segunda-feira, 8 de junho de 2020



EU... UNIVERSO        
Vida
Harmonia
Regra Áurea
Simetria
Tudo gira
Embaixo
Em cima
Tudo combina
Mistérios
Formas
Artes
Constelações
Via Láctea
Fibonacci
Diferentes
Astros
Animal
Terra
Vegetal
Ar
Pedras
Vegas
Água
Fogo
Tudo igual.
Tudo que existe possui os mesmos padrões geométricos. Jaime Baghá


quarta-feira, 13 de maio de 2020



DISSIMULADO
Não gosto daquela gentileza
Aquele sorriso esperteza
Não gosto daquele elogio
Com tapas nas costas
E o abraço tão frio
Não gosto da aproximação fantasia
Amigo metáfora
Alegoria
Não gosto de quem me faz tão alto
E toda aquela alegria
Convencional de um falso.

Observando as personalidades. Jaime Baghá  -  inverno 1988

sábado, 9 de maio de 2020



DEBOCHE

O que me diferencia
Ora, o que me diferencia
Eu sou o que tu vê e pensa
Sou a diferença
O que procura e te atura.
Que provas me dão teus deuses
Tão maus
Eu sou o onipresente
Não tua onírica
Incógnita da tua imaginação
Tua inquietação.
Sou tua resposta vazia
Tua afasia.
Olho teus olhos
Preso no desterro
Procuro o erro
Sou o amanhã
Porque escrevo
A arte me faz diferente.
Você reza, ora, medita
Me inventa,
Me expulsa
Me explica
E naquilo que nunca viu, acredita.
Sua mente incompleta
Delira e não acerta
Não tem o devaneio louco
É fátuo
Eu, poeta.
Sou como você
Uma interrogação
Mas sou o que fica
O erro, a razão
Que expões a dor
Na despedida da amante
Risos largos
Em momentos de amor.
Sou o ser refinado
Impuro, comedido, gentil
Deixo levar-me aos láudanos
Um fauno senil.

Eu vanguarda
Você perdido
Dividido com nada
Entre prato e bispote
Pacóvio do meu mote.

Um dia de Augusto dos Anjos, com vontade de não mais beijar as bocas que escarram, um dia de deboche. – Jaime Baghá – primavera 1999


sábado, 25 de abril de 2020


O Último Julgamento - Hieronymus Bosch


A contrariedade da Asor

Havia uma pequena cidade chamada Asor que queria ser fraterna, ficava longe das metrópoles, era religiosa, sem índices de criminalidade e cercada por lagos e um verde exuberante. Porém a pequena cidade tinha divisões por ignorância, avareza, invejas, comentários sobre o alheio, intrigas, desdém e muita política.

Enquanto as mães conversavam a última sobre o alheio, seus filhos com ódio surravam meninos menores, jogavam pedras nos cachorros, apanhavam todas as flores quebrando alguns galhos dos hibiscos ao redor do prédio público. Jovens destruíam placas e patrimônios, outros no centro de ensino com números partidários gravados na cabeça e pintados nos corpos faziam guerras ideológicas, sem saber o que era ideologia.

Digladiavam-se destilando os ódios de seus pais, todos eles, predadores, valentes, partidários, destruidores de patrimônios, árvores e flores, tinham em comum serem filhos de políticos e bajuladores que não davam exemplos e de mestres da própria escola com muros altos iguais aos presídios, onde se podia vislumbrar o maior acúmulo de lixo e ao seu redor.

Os jovens em confrarias assim como seus pais, apaixonavam-se cedo, dividiam-se cedo, esportivamente, religiosamente e tristemente também os amores, os muitos corações que viviam juntos em festas terminavam partidos e perdidos.

 A cidade de tantos cultos, rezas e procissões, que adorava festas e que se possível seriam eternas, vivia separada e pouco fraterna, no fundo era um formigueiro de homens sós.

O paraíso e a falsidade dos pequenos vilarejos do interior onde a política dita às regras.  Jaime Baghá

sexta-feira, 10 de abril de 2020




O CONHECIMENTO E OS MEDÍOCRES NO BRASIL

Polêmico é uma pessoa que esta tentando ver uma questão de um ângulo inesperado, criativo, mas no Brasil os que se acham "politicamente corretos" chamam de comunistas, polêmicos para desqualificar o raciocínio, desvalorizar o inteligente, o esclarecido. É o ódio provinciano, cumplicidade dos medíocres, racistas, herança do coronelismo colonial. O "politicamente correto" é um criminoso em busca de uma oportunidade, que vai ao limite imoral e amoral de sua causa, desde que tenha uma justificativa pública que lhe de cobertura como a mídia. Está disposto a qualquer coisa porque o "politicamente correto" não tem limites. Ele esta animado por este impulso homicida de liquidar com tudo que é diferente. Tudo que é novo ou diferente é rejeitado, o nu da arte, as canções, raças, o povo indígena, o nordestino, os imigrantes,  a política voltada aos pobres, homossexualidade, tudo é banido, nada lhes pode contrariar, só o caráter partidário e ideológico. A pátria, o trabalho, o povo, o ódio, nada de abstração, nada de subjetivismo, só a velha representação realista, "homens fortes" e mulheres submissas, direita ortodoxa e fascista.
Jaime Bagha  - 

quinta-feira, 9 de abril de 2020



EU QUIXOTE          

O cavaleiro de Cervantes
No engano dos sentidos
Incitava Rocinante
Contra ilusórios inimigos.

Em meio a toda loucura
Do cavaleiro picaresco
Descobri minha procura
Meu sentido, meu contexto.

Nos caminhos da vida
A procura do meu ser
Vi tão poucas as saídas.

No desafio do tempo
Em pugnas por sonho e vida
Contra moinhos de vento.

Jaime Baghá

quinta-feira, 2 de abril de 2020



Instante!

Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam

Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direção ao socorro em direção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros

Que faria eu, eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
Preso num espaço-marionete
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.

Samuel Beckett  - 
Jaime Baghá  - sou eu esta poesia de Beckett

quinta-feira, 19 de março de 2020



Gosto de Nietzsche porque ensina o homem a gostar de si mesmo e não ser uma marionete dos oportunistas. Precisamos destruir antigas convicções e parar de crer nos enganadores. Nietszche sintetiza em poucas frases o que um escritor normal precisaria de um livro todo para discorre-lo. Algumas vezes temos que fazer desmoronar o mundo perfeito que religiões, professores e mesmo o que nossos pais nos apresentaram, iludidos por falta de conhecimento. A arte de pensar por si mesmo às vezes é muito perigosa. Nietzsche não é interessante para algumas nações e organizações que empregam e manipulam a mão do homem para mover as engrenagens de sua ganância, a cultura de massa destituiu o homem de si mesmo e o transformou num ser anônimo que desconhece o seu potencial nobre, por isso ele tem que quebrar as barreiras que imobiliza sua verdadeira liberdade submetida a uma escravidão silenciosa que nos move no caminho da vida em sociedade Necessitamos ver nossa verdadeira essência, por isso o “Martelo de Nietszche” é tão importante, te ensina a não viver como num rebanho.

“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdades porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas”

“O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte”.

Jaime Baghá  -  19/03/2020

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020



REBELDE

Eu fui o adolescente
Que fumou nas quebradas
De vida pra frente
De vida folgada
Nômade
Muito louco
A noite agitava
Anjo perdido
Das luzes negras
Cabelos compridos.

Eu fui adolescente
De caráter não ter
Que a sociedade “decente”
Somente ensinou
A valorizar o possuir
E a realização do prazer.

Eu fui adolescente
De todas as gangues
Amante da vida
Indecente
Das meninas perdidas
Das lutas de sangue.

Eu fui adolescente
De boa família
Respeitado vagabundo
Andar compassado
Olhar atrevido
Irado
Que queria o mundo.

Eu fui adolescente
Que amava as loucuras
De jeans e de gíria
De vida de rua
Que pirou e sonhou
E que o subterrâneo
Quase me levou

Eu fui adolescente
Fui anjo e diabo
Malvado inocente
Sem o mal
Não tirano
Apenas mais um
Garoto urbano.

Eu hoje adulto
Escapei pra pensar
Um pouco careta
Mas sem condenar
Diferente de muitos
De faces incoerentes
Esqueceram estes velhos
Que um dia na vida
Foram adolescentes.

Nos desvarios da juventude o melhor da vida. -  Jaime Baghá – primavera 1995



terça-feira, 11 de fevereiro de 2020



VOLTAS

O mundo deu muitas voltas
Eu fui menino
Moleque, comportado
Jovem e um maluco juvenil

Alegre e debochado
Me apaixonei, amei muito
Sofri e chorei pelas mortes e solidão
Ri à toa

Tomei champanhe e cachaça
Voei em jatos e Airbus
Andei em carro de boi
De navio e lombo de burros

O mundo deu muitas voltas
Eu sobrevivi às superfícies
Os subterrâneos das grandes metrópoles
Vivi os mares do norte e do sul

Amei marginais
Esnobei a aristocracia,
Comi Agulhinha com cerveja
No subterrâneo do Mercado Modelo

Naveguei no oceano numa escuna branca
Com um capitão preto
Reparti o lanche
Com o clandestino no porão do navio

Ancorei em ilhas
Mergulhei entre corais
Caçando lagostas com nativos
Entre peixes de cor de aquarela

O mundo deu muitas voltas
Eu entrei nos países latinos
Em noites de loucuras
Parando em pensões latinas

Dormi em haciendas
Na beira dos lagos
Em tendas de lonas
Olhando estrelas

Vivi rocks
Musicais de protesto
Fui radical
Político, rebelde

Irado, logrado
Traído, trapaceado
Tive família, vivi sozinho.
Muito mimado, sem carinho.

O mundo deu muitas voltas
E eu continuo nos delírios
Dos loucos pensamentos
Na vanguarda dos costumes

Achando velhos alguns jovens
E os velhos da minha idade
Novos são os mágicos
De pensamento e vontade

O mundo deu muitas voltas
Eu ouço antigas e novas canções
De um momento presente
Breve, que move as voltas do mundo.

Uma máquina do tempo
Que acelera o meu fim
Assim preencho esta existência
De poucas voltas

Com visões, lembranças
Sonhos e poesias
Embriagado de vida
E pensamentos sem fins.

Os meus caminhosJaime Baghá

quarta-feira, 9 de outubro de 2019



UM FANTASMA
Se um dia, eu sorrindo passar por você
fingindo alegria nesse olhar amante,
não me olhe…procure esconder de meus olhos
o amor que o destino me negou…no entanto,
de minha alma não sai…e assim, vacilante,
eu sou apenas um fantasma que anda nos cantos
Não procure jamais entender se te amo
pois nunca saberás se te quero, ou engano.
Tentarei esquecer, ou fingir que esqueci,
abafando em minha alma esse amor despertado,
que por ser impossível, terá que morrer,
pois não tinha o direito de tê-lo criado.
Eu quisera poder te amar loucamente
e que o mundo, esse amor só a mim entregasse
e em você meu corpo  enlaçado ficasse
sem mais nada temer…mas, loucura…não posso
e por isso, eu procuro fingir que esqueci
esse amor, pelo qual, sem alento e esperança,
numa febre de amor, em delírio tão louco,
nessa noite passada morri mais um pouco…!
E sou um fantasma e louco de amor é meu ofício
Só isso, só isso... 
Jaime Baghá

domingo, 11 de agosto de 2019


AVESSO
Não destilo a finitude humana
Não escrevo elegias
Ou salto como um Eros lúbrico
Satisfazendo o rebanho

Sou a rebeldia e o desespero
Prefiro a loucura de um Goya
E suas pinturas negras
Um beckettiano no absurdo

Odeio padrões pré-estabelecidos
A afeição do meio
Existe muita dor e danação
Na curta existência

Para que eu fique alheio
Aos arquétipos invisíveis
Pelo social e suas máscaras
A Maschera Nobile dos cínicos.


Meu lado maldito – Jaime Baghá


terça-feira, 30 de julho de 2019


Neoliberalismo, o capital exterminador

Nosso sistema político e econômico é falho, mas não para uma minoria que vive da exploração. As pessoas votam pensando que estão contra o sistema, apoiam gente como Bolsonaro e Trump, que não são contra o sistema, mas sim, fazem um discurso mostrando as falhas deste sistema que eles mesmos criaram e conservam. As falhas no sistema econômico são uma clara na desregulamentação causada por eles que dizem que o conserto são os cortes nos gastos sociais. As pessoas querem mudar a vida e escolhem um populismo fascista, que põe a culpa nos negros, nos emigrantes, nordestinos e toda uma xenofobia, criando uma sociedade mais dividida e violenta.

Muitas pessoas levadas por uma propaganda midiática posam como antissistema, mas na verdade acabam apoiando ainda mais esse sistema opressor e vão piorando cada vez mais o quadro. É fácil tocar no sentimento do cidadão manipulável, que cada vez mais vão colocando no poder políticos fascistas comandados por grandes corporações, fazem uma terapia de choque, privatizam tudo, água, energia, saúde, educação, etc.; até chegar ao ponto em que a democracia se torna um problema para o neoliberalismo.

Milton Friedman um dos mais influentes economistas conservadores do século XX, professor da Escola de Chicago, criou seguidores em todo mundo e um neoliberalismo capitalista de mercado. Propôs a intervenção estatal mínima, a desregulamentação de tudo para funcionar bem, sem coibir o mercado e com o desaparecimento do setor público, privatizar tudo. Friedman achava que tinha que depurar tudo, sacrificando o povo e as causas sociais, deixando o capital eficaz somente para uma classe privilegiada. Sua experiência foi maior no Chile e na Argentina, mas se fosse tão boa porque ele nunca aplicou nos Estados Unidos?  Eles na sua insanidade acham que o estado de bem, limitava o crescimento, a mídia que nos deveria orientar, só aumenta a histeria. Cortes na saúde é um homicídio e os profissionais protestam os cidadãos alienados só sentem o grande engano quando eles necessitam dos cuidados médicos e não tem, quando suas aposentadorias se desvanecessem e todos seus benefícios conquistados a duras lutas são perdidos, é a alienação midiática controlado por um poder canalha.

Em muitos casos as pessoas cansaram de ouvir não, mesmo sendo vítimas elas só obedecem, não resistem, falta lhes uma visão e um projeto político que, quando acontece, cria-se uma propaganda enganosa colocando como vilões os benfeitores. O interessante nisto tudo é que, ao mudarmos um sistema mais voltado para o social, também mudamos os problemas climáticos, com menos poluição a mais valor ao verde. Eles falam em mudar separadamente, mas nos temos que juntar tudo, porque o sistema é um todo, se quiser diminuir a temperatura não podemos mais explorar petróleo, gás e carvão, nós já temos a alternativa, mas não usamos pelo lucro fácil ao poder, este mesmo que manipula o sistema e prega o neoliberalismo excludente e um capitalismo perverso. Temos que acabar com os subsídios fósseis e ter um alto imposto sobre o carbono, porque dinheiro tem, vivemos numa época de grande riqueza privada que só pensa numa insanidade de cada vez aumentar seus lucros sem a mínima compaixão e ver a miséria, a fome, a criminalidade e a extinção de sua própria espécie, numa loucura voraz pelo lucro, que de nada vai adiantar porque eles são a pragas do sistema, da espécie e do extermínio.

Jaime Baghá  – verão 2019 – As vezes fico angustiado por um futuro que não testemunharei.

segunda-feira, 1 de julho de 2019


SELVAGEM

O homem que ganhou a vida neste planeta, aos poucos vai destruindo o seu próprio habitat, seu próprio semelhante, numa ganância sem piedade para ao que há de vir, não pensa na preservação das espécies e da sua própria. O homem mata e corta sessenta bilhões de animais por ano, quase dez vezes a população humana, abate e come como se a vida nunca tivesse existido, não tivesse significado. Caça os animais silvestres, às vezes só pelo simples prazer do tiro, em quarenta anos metade dos animais selvagens terão desaparecidas, sessenta mil espécies não existirão até 2050.

O ritmo de morte é cem vezes mais que o natural entre os animais e as condições está reunido para a extinção massiva das espécies, então como não temer, que depois dos animais, das árvores, plantas em geral, os oceanos e outros seres vivos, o próximo da lista serão os seres humanos, morrendo num planeta destruído com numa ficção de horror.

A vida na terra é uma criação de beleza e harmonia, mas desde que o homem existe a história dos seres vivos foi transformada pela sua consciência, pela falta de consciência. Temos que reconsiderar a vida que nos rodeia, reatar com toda atenção e respeito de outros seres vivos, isto pode mudar e dar outro destino a nossa vida e nosso futuro. Selvagem não é a barbárie, selvagem não é o oposto da civilização, selvagem quer dizer “aquele que mora na floresta” que é minha casa interior, minha vida. Defender o selvagem e a floresta é defender a minha história e o meu planeta.

Quando mais observo este mundo selvagem, noto que ele é o guia que falta em meu caminho, a razão da minha existência e da minha felicidade. Se eu aprender a viver com harmonia com esta vida selvagem, eu voltaria a minha essência e seria de verdade um ser humano. É minha própria espécie que eu protegerei o amor por todos os seres vivos esta escondido dentro de mim, dentro de nós, precisamos libertá-lo, mas para isso temos que deixar abrir os olhos sobre o mundo e olhá-lo com respeito, do contrário, se continuar assim vamos todos fechar os  olhos para sempre.

Jaime Baghá  -  verão de 2019 – Fazendo uma análise do mundo e minha fuga da metrópole.

domingo, 10 de março de 2019



OS AMANTES

Você acordava primeiro
Andava pelos cômodos do apartamento
Velho sobrado encima do café
Seminua
Cabelos em desalinho
Com um baby-dol de seda
Estampado de rosas vermelhas.

Eu ficava na cama
Olhando o teto
Braços abertos
Peito nu
Tatuagem viva
Sorriso jovem de felicidade.

Não pensávamos no que fazer
Estar ali
Só nos dois
Já era o feito
A juventude já era a vida,
O perfeito.

Agora acordo primeiro
Quase num andar derradeiro
Você vestida
Assim como eu
Da sedução para o pijama

Já sabemos o que fazer
Estamos na delicadeza
A tatuagem desvanece
Como nossa visão
E nossa luta
É para que nosso mundo
Não fuja do perfeito.

A vida é breve, longo é o amor. Jaime Baghá



O Caos capital das corporações

Você vive no mundo da fantasia, de uma fantasia macabra onde instituições e corporações influenciam violentamente a política pública e transformam-se em armas financeiras de destruição de massa. O capitalismo não tem se saído muito bem ao lado da produção e estou falando dos bens de serviço, aquelas que são para satisfazer as necessidades humanas, o forte deles é a especulação financeira e para isso obtém a ajuda da mídia com os seus trabalhos de alienação e desvio da opinião pública. Pelos jornais, rádios, televisão, as pessoas são informadas que precisam se sacrificar e aceitarem os cortes nos gastos sociais, terem menos direitos e benefícios trabalhistas, tem é que encarar a destruição da economia em nome de uma maravilhosa ciência econômica. Esta bobeira coletiva é incapaz de enxergar o verdadeiro problema e o manipulado briga com o próprio amigo. Com parte da sociedade desorientada, imbecilizada, o poder do capital exerce uma grande força controlando o seu discurso, a mídia se especializou em dizer que o problema não é o capital e o tolo os segue com um zumbi. Colocam a culpa nos miseráreis, nos negros, nos imigrantes, nos refugiados, culpa todo mundo, mas nunca se toca na questão central das contradições do capital que lhe domina e lhe rouba. É o grande equívoco econômico que soa como um senso comum, como uma economia doméstica, meu amigo, tua economia doméstica não coleta impostos e não imprime dinheiro. A globalização que deixou circular a riqueza dos grupos privilegiados desarticulou ate velha base tributaria das políticas keynesianas onde prevaleciam os impostos diretos sobre a renda e a riqueza e vão contra até os mais renomados economistas, como o francês Thomas Piketty que foi o grande responsável por colocar novamente a desigualdade de renda e riqueza como uma questão política importante. Muito do sucesso capitalista e predatório das corporações foi aprender a combater as lutas dos trabalhadores, em grande parte graças a ajuda de um povo sem conhecimento, que manipulados, foram para a rua fantasiados de amarelo pedindo a sua própria ruína, mas não é só aqui. Como falou David Harvey, o mundo vive um estado de loucura, com uma população alienada e cega contra seus próprios direitos.

Jaime Baghá 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


O lixo político ao meu redor
Venho de uma família educada, nunca estive numa militância de conflito de classes, apenas fui educado para considerar todos os seres humanos iguais e a pensar que não há nenhuma diferença entre quem é culto e quem não é culto, quem é rico e quem não é rico. Uma educação com um estilo de vida democrático, mas confesso que sempre me senti muito mal diante do espetáculo das diferenças, entre ricos e pobres, entre quem está no alto e quem está embaixo da escala social. Hoje vejo as coisas mais como um humanista. Resisto e me indigno ao radicalismo contemporâneo, em especial ao populismo fascista que visa arregimentar o povo num regime de histeria coletiva e faz o caos crescer, numa organização social de ódio e que cristaliza as desigualdades. Por isso, às vezes mostro o meu descontentamento, em especial, pelos acontecimentos vergonhosos no Brasil. O que escrevo é muito inflexível e se radicalizo nas minhas posições não são por imposições, mas sim, uma visão garimpada de autores, críticos e escritores aos quais tenho respeito e admiração, tais como: Brecht,  Hobsbawm, Bauman, Umberto Eco e, em especial, o  mestre italiano Norberto Bobbio, o último dos humanistas.

Jaime Baghá – 24/10/2018



segunda-feira, 1 de outubro de 2018



A DOUTRINA DO ATRASO.
A política na América Latina, no Brasil e principalmente em nossas regiões do interior, faz parte de uma região organizada para a dualidade, para o divorcio de suas partes, para ao ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas só existindo juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição política que nos treinou para ser colonizado, para o medo, a resignação e a solidão, e a cada dia nos ensina a não gostar de nós mesmos, a cuspirmos no espelho, a copiar ao invés de criar.
Vivo sempre indignado contra este estado de traição financiado por grupos de interesses, grandes corporações, políticos golpistas, vende pátria, ladrões, canalhas, fabricantes de miséria, por um judiciário em conluio com o mesmo grupo, pelo exército que age como uma  republiqueta de bananas sempre nos assustando com golpes,  e uma mídia comparsa dando cobertura e imbecilizando o povo,  fazendo os tolos acreditar numa cubanização, no perigo vermelho, enxergando comunistas pelas paredes e outras basbaquices,  que,  se não representasse um atraso monumental, seria uma hilária digna de uma opereta bufa da pior qualidade que muitas vezes já assistimos neste país.
Jaime Baghá

segunda-feira, 3 de setembro de 2018



Não temos necessidade qualquer de um mainstream keynessiano neoliberal para nos roubar com as modas do império opressor, não queremos um imperador, um mito fanfarrão mal educado e burro, de algum amo patriota e cipaio ou da púrpura que mascara a incompetência hereditária. Queremos um estadista, uma pessoa simples, um brasileiro latino americano, capaz de compreender a vida das pessoas e que seja escolhido pelo povo. Não necessitamos de um falso consagrado pela mídia, mas de um líder que fale a língua deste povo, que tenha compaixão pelos humildes e traga prosperidade, educação e progresso para esta gente iludida e trapaceada pelos golpes de uma elite canalha.  Jaime Baghá

domingo, 29 de abril de 2018


Brasil, atraso cultural na era digital

Sabe o porquê muitas vezes eu me torno um cara chato e até impertinente, é que sou muito maluco meu amigo, pelo fato de vivermos em um mundo onde uma multiplicidade de forças muito poderosas tem atuado sobre nós, uma delas são as corporações aliado a política e a mídia no grande controle. Aqui, a Globo é a vanguarda da imbecilização coletiva, marcando uma nação pela ignorância e pela prepotência da minoria reacionária. 
Como disse Mino Carta no seu edital, “Há tempos o Brasil não produz mais escritores como Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, pintores como Cândido Portinari, historiadores como Raymundo Faoro, cultores da ironia como Nelson Rodrigues, jornalistas e repórteres como Cláudio Abramo e Rubem Braga, um dramaturgo e poeta como Ariano Suassuna,  O que restou foi Alfredo Bosi  que já passou dos 80, ou Chico buarque para quem alguns moleques perderam o respeito.

Do nascimento, passando pela escola, até o trabalho, tentam suprimir nossa individualidade, nossa criatividade e acima de tudo nossa curiosidade, em suma, destruir tudo que nos encoraja a pensar por nós mesmos. Todo cara que tenta ousar, mudar, que luta pelo diferente sofre a discriminação do socialmente correto, é a velha porra conservadora agora acomodada até nos partidos de esquerda. 

Até para os que se acham moderninhos num universo ordinário e de mau gosto, vão contaminando todo um país, condenando-o ao atraso, resultando num bando de riquinhos marrentos e pobres violentos nas metrópoles, dizendo as pequenas províncias interioranas, “sempre foi assim, porque mudar”?
Não muda nas escolas, nas mídias, o coletivo vai tentando ser celebridade (palavrinha infecta), e os “ídolos” e seus seguidores de cabelos engomados, bundas siliconadas e chapéus de cowboys americanos gritando “galera, mãozinha pra cima” para o povo rebanho.

Nossos pais querem que seus filhos ajam como as outras crianças da vizinhança; eles enfaticamente não querem um menino ou uma menina que pareçam “estranhos” ou “diferentes”, tampouco “condenavelmente espertos demais.” Mesmo porque, este esperto é o estranho, e numa província retrograda o cara é mais estranho ainda, se for um intelectual esta perdido, é um alienígena.

Então entramos na escola, um destino pior que a morte e o inferno combinados. Ao aterrissarmos em uma escola, aprendemos duas lições básicas: 1) Existe uma resposta correta para qualquer questão; 2) A educação consiste em memorizar essa única resposta correta e regurgitá-la nas “provas”. Toda a atenção é focada na fofoca do Facebook ou os olhos vidrados no celular mais moderno que podem adquirir.

As mesmas táticas continuam pelo ensino médio e, salvo em algumas ciências, até a universidade.
Através desta “educação” encontramo-nos bombardeados pela religião organizada. A maioria das religiões, no ocidente, também nos ensina a “única resposta correta”, as quais devem ser aceitas com uma fé cega; pior ainda, tentam nos aterrorizar com ameaças de sermos queimados após a morte, tostando e fervendo no inferno se alguma vez ousarmos pensar por nós mesmos, de fato.
 Viva o rebanho obediente! De um lado uma religião com festas, bebedeiras, escândalos políticos, financeiros e pedofilia; de outro, fanáticos pregando evangelhos aos gritos, descriminando tudo pedindo dinheiro, cartão de crédito com senha e até seu salário, na maior cara de pau, e o cara não pode ser chamado de vigarista, porque o rebanho imbecil dá com o maior prazer e ainda diz “ó glória”.

 No meio de tudo isso o inferno urbano, já chegando no interior para o espanto e desgraça dos nativos, transformando meninos em malandros da ralé, transformando a sociedade pacata numa turba, enquanto a “sociedade” burguesa e inculta se preocupa em sair nas colunas sociais de jornais, em colunas inexpressivas, numa ópera bufa sem preocupação com o social e a cidadania. Siliconadas, popozudas, MC'S mérdas e aquela desgraça “musical”, sertanojo, sambanejo, bonde do otário, que a orgia dos manés desfila nos seus carros (autojéca) cheio de alto falantes, como se teu ouvido fosse penico.
Ou você aceita a cultura do pode tudo, do que castra tudo, do que f... tudo, ou se acovarda, se vai querer mostrar coisas novas, educadas e cultural, não é bem-vindo. Como diz o Sr. Jean Baudrillard, “quero ver como toda esta orgia vai acabar”.

Depois de 18 a 30 anos de tudo isso, com grande dificuldade entramos no mercado de trabalho,  e aprendemos a nos tornar, ou a tentar nos tornar, quase surdos, mudos e cegos. Devemos sempre dizer aos nossos “superiores” o que eles querem ouvir, o que veste seus preconceitos e seus desejos fantasiosos. Se notarmos algo que eles não querem saber, aprendemos a manter nossas bocas fechadas, se não você esta fora. 

Houve uma época em que eu pensei que a tal juventude cabeça poderia mudar um pouco o quadro, mas, uma política golpista, de exceção, perniciosa, ditatorial, neoliberal, junto com um judiciário canalha, uma policia agressiva surrando jovens estudantes,  desmantelou o moderno de pensamento. Ainda temos alguns que fazem parte dos jovens que pensam diferentes, com classe cultura e uma alternativa de comportamento, não usa a nova tecnologia das redes apenas para bisbilhotice. 
São poucos, e temo que possam sumir, cada vez que vejo um acontecimento de massas com apresentações banais e na velha máxima grega de “Panis Et Circens”. Fico numa grande preocupação com pessoas que vivem ao meu redor,  felizes com estas confrarias. 

Vejo que estou ficando velho e cada vez mais longe do rebanho, mais solitário e com poucas expectativas.
Este rebanho humano começou com gênios em potencial, antes que a conspiração tácita da conformidade social enferrujasse seus cérebros. Todos eles podem se redimir dessa liberdade perdida, se trabalhar duro pra isso.
Eu trabalhei por isso por 40 ou mais anos até agora, e ainda acho partes de mim agindo como um robô ou um zumbi em algumas ocasiões. Aprender a “tornar-se o que se é” (como na frase de Nietzsche) leva o tempo de uma vida, mas ainda parece ser o melhor a se fazer, e eu fico tentando e torcendo, quem sabe alguma visão mais aguçada veja que pode haver uma luz no fim do esgoto e eu sobreviva para ainda ver uma sociedade mais moderna, instruída, civilizada e nossos jovens culturalmente mais ativos, porque o verdadeiro rebelde é o cara que ousa, que muda conceitos e estilos, mesmo numa província inculta.

O maior problema da ignorância não é a falta do saber, é rejeitar quem sabe, e o que é pior, pelos que pensam que sabem por que a massa lhes é favorável, esta mesma massa robotizada pela mesmice e cultura de televisão que levou o país a esta merda. Também chamam esta era de Época da Informação, porém, nos países chamados terceiro mundo vejo que a perplexidade e a crise de paradigmas se constitui num álibi para o imobilismo.

A praga é que tudo isto é tão manipulado por políticos gananciosos e neoliberais, (aquele neoliberalismo canalha que até Hayek e Von Mises diseram ser perniciosos para países em desenvolviemnto), políticos vende pátria e seguidores de conveniências, que quando eles abrem a boca para falar, eu fico pensando quanto tempo vai demorar. Minha esperança vem daquela máxima, “toda mudança social vem da luta e da paixão dos indivíduos, não conte com os políticos e governantes”. Por enquanto estamos no tudo deve mudar para que tudo fique como está, e é um fato muito triste para este cara metido a pensador, que insiste em não tirar o pé do underground e ser um maistream de merda.

  Jaime Baghá