Anarquista
domingo, 10 de setembro de 2023
Anarquista
domingo, 13 de agosto de 2023
DEPRESSO
Eu vejo o mundo
Com olhos de poeta
Os sonhos
Os anseios
O que lhe afeta.
Conheço sua afasia
Seu medo
O olhar atrevido
O bom
O bandido
A inocência
O tolo
O pueril.
O ser de falsos amores
Sua pose cariátide
Seus temores
Suores
Tremores.
Eu vejo seu olhar
Perdido no nada
Taciturno
Alhures
Seu salva-vidas de agarro
Seu ópio
Seu cigarro.
Eu conto o teu nada
E sei que teu amor
Não sabe o amor
E olho teus olhos
De mágoas
De dor
Que você disfarça
Num sorriso suave
Um tanto sem graça.
Eu vejo tua alma
Transparecer nos teus
olhos
Lôbregos
Tão tristes
Caminhar cabisbaixo
Na vaidade de ornatos
Como se nada existe.
Eu vejo a leve impressão
De timidez e brandura
Frágil
Forte
Bacante
Insegura.
Eu vejo teus dias
Fazer-se escassos
Das alegres euforias
E conheço os estágios
De risos
Loucuras
Pesadelos e sonhos
Liberdade
Clausura
Enxergo o óbvio
Não sou profeta
E mostro o oculto
O teu oculto
Porque sou poeta.
Sentada na porta, na
soleira
No fim do dia
Ares de melancolia
Artelhos, joelhos
Debruçada
E os olhos verdes
Perdidos no nada...
A minha amiga que vive em
eternas melancolias. Jaime Baghá
terça-feira, 18 de julho de 2023
sábado, 15 de julho de 2023
VAZIO
Sabem o porquê tantas
perguntas
Sabe o porquê a falta de
respostas
Porque sou eu
Sou eu o homem
O pensador inquieto
O que foi dado à dádiva de
pensar.
Sou eu que faço mil perguntas
interiores
Sou eu nesta agonia
De procuras incansáveis.
Sou eu o homem
Certo e louco
Sou eu que não define
Não sei tal ou qual.
Sou eu o ser
Como todos os seres
Só uma interrogação.
Sou eu o pesquisador de mim
Sou eu o amaldiçoado
Por pensar sem resolver
Sou eu cercado por matérias
Mistérios e Deuses.
Sou eu o que pensa
Sou eu o que delira
Sou eu que procuro
E sou eu que sofro
E morre sem nada descobrir
Só míseros passos científicos
E nada mais, nada mais...
Eu o melhor, que vem a ser nada. Jaime Bagá
segunda-feira, 10 de julho de 2023
SOLIDÃO
Em meio à anomia provinciana
Fica uma viagem maluca
Sonhando o lúdico
Em meio aos personagens
surdos
Em derrisão
Imbecis de hilárias
bisbilhoteiras
Rindo da própria estupidez
Das piadas da elite retrógada
Da falta de lucidez.
As vezes não é fácil viver mudo
Solitário
Lendo “Poema Sujo”
Sem ter alguém para comentar
Sair para as ruas
Sem ter alguém para ouvir
Sem ninguém para falar
Às vezes é difícil viver a erudição
Em meio a pouca educação
Inclusive dos mais próximos
Que vivem do ócio
Alguns infernais
Toscos de feridas expostas
De agressivas respostas
E a mente vazia
Sem estro
Sem vida
Sem sonhos
E poesia.
Como dizia
Mario de Andrade, “Eu insulto o burguês
funesto”.
Jaime
sexta-feira, 7 de julho de 2023
TACITURNO
Quantas linhas por escrever
Serão quantos os versos
Para explicar meu universo.
Vou aproveitar esta sorte
De poesias e motes
Este gosto da escrita
Até próximo da morte.
Quero decifrar o ser
Mesmo sem nada saber
Se não acertar as mensagens
Quero marcar a passagem.
Mesmo na tese certeira
De nunca cruzar a fronteira
Falar, conta
Viver, estar
Certo ou incerto
Louco ou incoerente
Ler, escrever, entender
Para mim o suficiente.
A sina - Jaime Baghá
sábado, 1 de julho de 2023
O MENINO E
A DITADURA
Eu também não sabia bem o que estava ocorrendo,
só via os jatos dando voos rasantes e de maneira muito intensa, o
colégio que eu estudava ficava nos fundos do campo de pouso
da aeronáutica, Colégio Agrícola Daniel de Oliveira Paiva (CADOP)
e tínhamos um grêmio estudantil, com um presidente chamado Paulo Guedes.
Paulo tinha uma liderança muito forte, com ele aprendemos a ver com outra ótica
as questões políticas, e começamos a entender o que estava acontecendo.
De uma maneira pueril entendíamos que os
militares eram os malvados e os perseguidos os mocinhos. Com toda esta
carga de irracionalidade dos militares eu só não entrei para nenhum grupo contrário
porque não tinha conhecidos muito atuantes, era um menino e
nossa contestação se reduzia a um pequeno grupo de amigos que faziam parte
do teatro amador.
Num belo dia, próximo das férias, chegaram
os militares no colégio para falar sobre nosso alistamento, foi a gota d'água,
demos uma violenta vaia no tenente e dissemos que não queríamos armas e nem
aprender a torturar e matar estudantes, a coisa ficou preta, este tenente
arregalou os olhos, deu uma violenta descompostura na turma e no meu caso
especial por ser o metido, disse que ia me pegar, ameaçou outros da mesma
maneira e foi novamente vaiado. O alistamento não terminou em detenção porque
éramos menores, mas deixamos o diretor em maus lençóis e o Paulo
Guedes do Grêmio Estudantil sumiu por um tempo. A situação ficou tão horrível
que não ganhamos nossa carteira, a famosa terceira que dava dispensa de
servir as forças armadas. Não pude jurar a bandeira (se o tenente me visse estava
ferrado), meu pai me enviou para umas férias na casa do vô João em Santa
Catarina. O meu avô Chico (parte de mãe) que era muito político, conseguiu a
minha famosa terceira com o Deputado Brusa Netto de Porto Alegre, e eu sempre
de olho, durante muito tempo me cuidando
do tal tenente.
Bem a
pouco tempo tive noticias que o Paulo Guedes morreu, trabalhou numa
multinacional, político e prefeito de
um município do interior do Rio Grande do Sul. Eu me transformei
num leitor dos escritores marxistas, história, filosofia e sociologia, aprendi
que um não pode comer e o outro ficar olhando, entendi a ver melhor que a
transformação da sociedade só poderá acontecer e se caracterizar
pela ideia através da distribuição equilibrada de
riquezas e propriedades, diminuindo a distância entre ricos e pobres. Encontrei
o pessoal da esquerda festiva (como dizia o Lacerda) e nunca mais fui o mesmo e
se alguma coisa valeu na minha vida foi esta transformação, que me ensinou a
gostar de poesias, arte, músicas de qualidade, sensibilidade e mais humano,
"demasiado humano" como dizia Nietszche. Sds. Jaime
quarta-feira, 28 de junho de 2023
O TEMPO PERDIDO
Familiarmente passa
Cinicamente passa.
O operário deixa sua casa
Sem se esquecer de sua
cadeira
Que não é a cadeira de Van
Gogh.
O tempo ri
Ri dos homens que olham
Olham sem entender que o
tempo passa
Passa rápido como um trem
rápido
Ou lento como um enterro
lento
E todos olham compungidos
para a matéria inerte
Que ontem homem
Hoje nada
Passa sem tempo
Sem nunca mais ter tempo
de olhar
O tempo que lhe roubaram.
E no canto de um bar
Um homem triste
Canta uma velha canção
triste
Tristemente.
Não há dano semelhante ao
do tempo perdido.
quarta-feira, 21 de junho de 2023
EU E VOCÊ
Você gosta
do Ronaldo Caiado, eu do Pedro Stédile
Você gosta
daquele bispo dos milagres, eu gosto de Leonardo Boff
Você gosta
do Pinochet, eu gosto do Allende
Você gosta
do Botha, eu do Mandela
Você gosta
Bush, eu do Fidel
Você gosta
do Vargas Losa, eu do Gabriel Garcia Marquez
Você gosta
do Kennedy, eu do Che Guevara
Você gosta
do General Custer, eu de Simon Bolívar
Você gosta
do Thomas Edison, eu do Nicola Tesla
Você gosta
do Pizarro, eu do Atahualpa Yupanqui
Você gosta
do Avigdor Lieberman, eu gosto do Ilan Pappé
Você gosta
do Churchill, eu gosto do Ghandi
Você gosta do John Wayne, eu do Grande Otelo
Você gosta
do Costa e Silva, eu do Brizola
Você gosta
do Reagan, eu do Mitterrand
Você gosta de
sertanejo, eu de moda de viola
Você gosta
de funk, eu de Jazz
Você gosta
do Olavo de Carvalho, eu do Ferreira Gullar
Você gosta
do Stalin, eu do Sergei Prokofiev
Você gosta
do General Franco, eu do Garcia Lorca
Você gosta
dos dogmas, eu do Nietzsche
Você gosta
da mão invisível, eu da Mais Valia
Você gosta
do Salieri, eu de Mozart
Você gosta
do Rupert Murdoch, eu do Jean
Baudrillard
Você gosta
da América do Norte, eu da América Latina
Você é
capitalista, eu socialista
Você gosta
da Usina Belo Monte, eu dos Índios do Xingú
Você gosta
de Caras, eu de Caros Amigos.
Você gosta
da Veja, eu da “Cult”
Você gosta
do Roberto Campos, eu do Darcy Ribeiro
Você gosta
do Mickey, eu do Chico Bento
Você gosta
da Wanessa Camargo, eu da Vanessa da Mata
Você gosta
do Billy Graham, eu do Mather Luther king
Você gosta
do Dale Carnegie, eu gosto do Bukowski
Você gosta
do PAN ou do PRI mexicano, eu gosto do Subcomandante Marcos
Você gosta
do Blacwater, eu do Sea Shepherd
Sou Gauche,esquerda,
incompatível, deslocado e sempre na contramão dos “homens de bem”..
Jaime Baghá
quinta-feira, 15 de junho de 2023
Perdida
Nada
para cobrar
Apenas
vejo
O
teu pecado
Na
face
Estampado.
Nada
a comentar
Apenas
vejo
A
tua culpa
Cabisbaixo
Com
falta de postura
Em
desnorteio
No
desvio do olhar.
Nada
a reclamar
Apenas
vejo
O
teu desconforto
Desilusões
E
teu amor
Tão
morto.
Nada
a temer
Apenas
vejo
Tua
fuga em si
E
vejo a tua vida
Um
alegre zumbi.
Nada
a apreciar
Apenas
vejo
Tua
pouca arte
De
momentos tristes
Disfarçados
de feliz
Sublimando
emoções.
Nada
a oferecer
Eu
vejo você
Taciturna,
apreensiva
Sem
me ver.
Nada
a fazer
Eu
vejo você
Um
ser
Sem
ser
No
material se perder
No
eufemismo do ter.
Nada
dizer
Eu
vejo você
Sem
sonhos
Apenas
um ser
Enfadonho.
Nada
a...
Nada!
Para
você que nunca encontrou um caminho.
– Jaime
Baghá
sábado, 3 de junho de 2023
PRECISAMOS PENSAR;
O pessimismo de
Schopenhauer, o paraíso perdido do poético, do inútil, do lúdico, do dionisíaco
de Michel Foucault, o olimpo asséptico do anti-humanista Heidegger, a crítica
artística das relações humanas de Bertolt Brecht, Antonio Gramsci, o
apóstolo da emancipação das massas, o existencialismo de Jean Paul Sartre, o pensamento do filósofo e sociólogo Noam
Chomsky. a aristocracia estética e o repugno do homem do dia-a-dia de
Nietzsche. As interações humanas da Pós Modernidade de Zygmunt Bauman, a visão
do Brasil do sociólogo e professor Jessé Souza. A utopia de uma harmonia total e perpétua de
Carl Marx e tantos outros pensadores é o suprassumo do ensinamento e a espera
de outros filósofos e pensadores que tentem na mudança do futuro do homem e do
planeta é a única saída para um novo mundo. Precisamos pensar para que os
canalhas não pensem por nós. Jaime Baghá
quinta-feira, 25 de maio de 2023
O ATRASO DOS GOLPISTAS
Foi necessário o mais rápido possível remover essas figuras patéticas, com sua incompetência, desonestidade, grossura, de braços dados com milicianos e mergulhados em falcatruas que foi gestado por uma elite obcecada em derrotar a esquerda a qualquer custo e implantar seu modelo de capitalismo predatório e irresponsável junto com militares sem caráter, em torno de um demente buscando vantagens e poder. O que importava era as vantagens, o lucro, o ganho indiferente ou hostil a tudo que é coletivo ou compartilhado com a democracia, a saúde pública e a cultura.
Desenho, Trump e Bolsonaro
Jaime Baghá
Parte inferior do
formulário
sexta-feira, 19 de maio de 2023
O Avaro
Nada
para cobrar
Apenas
vejo
O
teu pecado
Na
face
Estampado.
Nada
a comentar
Apenas
vejo
A
tua culpa
Cabisbaixo
Com
falta de postura
Em
desnorteio
No
desvio do olhar.
Nada
a reclamar
Apenas
vejo
O
teu desconforto
Desilusões
E
teu amor
Tão
morto.
Nada
a temer
Apenas
vejo
Tua
fuga em si
E
vejo a tua vida
Um
alegre zumbi.
Nada
a apreciar
Apenas
vejo
Tua
pouca arte
De
momentos tristes
Disfarçados
de feliz
Sublimando
emoções.
Nada
a oferecer
Eu
vejo você
Taciturno,
apreensivo
Sem
me ver.
Nada
a fazer
Eu
vejo você
Um
ser
Sem
ser
No
material se perder
No
eufemismo do ter.
Nada
dizer
Eu
vejo você
Sem
sonhos
Apenas
um ser
Enfadonho.
Nada
a...
Nada!
Meu
amigo com fortuna, avareza e desatino – Jaime Baghá
terça-feira, 9 de maio de 2023
PROFUNDO
Solidão
Diante
de tudo
Mãos
sobre a fronte
Olhar
entre dedos
Olhando
o nada
Aldrava
no coração
Ímpio
a si
Pensamentos
Maldito
Em
seu tugúrio
Prescindir
a alma
Mente
e corpo
Nefasto
Artelhos,
joelhos
Junto
a cabeça
Melancolia
Chora
Alhures
Tudo
gris
Tudo
é nada
Aspecto
Espectro
Garatuja
Escaras
Sem
discernimento
Inviso
Solidão
Sob
os alcantis
Angustiar
Açodar
Voar
Do
promontório
Cairá
Quebrando
como ondas
Nas
pedras
Do
mar
Acalmará
tudo
Que
nada foi
Fim
as trevas
Solidão.
Em
desespero nos alcantis, procurando a dissolução. Jaime Baghá
terça-feira, 2 de maio de 2023
As palavras abaixo são de Baruch Espinoza - nascido em
1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos
grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada FilosofiaModerna,
juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.
Acredite, essas palavras foram ditas em pleno
Século XVII.
DEUS SEGUNDO ESPINOZA ( Deus monologando para você )
"Pára de ficar rezando e batendo no peito!
O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua
vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e
frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias.
Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar
da tua vida miserável:
Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou
que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. Pára de
ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos
olhos de teu filhinho...
Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu
trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te
critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo.
Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres,
de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos
que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de
mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te
manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que
Teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um
ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos.
Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva
um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um
inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar
um conselho.
Viva como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te
dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foi
comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais
gostaste? O que aprendeste? Pára de crer em mim - crer é supor,
adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua
filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me
louvar. Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o
que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está
cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro de ti...aí é que
estou."
Einstein, quando perguntado se acreditava em
Deus, respondeu"Acredito no Deus de Spinoza, que se revela
por si mesmo na harmonia de tudo o que existe.--
Jaime Baghá
quarta-feira, 26 de abril de 2023
“A América Latina é a região das veias abertas. Tudo, desde o descobrimento até nossos dias, sempre se transmutou em capital europeu - ou mais tarde - estadunidense - e, como tal, se acumulou em distantes centros de poder. Tudo: o solo, os seus frutos e as suas profundezas minerais, as pessoas e a sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos.”
“Ao longo do caminho, perdemos até o direito de nos chamarmos americanos, embora os haitianos e os cubanos tenham aparecido na história como novas pessoas um século antes dos peregrinos do Mayflower se estabelecerem na costa de Plymouth. Para o mundo de hoje, a América é apenas os Estados Unidos; a região que habitamos é uma sub-América, uma América de segunda classe de identidade nebulosa”.
― Eduardo Hughes Galeano, Veias abertas da América Latina: cinco séculos de pilhagem de um continentesegunda-feira, 27 de março de 2023
PARAÍSO
Sol na ilha
Maré baixa
Maravilha
Rosto moreno
Olhar
matreiro
Sereno
Coqueiros a
beira
Pássaro
preto
Mangueiras
Conchas do
mar
Saveiros ao
longe
Vadiar
Casas cor de
aquarela
Caju maduro
Olhar o
continente
Da igrejinha
da Penha
Fica comigo pensamento
Me enganando
Eu finjo
matar a sede
Na cabana do
pai Orlando
Mas o
pensamento tem que ir
Caminho
solitário
Passo o mar
grande
Olho a
igreja
Cais do
porto
Vou partir
Destino
Próxima
parada
Porto de São
Joaquim
Saudade fica
Meu pedaço
preferido
De
Itaparica.
Quando eu vivia os encantos de Itaparica, fotos, Eu, Carmem e com meu amigo Maneca.
quarta-feira, 1 de março de 2023
ENCONTRO NA
NOITE
Na neblina
No escuro da esquina
Conspiro
Em pensamentos me inspiro
No teu pescoço esguio
Do beijo antes do rosto
Sobre o colo
No teu pescoço
Na boca
Abaixo dos ombros
Encontro anseios
No arfar dos teus seios
Descubro e mostro
Todo meu devaneio
Colam se bocas
Peitos, seios
Retorces
Delira
Faz jeitos
Num sim e num não
Sem resistir
E minha lascívia
Desvenda os limites
Na escura esquina
Na neblina
Mãos entre as coxas
E a saia pra cima
Conspiro
Num jogo de possessão
Em atos de sedução.
Jaime Baghá – encontro de
amor.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
A hora é agora, enquanto vida depois lembranças, mais além nem as lembranças existirão, nem as passagens lembradas, porém os homens não sabem disso e pensam que são eternos. No fim querem dar o amor que foi negado, para ter o amor que não souberam conquistar, porém já é tarde, terão somente a compaixão por ser velho e terminal. Restará ainda por algum tempo ruínas de algum império construído e talvez mais um pouco a poesia de algum poeta esquecido. Jaime Baghá





















