sua consciência, pela falta de consciência. Temos que reconsiderar a vida que nos rodeia, reatar com toda atenção e respeito de outros seres vivos, isto pode mudar e dar outro destino a nossa vida e nosso futuro. Selvagem não é a barbárie, selvagem não é o oposto da civilização, selvagem quer dizer “aquele que mora na floresta” que é minha casa interior, minha vida. Defender o selvagem e a floresta é defender a minha história e o meu planeta.

Quando mais observo este mundo selvagem, noto que ele é o guia que falta em meu caminho, a razão da minha existência e da minha felicidade. Se eu aprender a viver com harmonia com esta vida selvagem, eu voltaria a minha essência e seria de verdade um ser humano. É minha própria espécie que eu protegerei o amor por todos os seres vivos esta escondido dentro de mim, dentro de nós, precisamos libertá-lo, mas para isso temos que deixar abrir os olhos sobre o mundo e olhá-lo com respeito, do contrário, se continuar assim vamos todos fechar os  olhos para sempre.

Jaime Baghá  -  verão de 2019 – Fazendo uma análise do mundo e minha fuga da metrópole.

domingo, 10 de março de 2019



OS AMANTES

Você acordava primeiro
Andava pelos cômodos do apartamento
Velho sobrado encima do café
Seminua
Cabelos em desalinho
Com um baby-dol de seda
Estampado de rosas vermelhas.

Eu ficava na cama
Olhando o teto
Braços abertos
Peito nu
Tatuagem viva
Sorriso jovem de felicidade.

Não pensávamos no que fazer
Estar ali
Só nos dois
Já era o feito
A juventude já era a vida,
O perfeito.

Agora acordo primeiro
Quase num andar derradeiro
Você vestida
Assim como eu
Da sedução para o pijama

Já sabemos o que fazer
Estamos na delicadeza
A tatuagem desvanece
Como nossa visão
E nossa luta
É para que nosso mundo
Não fuja do perfeito.

A vida é breve, longo é o amor. Jaime Baghá



O Caos capital das corporações

Você vive no mundo da fantasia, de uma fantasia macabra onde instituições e corporações influenciam violentamente a política pública e transformam-se em armas financeiras de destruição de massa. O capitalismo não tem se saído muito bem ao lado da produção e estou falando dos bens de serviço, aquelas que são para satisfazer as necessidades humanas, o forte deles é a especulação financeira e para isso obtém a ajuda da mídia com os seus trabalhos de alienação e desvio da opinião pública. Pelos jornais, rádios, televisão, as pessoas são informadas que precisam se sacrificar e aceitarem os cortes nos gastos sociais, terem menos direitos e benefícios trabalhistas, tem é que encarar a destruição da economia em nome de uma maravilhosa ciência econômica. Esta bobeira coletiva é incapaz de enxergar o verdadeiro problema e o manipulado briga com o próprio amigo. Com parte da sociedade desorientada, imbecilizada, o poder do capital exerce uma grande força controlando o seu discurso, a mídia se especializou em dizer que o problema não é o capital e o tolo os segue com um zumbi. Colocam a culpa nos miseráreis, nos negros, nos imigrantes, nos refugiados, culpa todo mundo, mas nunca se toca na questão central das contradições do capital que lhe domina e lhe rouba. É o grande equívoco econômico que soa como um senso comum, como uma economia doméstica, meu amigo, tua economia doméstica não coleta impostos e não imprime dinheiro. A globalização que deixou circular a riqueza dos grupos privilegiados desarticulou ate velha base tributaria das políticas keynesianas onde prevaleciam os impostos diretos sobre a renda e a riqueza e vão contra até os mais renomados economistas, como o francês Thomas Piketty que foi o grande responsável por colocar novamente a desigualdade de renda e riqueza como uma questão política importante. Muito do sucesso capitalista e predatório das corporações foi aprender a combater as lutas dos trabalhadores, em grande parte graças a ajuda de um povo sem conhecimento, que manipulados, foram para a rua fantasiados de amarelo pedindo a sua própria ruína, mas não é só aqui. Como falou David Harvey, o mundo vive um estado de loucura, com uma população alienada e cega contra seus próprios direitos.

Jaime Baghá 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


O lixo político ao meu redor
Venho de uma família educada, nunca estive numa militância de conflito de classes, apenas fui educado para considerar todos os seres humanos iguais e a pensar que não há nenhuma diferença entre quem é culto e quem não é culto, quem é rico e quem não é rico. Uma educação com um estilo de vida democrático, mas confesso que sempre me senti muito mal diante do espetáculo das diferenças, entre ricos e pobres, entre quem está no alto e quem está embaixo da escala social. Hoje vejo as coisas mais como um humanista. Resisto e me indigno ao radicalismo contemporâneo, em especial ao populismo fascista que visa arregimentar o povo num regime de histeria coletiva e faz o caos crescer, numa organização social de ódio e que cristaliza as desigualdades. Por isso, às vezes mostro o meu descontentamento, em especial, pelos acontecimentos vergonhosos no Brasil. O que escrevo é muito inflexível e se radicalizo nas minhas posições não são por imposições, mas sim, uma visão garimpada de autores, críticos e escritores aos quais tenho respeito e admiração, tais como: Brecht,  Hobsbawm, Bauman, Umberto Eco e, em especial, o  mestre italiano Norberto Bobbio, o último dos humanistas.

Jaime Baghá – 24/10/2018



segunda-feira, 1 de outubro de 2018



A DOUTRINA DO ATRASO.
A política na América Latina, no Brasil e principalmente em nossas regiões do interior, faz parte de uma região organizada para a dualidade, para o divorcio de suas partes, para ao ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas só existindo juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição política que nos treinou para ser colonizado, para o medo, a resignação e a solidão, e a cada dia nos ensina a não gostar de nós mesmos, a cuspirmos no espelho, a copiar ao invés de criar.
Vivo sempre indignado contra este estado de traição financiado por grupos de interesses, grandes corporações, políticos golpistas, vende pátria, ladrões, canalhas, fabricantes de miséria, por um judiciário em conluio com o mesmo grupo, pelo exército que age como uma  republiqueta de bananas sempre nos assustando com golpes,  e uma mídia comparsa dando cobertura e imbecilizando o povo,  fazendo os tolos acreditar numa cubanização, no perigo vermelho, enxergando comunistas pelas paredes e outras basbaquices,  que,  se não representasse um atraso monumental, seria uma hilária digna de uma opereta bufa da pior qualidade que muitas vezes já assistimos neste país.
Jaime Baghá

segunda-feira, 3 de setembro de 2018



Não temos necessidade qualquer de um mainstream keynessiano neoliberal para nos roubar com as modas do império opressor, não queremos um imperador, um mito fanfarrão mal educado e burro, de algum amo patriota e cipaio ou da púrpura que mascara a incompetência hereditária. Queremos um estadista, uma pessoa simples, um brasileiro latino americano, capaz de compreender a vida das pessoas e que seja escolhido pelo povo. Não necessitamos de um falso consagrado pela mídia, mas de um líder que fale a língua deste povo, que tenha compaixão pelos humildes e traga prosperidade, educação e progresso para esta gente iludida e trapaceada pelos golpes de uma elite canalha.  Jaime Baghá

domingo, 29 de abril de 2018


Brasil, atraso cultural na era digital

Sabe o porquê muitas vezes eu me torno um cara chato e até impertinente, é que sou muito maluco meu amigo, pelo fato de vivermos em um mundo onde uma multiplicidade de forças muito poderosas tem atuado sobre nós, uma delas são as corporações aliado a política e a mídia no grande controle. Aqui, a Globo é a vanguarda da imbecilização coletiva, marcando uma nação pela ignorância e pela prepotência da minoria reacionária. 
Como disse Mino Carta no seu edital, “Há tempos o Brasil não produz mais escritores como Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, pintores como Cândido Portinari, historiadores como Raymundo Faoro, cultores da ironia como Nelson Rodrigues, jornalistas e repórteres como Cláudio Abramo e Rubem Braga, um dramaturgo e poeta como Ariano Suassuna,  O que restou foi Alfredo Bosi  que já passou dos 80, ou Chico buarque para quem alguns moleques perderam o respeito.

Do nascimento, passando pela escola, até o trabalho, tentam suprimir nossa individualidade, nossa criatividade e acima de tudo nossa curiosidade, em suma, destruir tudo que nos encoraja a pensar por nós mesmos. Todo cara que tenta ousar, mudar, que luta pelo diferente sofre a discriminação do socialmente correto, é a velha porra conservadora agora acomodada até nos partidos de esquerda. 

Até para os que se acham moderninhos num universo ordinário e de mau gosto, vão contaminando todo um país, condenando-o ao atraso, resultando num bando de riquinhos marrentos e pobres violentos nas metrópoles, dizendo as pequenas províncias interioranas, “sempre foi assim, porque mudar”?
Não muda nas escolas, nas mídias, o coletivo vai tentando ser celebridade (palavrinha infecta), e os “ídolos” e seus seguidores de cabelos engomados, bundas siliconadas e chapéus de cowboys americanos gritando “galera, mãozinha pra cima” para o povo rebanho.

Nossos pais querem que seus filhos ajam como as outras crianças da vizinhança; eles enfaticamente não querem um menino ou uma menina que pareçam “estranhos” ou “diferentes”, tampouco “condenavelmente espertos demais.” Mesmo porque, este esperto é o estranho, e numa província retrograda o cara é mais estranho ainda, se for um intelectual esta perdido, é um alienígena.

Então entramos na escola, um destino pior que a morte e o inferno combinados. Ao aterrissarmos em uma escola, aprendemos duas lições básicas: 1) Existe uma resposta correta para qualquer questão; 2) A educação consiste em memorizar essa única resposta correta e regurgitá-la nas “provas”. Toda a atenção é focada na fofoca do Facebook ou os olhos vidrados no celular mais moderno que podem adquirir.

As mesmas táticas continuam pelo ensino médio e, salvo em algumas ciências, até a universidade.
Através desta “educação” encontramo-nos bombardeados pela religião organizada. A maioria das religiões, no ocidente, também nos ensina a “única resposta correta”, as quais devem ser aceitas com uma fé cega; pior ainda, tentam nos aterrorizar com ameaças de sermos queimados após a morte, tostando e fervendo no inferno se alguma vez ousarmos pensar por nós mesmos, de fato.
 Viva o rebanho obediente! De um lado uma religião com festas, bebedeiras, escândalos políticos, financeiros e pedofilia; de outro, fanáticos pregando evangelhos aos gritos, descriminando tudo pedindo dinheiro, cartão de crédito com senha e até seu salário, na maior cara de pau, e o cara não pode ser chamado de vigarista, porque o rebanho imbecil dá com o maior prazer e ainda diz “ó glória”.

 No meio de tudo isso o inferno urbano, já chegando no interior para o espanto e desgraça dos nativos, transformando meninos em malandros da ralé, transformando a sociedade pacata numa turba, enquanto a “sociedade” burguesa e inculta se preocupa em sair nas colunas sociais de jornais, em colunas inexpressivas, numa ópera bufa sem preocupação com o social e a cidadania. Siliconadas, popozudas, MC'S mérdas e aquela desgraça “musical”, sertanojo, sambanejo, bonde do otário, que a orgia dos manés desfila nos seus carros (autojéca) cheio de alto falantes, como se teu ouvido fosse penico.
Ou você aceita a cultura do pode tudo, do que castra tudo, do que f... tudo, ou se acovarda, se vai querer mostrar coisas novas, educadas e cultural, não é bem-vindo. Como diz o Sr. Jean Baudrillard, “quero ver como toda esta orgia vai acabar”.

Depois de 18 a 30 anos de tudo isso, com grande dificuldade entramos no mercado de trabalho,  e aprendemos a nos tornar, ou a tentar nos tornar, quase surdos, mudos e cegos. Devemos sempre dizer aos nossos “superiores” o que eles querem ouvir, o que veste seus preconceitos e seus desejos fantasiosos. Se notarmos algo que eles não querem saber, aprendemos a manter nossas bocas fechadas, se não você esta fora. 

Houve uma época em que eu pensei que a tal juventude cabeça poderia mudar um pouco o quadro, mas, uma política golpista, de exceção, perniciosa, ditatorial, neoliberal, junto com um judiciário canalha, uma policia agressiva surrando jovens estudantes,  desmantelou o moderno de pensamento. Ainda temos alguns que fazem parte dos jovens que pensam diferentes, com classe cultura e uma alternativa de comportamento, não usa a nova tecnologia das redes apenas para bisbilhotice. 
São poucos, e temo que possam sumir, cada vez que vejo um acontecimento de massas com apresentações banais e na velha máxima grega de “Panis Et Circens”. Fico numa grande preocupação com pessoas que vivem ao meu redor,  felizes com estas confrarias. 

Vejo que estou ficando velho e cada vez mais longe do rebanho, mais solitário e com poucas expectativas.
Este rebanho humano começou com gênios em potencial, antes que a conspiração tácita da conformidade social enferrujasse seus cérebros. Todos eles podem se redimir dessa liberdade perdida, se trabalhar duro pra isso.
Eu trabalhei por isso por 40 ou mais anos até agora, e ainda acho partes de mim agindo como um robô ou um zumbi em algumas ocasiões. Aprender a “tornar-se o que se é” (como na frase de Nietzsche) leva o tempo de uma vida, mas ainda parece ser o melhor a se fazer, e eu fico tentando e torcendo, quem sabe alguma visão mais aguçada veja que pode haver uma luz no fim do esgoto e eu sobreviva para ainda ver uma sociedade mais moderna, instruída, civilizada e nossos jovens culturalmente mais ativos, porque o verdadeiro rebelde é o cara que ousa, que muda conceitos e estilos, mesmo numa província inculta.

O maior problema da ignorância não é a falta do saber, é rejeitar quem sabe, e o que é pior, pelos que pensam que sabem por que a massa lhes é favorável, esta mesma massa robotizada pela mesmice e cultura de televisão que levou o país a esta merda. Também chamam esta era de Época da Informação, porém, nos países chamados terceiro mundo vejo que a perplexidade e a crise de paradigmas se constitui num álibi para o imobilismo.

A praga é que tudo isto é tão manipulado por políticos gananciosos e neoliberais, (aquele neoliberalismo canalha que até Hayek e Von Mises diseram ser perniciosos para países em desenvolviemnto), políticos vende pátria e seguidores de conveniências, que quando eles abrem a boca para falar, eu fico pensando quanto tempo vai demorar. Minha esperança vem daquela máxima, “toda mudança social vem da luta e da paixão dos indivíduos, não conte com os políticos e governantes”. Por enquanto estamos no tudo deve mudar para que tudo fique como está, e é um fato muito triste para este cara metido a pensador, que insiste em não tirar o pé do underground e ser um maistream de merda.

  Jaime Baghá

quinta-feira, 8 de março de 2018

NA MINHA RUA

Na minha rua
Passam meninas soberbas
Velhinhas que murmuram sozinhas
E que um dia foram
Meninas de incertezas

Na minha rua 
Passam meninos atrevidos
Velhinhos de passos medidos
Que um dia foram
Meninos coloridos

Na minha rua 
Passam meninos gritantes
Velhinhos pensantes
De passos trôpegos 
Hesitantes

Na minha rua
Passam meninas vaidosas
Velhinhas tímidas
Cabisbaixas
Como tristes rosas

Na minha rua
Passam dois momentos
Da nossa existência
A juventude querida
E o purgatório da vida.

 Observando as fases da vida. – Jaime Baghá



NO LAR

No inverno aqueço a casa do interior alimentando o fogão de lenha, não penso poesias porque a Kim chora com cólicas de neném. A Mima canta canções de ninar e conversas de consolo, que a Kim não entende, mas compreende o amor e acalma, ai fica olhando com aqueles olhinhos de filhote, com um brilho de pureza dos pequenos seres. A Kim dorme no embalo dos braços, e eu escrevo a dor que passa. 
Inverno no pequeno distrito de Peroba, com uma neblina por todo o vale e pela frincha de minha janela eu vejo somente a cruz da igreja num fim de tarde cinzento. Alimentamos o fogão de lenha para aquecer a casa, o Jaiminho lê gibis na mesa e a Kim é embalada num balaio de vime em forma de meio ovo, suspenso no teto por cordas de náilon, ao menor movimento ele se move e embala seu sono, fica o  som noturno da roça  e das matas e a família passa mais um inverno na casa do interior. 
Nossa casa do interior - inverno 1995
Jaime Baghá


ESTRADA DO INTERIOR

A minha rua é uma estrada
cercada por morros
montanhas
com muito verde
de matas e agricultura.
A minha rua é uma estrada
com a magia do interior
com gente simples morando as margens.
A minha rua tem uma pequena igrejinha
um pequeno vilarejo.
A minha rua é uma estrada de nome saudade
para o colono simples
que um dia migrou para cidade.
A minha rua é uma estrada
com muitas vidas
com a minha vida.

Jaime Baghá


sábado, 8 de julho de 2017

INOCÊNCIA

A menina do interior
Com seu par agreste
Fugiu para a metrópole
Com todas as ilusões
Para sonhar e ver as luzes.

De menina a garota
Caminhar miúdo, compassado
Dançando sobre as avenidas
Nas noites eternas
Com vida, muitas vidas.

Muito louca, ficou mulher
Encontrou um amante
Astucioso, de fala mansa
Seu caso urbano
Cáften, profano

Quantos caminhos e desvios
Menina do interior
De olhar vazio
De sonhos e luzes
Você vai cruzar, penar

Um dia perdida
Só e dividida
Voltará ao interior
Mulher e falada

Para tentar sonhar
Viver, amar e sofrer
Calar, consentir
Obedecer e morrer
Com um novo par
Que nunca viu as luzes.

Para algumas esta é a história do êxodo rural para a metrópole e a volta.  Jaime Baghá.

CONVERSA COM O PRIMO

Eu sou a menina
Do cantinho do interior
Que sorri a malícia
Cercada de inquisidor
Menina e mulher
Transa e amor
Fuga para a capital
Aqui ou lá
Tudo igual
Eu sou a mulher
Deste canto
Brega moderno
Faço tudo que eu quero
E tu com isso
Santermo.

A busca da independência que muitas vezes transforma-se num cárcere.  Jaime Baghá

Pablo Picasso - Le Poète
A MALTA E O POETA

Oculto para ouvir clássicos
Solitário em minhas óperas
Longe da chalaça ativa
Da grande orgia nativa
Vivem de prato e bispote
Pandulho cheio e mente vazia
Plutocracia de dotes
Suprimindo a poesia
Alguns urbanos vivem assim
Em eternas futricas
De intrigas e rezarias
De grandes ostentações ridículas
Se amassem arte e vida
O poeta absolveria
A loucura coletiva

Há uma minoria de arruaceiros que se denominam “bem nascidos” que infernizam o pequeno paraíso.  Jaime Baghá

O Idiota - Fiódor Dostoiévski


“SÁBIOS” CONSERVADORES AO MEU REDOR

De onde provém o teu conhecimento, das literaturas, dos centros de ensino, de uma família educada ou de uma vida de lutas para o conhecimento?  De onde vem a tua cultura, será desta tradição de famílias que vivem na ansiedade do status e que tem uma formação viciada moldada pela informação da mídia, que sempre colocou tiranos no poder, que gosta do aconchego de políticos conservadores, falsos e corruptos, que compram o poder e banalizam a amizade com tapinhas nas costas. De onde vem o teu conhecimento, imbecil, patético farrista de confraria, você só contesta e briga por aquilo que foge da tua compreensão, você é o falso que elege e cria imbecis e nos impõe a um atraso secular. Você não é nada, só come e caga, tua existência não tem significado, és o estorvo que me custa caro.

"É melhor ser infeliz, mas estar inteirado disso, do que ser feliz e viver como um idiota".  Dostoiévski

segunda-feira, 7 de novembro de 2016


 “QUEM SABE EU TE ENCONTRO DE NOITE NO BAXO”**

Eu e meu amigo
Vivemos o melhor da vida
Após perda da inocência
Viramos ave da rapina
Águias
Havíamos cruzado um caminho
Adolescência
Paixões, desilusões
Coisas de meninos

Passamos as dores
Inocentes amores
Chegamos a pré-ideia adulta
Aprendemos a loucura
Sonhar, amar
Cabelos longos ao vento
Livres
Viagens e festas
Jovens reunidos
Caminhantes da beira do mar
Em risos soltos
Sem dores pra chorar.

Que saudades do apartamento
Velho sobrado encima do café
O AP do Baxo
Onde reunimos amigos
De guerra,
Festa e fé
Nosso point
Recôndito
Nosso lar
Solar de encontros
Encantos
Lugar de repouso
Esbórnia e sossego
Templo de meditação
Amigos de fuzarca
Risos por toda a noite
Sopa para curar a ressaca.

O melhor da vida
Encontro das namoradas
Amantes queridas
Perdidos e perdidas
Sonhos e cânhamos
Espumantes geladas

Há, nossa pós-inocência
Magnitude
Doce momento da juventude
Que ao descrever chorei
Pelo desaparecer
Por intensamente viver
Reviver
Feliz por passar
E nunca esquecer.
 Ao Maneca e também para os(as) queridos(as) amigos(as) de festas, de mares, de rock e carnavais, de estradas, acampamentos e fogueirinhas de papel. Khan, Didio, Eninho, Lucinha, Aurinha, Verinha, Nara, Rê, Flávia, Carminha e outros(as) que esporadicamente  compartilhavam a companhia.
Beto e Élder (in-memorian)
 ** Élder usou a frase de uma canção de Caetano para definir os encontros no velho sobrado, “quem sabe eu te encontro de noite no Baxo”, Baxo era o meu apelido entre os amigos mais íntimos.
 Jaime Baghá, com saudades.

domingo, 10 de julho de 2016

Terraço do Café na Praça do Fórum - Van Gogh

NOITES

À noite eu sonho adormecido
Mas já sonhei acordado
Olhando as luzes de néon
Caminhando nas noites
Onde respirava vida.

Na louca alegria soturna
Nos bares, nas esquinas
Entre almas noturnas
Onde anjos e demônios
Andam na mesma bruma.

À noite e seus segredos
Sempre a desvendar
Com máscaras sem endereços
Onde queria me perder
Para me encontrar.

Festa em Mahagonny
Onde muitos não têm nome
Entre o devasso e o sério
Das luzes e dos mistérios
Até o triste arrebol.

A noite mistura odores
Caros e baratos
Simples e elegantes
Loucos e lúcidos
Tudo no mesmo prato.

Embaixo da luz caída
Festa de subterrâneos
A noite é simbolista
Onde formas, silhuetas e bosquejos
Dividem a mesma pista.

A noite é novidade
Dos oportunos e desconhecidos
É o outro universo
Da vida que o dia não mostra
A Agharta dos perdidos.

A noite tem muitas faces
É o paraíso de quem sonha
E quando escurece
Nas luzes da babilônia
Outro mundo acontece.

A noite é o místico
Dos labirintos das metrópoles
Dos doces e malditos
Onde agito vivo e ardo
E onde todos são pardos

Aprendi a viver a noite
Das trapaças e logros
E seu delicioso jogo
Assim como Leminski
Fiz-me senhor do fogo.

A cantora é melancólica
O pianista virtuoso
A bailarina hiperbólica
O jazz toca para as almas
O rock é diabólico.

A noite dos inocentes
Dos anjos histéricos
Procurando uma dose
Para aplacar a dor
Para ativar a ira
Para falar de amor

A noite de muitas vidas
Do menino que sonhava
Hoje velho
Estrutura combalida
Vivendo as lembranças
Dos sonhos que sonhava
Nos caminhos da noite
Aonde eu me perdia
Onde eu me encontrava. 

Jaime BagháCom saudades de se perder nas noites.

domingo, 5 de junho de 2016



DÉJÀ VU

Eu ando pelos desvios
Padeço e sobrevivo
Feito cachorro vadio
Não programo meus caminhos
Não traços objetivos
Para não ter de aturar
Elogios familiares
E um babaca empertigado
No meu túmulo discursar.

Não quero ser o exemplo
Queria ser vagabundo
Aproveitar meu pouco tempo
Caminhando pelo mundo.

Sou o Cândido de Voltaire
Nesta miséria humana
Sou o que nada quer
E quem me quer me engana.

Sou o miasma
Que o sangue medra
Louco da divina comédia
Paria dos sociais bandidos
O que na vida anda perdido.

Eu observo os homens
Razão por não querer ter nome
Racional de paixão incompleta
Que me faz maldito poeta.

Eu sou o nada
Uma trapaça
Não quero a grande farsa
Arranco a minha máscara
Exponho a minha carcaça.

Não sou o que machuca o mundo
Que adora o deus absurdo
Que mata a própria espécie
Ora para a utopia
E no paraíso padece.

Sou dos meus iguais o inviso
Senil que não perdeu o juízo
Sem apegos aos objetos
Porque morre e vira dejeto.

Sou o engano
Profundamente humano
Que sofre por ser
Não ser
O que vê
E não quer ver
O não sei...
Eu
O ser...
 Jaime Baghá  - procuras!

Adoro esse olhar blasé que não só já viu quase tudo mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.  Cícero