quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Mulher Chorando - Picasso

É O ACORDAR QUE NOS MATA *

Quero meus sonhos
Esquizofrenias
Não a cura que limita
Que investiga minha razão.

Nada que me limite
Analise
Quero o que move a vida
Angustias
Anseios
O sublime
Meus sonhos e ilusão.

Quero o demasiado humano
O fracasso do pensamento lúcido
A fantasia da imortalidade
Ceticismo
Meias verdades.

O que será de mim
Sem a minha loucura
Quero a minha luz
Meus escuro
Para poder estar vivo
Encontrar minhas procuras.

Jaime Baghá – numa luta entre loucura e razão.

(*Virginia Woolf)

Fui ao analista, cheguei atrasado, ele disse que eu estava com resistência
Cheguei antes da hora, ele interpretou como ansiedade
Hoje cheguei pontualmente, ele me chamou de obsessivo
Não entrei, dei meia volta e fui para casa, ler Artaud e Baudelaire, triste por
te-lo deixado vivo.

“A natureza é um tempo onde vivos pilares, deixam filtrar não raro insólitos enredos
O homem cruza em meio a um bosque de segredos, que ali espreitam com seus olhos familiares.”  Correspondência – As Flores do Mal – Charles Baudelaire.


Angústia - Edvard Munch


 Esta velha angústia, 
Esta angústia que trago há séculos em mim, 
Transbordou da vasilha, 
Em lágrimas, em grandes imaginações, 
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, 
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. 

Transbordou. 
Mal sei como conduzir-me na vida 
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! 
Se ao menos endoidecesse deveras! 
Mas não: é este estar entre, 
Este quase, 
Este poder ser que... 
Isto. 

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém, 
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio. 
Estou doido a frio, 
Estou lúcido e louco, 
Estou alheio a tudo e igual a todos: 
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura 
Porque não são sonhos. 
Estou assim... 

Pobre velha casa da minha infância perdida! 
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto! 
Que é do teu menino? Está maluco. 
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano? 
Está maluco. 
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou. 

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer! 
Por exemplo, por aquele manipanso 
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África. 
Era feíssimo, era grotesco, 
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê. 
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer — 
Júpiter, Jeová, a Humanidade — 
Qualquer serviria, 
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo? 

Estala, coração de vidro pintado! 

Álvaro de Campos

Camile Claudel

"A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. 
Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. 
Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. 
Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido. 
Ter consciência dela e ela ser grande é ser gênio". Fernando Pessoa

segunda-feira, 1 de julho de 2013

MANIFESTAÇÕES NO BRASIL




                          
Eu pensei que não tínhamos mais indignados, eu pensei que não veria mais protestos, passeatas, ocupações, até fiz críticas pesadas no meu blog com saudades dos velhos tempos, da UNE, dos estudantes e de um povo que não se calava e não se cala, mesmo depois de trinta anos governado por generais.
Estava morrendo de ciúmes da Islândia, do Occupy Wall Strett, dos espanhóis na Praça do Sol, dos gregos, da primavera árabe, até do vizinho Chile e da Camila Vallejo. 
Achei que íamos ficar para sempre nessa de celebridade (argh), nesta vulgaridade da música brasileira, cabelinhos engomados, sertanejos caubóis de 5ª categoria invadindo as universidades com toda esta alegoria do mau gosto, incluindo algumas pequenas cópias sem significado dos jovens europeus com a máscara do Guy Fawkes, meninos brincando de rebelde, que não saiam do facebook, porém tive esta grata surpresa e (como diz o cartaz) “eu acredito no vinagre”.
A distância dos protestos no Brasil fez com que muitos especialistas errassem, não acreditaram, até imprensa deu o maior fora, como o Arnaldo Jabor, mas este não é de se levar muito a sério. Foi muita alegria, que emoção em vê-los novamente de caras pintadas empunhando bandeiras, gritando palavras de ordem, mostrando que estamos de saco cheio numa explosão de insatisfação vencendo a imprensa antipática e a polícia truculenta.
Fico feliz em ver nas ruas o grito contra o abuso da corrupção, dos roubos de centavos a milhões, dos políticos ladrões, de malfeitores na presidência da Câmara e do Senado, da falta de educação, da saúde abandonada, dos erros da prioridade em construir estádios enquanto o povo não tem hospitais, nem a criminosa PEC 37 passou despercebida. Depois dessa a FIFA vai ter que se questionar, porque vai cada vez mais encontrar resistências em democracias, fato que sabe muito bem o mafioso internacional Joseph Blatter, presidente da FIFA que diz “menos democracia é melhor”.
Temos algo de novo acontecendo, com manifestantes estruturados, colocando o dedo em todas as feridas deste país, também temos vândalos, ladrões de lojinhas como definiu Slavoj Zizez, crias e subprodutos da sociedade ingrata, de “um mundo sem mundo”, e que, devido à miséria que o estado lhes oferece, me parecem poucos nas ruas, poderia ser pior. Então não se pode pensar um termo marxista para os vândalos que se encaixam mais facilmente na noção hegeliana de ralé, escória, que manifestam sua raiva irracional de destruição que Hegel chamava de negatividade abstrata.
São os nossos bas-fonds, bafão no termo bem popular que são maioria em nossa sociedade, cria das corruptelas políticas, o verdadeiro povo brasileiro que lota estádios e faz a festa do nosso carnaval, eles também têm o direito de se manifestar e não são tão insossos quanto os nossos universitários, e isso é só o esquenta porque este povo é que esta cansado de sofrer.
Como negativo nestas manifestações também temos os políticos golpistas, aqueles que acham que quanto pior melhor, e vivem pegando carona em qualquer desgraça para se promover. Acontece que estes políticos também não são nada, são piores que os vândalos, porque são seus pais, vândalos em sua maioria são crias dos políticos canalhas, por isso são necessários, não se faz um bom protesto sem nenhum confronto, sem quebrar alguma coisa e colocar fogo nas barricadas, só deveriam estar mais voltados em destruir o patrimônio dos seus criadores do que do cidadão comum.
Estou mais tranqüilo, ainda não nos calamos,temos estudantes, temos o povo, temos os índios revoltados e abaixo aos desgraçados. “Verás que um filho teu não foge a luta”, estamos novamente caminhando e andando e vamos caminhar sempre contra ao desaforo e a pouca vergonha política e vejam que a primavera ainda nem chegou.
Jaime Baghá

FRASES DAS MANIFESTAÇÕES

"Não precisa de gás lacrimogêneo, os políticos já deram muitos motivos para o povo chorar".
"O gigante acordou".
"Não é apenas por vinte centavos".
"Queremos escolas e hospitais no padrão FIFA".
"Copa não, saúde e educação".
"Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil".
"Abaixa a tarifa e manda a conta pra FIFA".
"Não são só centavos, são bilhões em desigualdades".
"O suor da minha testa não vai mais bancar sua festa".
"Não atire, ouça!"
"Tem tanta coisa errada que não cabe em um cartaz".
"Quando seu filho ficar doente, leva ele a um estádio"
"Partido nenhum me representa a mídia não me manipula".
"O povo acordou, o povo decidiu, ou para a roubalheira ou paramos o Brasil".
"Chega de corrupção, queremos mais educação".
"Vem pra rua".
"Brasil vamos acordar, professor vale mais que Neymar".
"Se segurança se faz com armas e violência, então qual a diferença entre polícia e bandido".
"A ditadura acabou, faltou avisar a polícia".
"Já que a bombas é de efeito moral, joga no congresso nacional".
"Larga a Candy Crush e vem pra rua".
"Eu acredito em vinagre".
"Era um país muito engraçado, não tinha escola só tinha estádios".
"Ô fardado, você também é explorado".
"Mais educação, menos festa de peão".

sábado, 25 de maio de 2013



Breve história do Xamanismo

Hegel procurou seu protetor xamânico na
flor negra
Novalis na flor azul

São Francisco quis perpetuar seu tótem no cântico
delle Creature

O gavião de penacho
fez a cabeça de
Oswald de Andrade

O girassol da madrugada
dissipou a couraça
Católica de Mário
(o clã do jabuti agradece)

Holderlin dançou
em torno do Eter
como um navajo

Trakl escureceu o dia
com seus pântanos e miasmas

Dante atravessou 3 reinos em êxtase
viu a luz no fim do túnel

Lautreamont se comparava à águia e ao dragão

Pasolini sonhava com o Centauro

Gonçalves Dias e seu sabiá melancólico

Ionesco criava rinocerontes ameaçadores

O Sol negro levitou Artaud
até o céu do peyote

Michaux às vezes incorporava o rio negro

Alma de Eliot onde trota o arganaz

Walt Whitman e seu martim pescador revoando no crepúsculo

D. H. Lawrence chamou todos os animais
E plantas em seus poemas

Gianbatista Vico incorporou um exu chamado Bestione

William Blake, poeta druida, incendiou o tigre nas florestas da noite
(suas profecias contra a sociedade industrial, todas vingaram)

Graciosa coxa de Pan alucinou Rimbaud

W B Yeats recebia um gnomo surrealista

Ovo primordial De Arp Águia ou Sol?
Onde Octavio Paz engatilha suas flores surrealistas

Um índio Hopi presenteou Jung com um urso de madeira

Jorge Luis Borges
E seus protetores imaginários

Guimarães Rosa janta hoje com Jaguaretê

Dino Campana entrava na gira de Orfeu

Leopardi & o Brasão onde o leopardo rampante gerou seu nome

Paracelso dizia que não devemos evocar elementares
(são as bruxas)

A Nasa treina astronautas no vácuo xamânico
eu espero o Sol /Gavião nesta colina que dança.

 Roberto Piva.




segunda-feira, 13 de maio de 2013


Nininho e Jaime - 1988


Élder, Maneca e Jaime -  1979


LEMBRANÇAS

Houve um tempo
De pé na estrada
Hippie
Roqueiro
Motos
Vanguarda
Sem vergonha
Metrópoles
Noites
Subterrâneo
Sem imposto
24 horas
Sem desgosto
Vagabundo
Muita praia
Pouca luta
De norte a sul
Encontrando paraísos
Sonhos
Procurando saídas
Indo ao inferno
Encontrando amor
Em meio às perdidas
Comendo chessburguer
Cervejas
Sem prato
Vomitando no banheiro
Dormindo de sapato
Tomando Engov
Cara de safado
Lendo Bukowski
Veio a idade
Maturidade
Vida equilibrada
Esperando a morte
E se poupando
Pra nada...
Pra nada...
Pra nada!

Jaime Baghá na “Era da Informação”, se informando pra nada, porque o bom é o tudo. Se não se pode mais ter o tudo, o nada é a verdadeira perfeição.

“Eu vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura,
esfomeados nus e histéricos,
arrastando-se pelas ruas negras do poente
à procura de um rancor injetável”.
Allen Ginsberg

Tristemente eu também os vi, é a dor que insiste em me acompanhar nas lembranças.
Aos queridos amigos Élder e Nininho (In memoriam). 

Maneca, Jaime e Khan - 1979


Maneca, Jaime, Élder e Maninho - 1978


NOCTÂMBULOS

Bem antes dos preâmbulos
Andava nas noites
Rebelde
Noctâmbulo
Procurando amores
Encontros
Vidas
Poesias
Jeans desbotado
Sagaz
Molambo
Na mesa do bar
Conversa fora
Esperando
Alguém chegar
Festas e rock
Jazz
Vida
Zoar
Ribaltas e néon
Eternidades
Indomáveis
Abraçados
Ruas da cidade
Risos soltos
Estrelas no céu
Aurora no cais
Acordar no motel
Para outra noite
De farras e bebes
Magias e sonhos
No meu Porto Alegre.


Também dos meus (por algum tempo), Floripa, Rio, Salvador, Olinda e a saudade e o carinho dos malucos, doidos, desgraçados, exagerados, tristes, apaixonados, que praticavam um suicídio diário por sentirem tanta sede e gana de viver... Jaime Baghá

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


UNDERGROUND

Depois da esbórnia
Caiu no tapete
“Goin to Califórnia”
Fitando o teto
Com Page e Plant
Num repente
Sem mais
Nem menos
No extremo
Sem medo
Respirando o veneno
Dos seus labirintos
Pequenos
Virou de lado
Suspirou
Sorriu
E apagou.
  
Quando acordou era um Mainstream e estava na “Era Digital” ou geração “Y” (terra do nunca) com muita individualidade, competição e pouca cultura. Acha que se tivessem um pouco de contracultura e visão política seria melhor. Vê que existe muita gente boa na máquina, alguns verdadeiros revolucionários, mas acha indiscutivelmente que é muito grande a geração de babacas integrados em fofocas e dominados pela mídia. 
Jaime Baghá

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


 DESORDEM E RETROCESSO
Eu não deveria estar esquentando com o que acontece no Brasil e nem deveria ter mais consciência, mas como sou um cara na contramão do establishment tenho que me manifestar. Os caras que pintam e bordam estão sempre aí reeleitos, a grande maioria de nossos ricos são os caras que manipulam o dinheiro público, é uma panela de amigos e concorrentes para ver quem rouba mais. Onde está a lei e a Receita Federal que não passa uma malha fina e vê de onde vieram os bens destes bandidos, isto só acontece com o cidadão comum, autoridade e seus amigos não tem bem apurado. Cadeias são para os pobres marcados pela injustiça social, superlotadas com homens empilhados em condições subumanas, muitos são vítimas de uma sociedade injusta. Tudo isso porque o estado dá mau exemplo com seus servidores e políticos desonestos, não os pune adequadamente,  é relapso, abusa nos impostos, rouba o dinheiro público e não dá uma qualidade de vida ao seu povo, continuando assim não vai ter prisão o suficiente e caminhamos para o caos.
Passamos daquilo que Michel Foucault chamou de sociedade disciplinar e Gilles Deleuze disse que era a sociedade do controle e o que temos é a ilusão da utopia de uma mídia comparsa, de uma televisão que distorce informações e marginaliza o povo com programas de péssimo gosto, com apresentações chulas em que as mulheres desejadas se transformaram em monstros siliconados e uma corja de imbecis que mostra que, quanto mais ridículo melhor.
Sangue nos programas apelativos que banalizam o crime, sexo para a família no chamado horário nobre. Pastores caça-níqueis (muito dinheiro) são o sucesso, prometendo curas, salvações e paraísos para os zumbis incautos. E tenham cuidado, estes sanguessugas do senhor estão com uma bancada cada vez maior de políticos, corremos o perigoso risco do monoteísmo e de um poder teocrático, aí sim vamos ser governado pelo grande irmão Malafaia ou o grande irmão Macedo e viver como num conto de George Orwell, mamãeeee!
No Brasil, os cidadãos urbanos vivem com medo e assustados com a violência, os crimes, as chacinas. O cara apanha por ser pobre, por ser negro, por ser gay, por ser estrangeiro, por estar de bobeira. Criaram o Estatuto da Criança e do Adolescente, excelente para países de boa educação, mas uma ótima cartilha para a contravenção neste país sem lei, onde o menor é manipulado para o crime, sem problema nenhum e tudo fica perdoado depois dos 18 anos. A bem pouco tempo o filho do seu fulano ficava famoso (e constrangido), por ter sido pego fumando um baseadinho malhado, hoje os viciados (e bota vício nisso, com muitos crimes e muitas mortes)  criaram cidades chamadas cracolândias, cujos habitantes aumentam dia a dia num submundo aterrador sem condições humanas, atirados ao lixo, a doença e a um inferno em plena metrópole. No mesmo inferno circula o cidadão que trabalha e estuda, paga um imposto abusivo, sem saúde, educação e direitos violados, enfrentando precariedade em tudo, assustado, faz de sua residência seu cárcere. 
Em outros países temos as ocupações que denunciam a perda da capacidade dos partidos de representarem os desejos políticos reais que se articulam na polis, aqui nossos jovens estão ficando idiotas, perderam o conceito político e de crítica (salvo alguns raros guerreiros das faculdades federais), usam a internet só para fofocas, frivolidades e futilidades. Há, e tem aquele babaca que coloca a máscara do Guy Fawkes, do filme “V” de Vingança e diz “muito sinistra esta máscara”, e pensa que é um revolucionário, quando a pressão bate chama a mamãe.
Diferente dos outros países, no Brasil as ocupações são feitas pelo crime organizado (civil e policial), estabelecendo regras, toque de recolher, cometendo chacinas.  O crime organizado brinca de cirandinha com o estado vil, comanda e dá ordem de abrir e fechar comércio, matando os cidadãos comuns e os policiais (alguns também contraventores), em quadrilhas que vai do pé de chinelo até as maiores autoridades.
Não se sabe mais quem é quem, a situação esta se transformando num cenário devastador. Como diz o jornalista Marcio Accioly, “se punir e atuar com seriedade e tudo for cumprido ao pé da letra, a maioria dos que nos governam terá inevitavelmente que ser encarcerada, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e o próprio Congresso Nacional está cheio de contraventores, grupos e quadrilhas de alta periculosidade. De maneira que a banalização do mal, na abordagem da filósofa Hannah Arendt, é no Brasil a banalização do roubo e da patifaria”. É tanto canalha se dando bem, tanto ordinário virando “celebridade” (argh! palavrinha infecta), que fica difícil educar os filhos e tentar mostrar a eles alguma decência. Seria melhor colocar na bandeira brasileira a palavra “Desordem e Retrocesso”.

Jaime Baghá


Triboulet


LES MISANTHROPES BRÉSILIENS*

Temos no ar o mega sucesso da mídia: o julgamento do mensalão que me parece mais uma comédia de Moliére do que a lei vigorando neste país. Velhos birrentos como Triboulets, luminares (ou apagares) nas suas capas pretas (lembro o Bela Lugosi ou o Darth Vader), em desarmonia o tempo todo, com torcida organizada de ambos os lados esperando o desfecho da ópera bufa. Agora imaginem como seriam os julgamentos dos caixas dois que temos neste país de norte a sul, de prefeitura dos cafundós até os maiores escalões do governo, das compras de voto, de desvios de verbas, superfaturamentos, notas frias, empresas e funcionários fantasmas, superfaturamentos, crimes de jagunços, desmatamento ilegal, empreiteiras que nunca enfrentaram CPI (porque nunca saiu), seringueiros e sindicalistas assassinados, crimes contra os indígenas e toda a desgraça de crimes ligados a política neste país. Não me ufano com as demonstrações do Supremo, pois se houvesse justiça o Dr. Roger Abdelmassih, acusado de estupro, não teria se beneficiado das influências do Ministro Gilmar Mendes para livrá-lo da prisão, um dos inúmeros casos escandalosos em que o Supremo Tribunal Federal agiu de maneira infame e vergonhosa.  
Porque não tem lei para o escândalo do Projeto Sivam, contra as fraudes da previdência da empresa ESCA, associada à outra malandra americana chama Raytheon. 
Da criação do PROER para salvar o banco dos amigos de FHC.
E o caixa dois de Fernando Henrique que fez desaparecer R$ 5 milhões do dia prá noite.
As privatizações do Sistema Telebrás, da Vale do Rio Doce e as acusações de propina de Jose Serra.
A corrupção do DNER onde a propina tinha nome de precatórios.
O caso Marka/FonteCidam, onde o Bco. Central socorreu com mais de R$ 1.6 bilhão tornando felizes e ricos o Sr. Chico Lopes e Salvatore Cacciola.
O fiasco dos 500 anos e o superfaturamento do Stand da Feira de Hannover pelo filho de Fernando Henrique.
A festa das fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (projeto Sudam) em mais de R$ 2 bilhões.
Os desvios de R$ 1.4 bilhões em projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste-SUDENE.
O dinheiro que sumiu do Fundo de Amparo ao Trabalhador-FAT em torno de R$ 4.5 milhões.
Os milhões de dólares que Maluf e família roubaram e tem no exterior e não mais ouvimos falar, nem sobre os 22 milhões que a justiça os condenou a devolver.
Porque o escroque Naji Nahas continua pintando e bordando no Brasil e continua impune, sua última foi à barbárie do Pinheirinho junto com seu comparsa Geraldo Alckmin e sua turma blitzkrieg nazistóide.
E o banqueiro Daniel Dantas com acusações de desvios de verbas públicas e crimes financeiros, inclusive se beneficiou com o esquema do mensalão, propinou até a Polícia Federal e não ouvimos mais falar mais do cara.
E o Opportunity Fund das Ilhas Cayman, empresa criada só para ser utilizada nos esquemas de roubos no Brasil.
A Privataria Tucana no livro do jornalista Amaury Ribeiro JR, que informa com farta documentação a corrupção nas privatizações do governo FHC.
Diante de tudo isso e muito, mas muito mais, o mensalão é um pirulito de criança e o nosso SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL jamais fez e fará alguma coisa, mostra apenas uma opereta barata para virar ufanismo na mídia. Fora da ópera bufa eles dormem nas suas tediosas sessões, enrolados em suas capas pretas como “vacas sagradas”, como dizia o jurista e senador Paulo Bisol. 
Então esperamos o quê? O Brasil que teve presidentes como: Collor o louco, Sarney o aproveitador corrupto, ou o “Honorável Bandido” do livro de Palmério Dória, Fernando Henrique o vaidoso duas caras, Lula que ficou amiguinho do Maluf e um socialismo vesgo tupiniquim que só é bom na cátedra, mas que na real, assim como todos os políticos na sua maioria, quando tiveram poder mudaram o pensamento. 
Então temos todos os ingredientes: direita e esquerda preparam um terreno fértil para um golpe militar, o povo imbecilizado pela mídia não vai precisar do Padre Patrick Peyton e a “marcha da família com deus pela liberdade”, com as senhoras da classe média. Vamos ter os buliçosos e embusteiros pastores caça-níqueis televisivos comandando uma multidão muito maior, gritando glória, louvando e batendo palmas freneticamente como robôs comandados, quem sabe a frente teremos um novo Nini “o louco” (Gal. Newton Cruz) empertigado em um cavalo branco sendo saudado pelo que restou dos velhos gorilas da ditadura, aí quando a coisa sair de controle e os novos gorilas censurar, prender, torturar e matar,  os novos nerds e raros estudantes esclarecidos vão sair novamente cantando de mãos dadas o hino de um novo Vandré cibernético, acreditando no país do futuro.

*Os misantropos brasileiros

Jaime Baghá 



Born Into This (Nascido nisso)

"Nascido assim
Nisso
Como o giz de faces sorridentes
Como a Sra. Morte às gargalhadas
Como as paisagens políticas dissolvidas
Como o peixe oleoso cuspido fora de sua oleosa vítima.

Nós nascemos assim
Nisso
Nos hospitais que são tão caros
Que são baratos para morrer (...)
Com advogados que cobram muito
É mais barato pleitear a culpa
Num país onde as cadeias estão cheias
E os hospícios estão fechados.
Num lugar onde as massas elevam idiotas
Em heróis ricos.

Nascido nisso
Andando e vivendo dentro disso
Morrendo por causa disso
Castrado, corrompido, deserdado
Por causa disso.
Os dedos se estenderam para um deus irresponsável
Os dedos alcançaram a garrafa, a pílula, o poder (...)

Nós nascemos nessa triste linha de morte
Lá estará aberto e impunível assassinato nas ruas
Será armas e multidões passageiras
A terra será inútil
A comida terá um retorno mínimo

O poder nuclear será tomado por muitos
As explosões continuarão balançando o mundo
Homens radioativos comerão a carne de homens radioativos..
Os corpos apodrecidos dos homens e dos animais vão feder no vento da escuridão
E lá estará um bonito silêncio jamais ouvido.

Nascido fora disso
“O sol escondido estará à espera do próximo capítulo.”

C.Bukowski

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sempre sonhando, desde os tempos em que não sabia o que era imperialismo, comunismo, neoliberal, globalização e o escambau. Maravilhosa é a infância e a inocência. Para Neide e a Neuza, as filhas das vizinhas, e para a minha vizinha e grande amiga inesquecível Dona Maria Vargas, de Cachoeirinha/RS. 

ERA UMA VEZ

Um menino
Que gostava de flâmulas
Gibis, bolas de gude
Peões, caixa de bugigangas
Tesouros, embaixo da cama

Um menino
Que dançava rock
Para as primas olhar
Coca-cola e lanchinho
Nos córregos para pescar

Um menino
Cantor, cowboy
Que não perdia matinê
Banho pelado nos açudes
Seriado de super-herois

Um menino
Desbravador de florestas
Do fundo do quintal
Tarzan, super-homem
Capas de roupas do varal

Um menino
De imaginários inimigos
Espadas, pistolas de raios
Medo do escuro
Destemido diante do perigo

Um menino
Moleque, fora da linha
Mambembe, ator
Cunhado do amigo
Namorado da filha da vizinha

Ainda sou um menino
Nesta egocêntrica luta
Pária do vazio convencional
Que me fez poeta, chacal
Nesta pífia sociedade adulta.
                         

domingo, 30 de setembro de 2012




ME ENTERREM COM A MINHA AR 15

A rajada volta a soar
como a onda da vida
Fica frio..É só mais um número-fantasma na área...
O urubu no esqueleto do leão
escapando da arena...
Quem atira é o pseudo-morto, meu irmão...
Maluco..Acabou a munição...Foda-se, continuo atirando...
Para cima...Beleza..é só isso...a fumaça
que sai do cano e sobe até as nuvens...
Laser no meu peito...Tá ligado..na seqüência..O coração..explode...
e estou livre da boca
que se abre pro mar...
Quer saber...Morrer não dói...
primeiro o tempo fica bem devagar...Tipo sonhando..
Aí vem um clarão...Você vê o Morro por todos os lados...
E então...


Marcelo Ariel – Um grande poeta da nova geração da poesia brasileira
Dizem que esta poesia era lida publicamente nas ruas do Egito durante os protestos que derrubaram o governo de Hosni Mubarak.