quinta-feira, 6 de junho de 2024


VOCÊ
Você maldita você
Que há tanto tempo procuro
Que a tanto tempo perdi
E nunca mais me encontrei.
Procurei você nas ruas
E só me ouço passar
Procurei você no mar
Mas o mar não tem mais porto.
Procurei você na rosa
Que no deserto nasceu
Mas a rosa fez-se em pó
Que o vento do tempo varreu.
Procurei você na infância
Mas a infância envelheceu
Procurei você na árvore
Mas alguém transformou em semente
Na madrugada dos deuses
Que todos os bares fecharam.
Procurei você na vida
Na prisão, no cadafalso
Na cama sempre vazia
Onde outras mulheres achei.
Procurei você no canto
Que as ondas tiram da areia
O pássaro, eterno escravo
Que na prisão da existência
Ainda cantou liberto.
Procurei você em tudo
Mas o tudo virou nada.
Procurei você no espelho
E o espelho se partiu.
Olhei para os cacos e andei
Tornei a lhe procurar
E nunca mais me encontrei.
Eu querendo ser um poeta do amor como meu amigo Amaro Castilhos.
Jaime = Quadro: Os Amantes de René Magritte
Todas as reações:
Neuza Miguel Nunes, Volnei Monteiro Alves e 2 outras pessoas




VOCÊ
Você maldita você
Que há tanto tempo procuro
Que a tanto tempo perdi
E nunca mais me encontrei.
Procurei você nas ruas
E só me ouço passar
Procurei você no mar
Mas o mar não tem mais porto.
Procurei você na rosa
Que no deserto nasceu
Mas a rosa fez-se em pó
Que o vento do tempo varreu.
Procurei você na infância
Mas a infância envelheceu
Procurei você na árvore
Mas alguém transformou em semente
Na madrugada dos deuses
Que todos os bares fecharam.
Procurei você na vida
Na prisão, no cadafalso
Na cama sempre vazia
Onde outras mulheres achei.
Procurei você no canto
Que as ondas tiram da areia
O pássaro, eterno escravo
Que na prisão da existência
Ainda cantou liberto.
Procurei você em tudo
Mas o tudo virou nada.
Procurei você no espelho
E o espelho se partiu.
Olhei para os cacos e andei
Tornei a lhe procurar
E nunca mais me encontrei.
Eu querendo ser um poeta do amor como meu amigo Amaro Castilhos.
Jaime = Quadro: Os Amantes de René Magritte
Pode ser arte
Todas as reações:

domingo, 19 de maio de 2024

quinta-feira, 2 de maio de 2024


 DEJAVÚ

Eu caminho nos desvios
Padeço e sobrevivo
Feito um cachorro vadio.
Não programo meus caminhos
Não traço objetivos
Pra não ter que aturar
Elogios familiares
E um babaca empertigado
No meu túmulo a discursar.
Não quero ser o exemplo
Queria ser vagabundo
Aproveitar o pouco tempo
Caminhando pelo mundo.
Sou o Cândido de Voltaire
Nesta miséria humana
Sou o que nada quer
E quem me quer me engana.
Sou o miasma que o sangue medra
Louco da Divina Comédia
Paria dos sociais bandidos
O que na vida anda perdido.
Observo os homens
Razão por não querer ter nome
Racional de paixão incompleta
Que me faz maldito poeta.
Sou o nada
Uma trapaça
Não quero a grande farsa
Arranco a minha máscara
Exponho a minha carcaça.
Não sou o que machuca o mundo
Que adora o Deus absurdo
Que mata a própria espécie
Ora para a utopia
E no paraíso padece.
Sou dos meus iguais o inviso
Senil que não perdeu o juízo
Sem apego aos objetos
Porque morre e vira dejeto.
Sou o engano
Profundamente humano
Que sofre por ser
Não ser
O que vê
E não quer ver
O não sei...
Eu
O ser...
O que faço aqui na poeirinha da poeira? – Jaime Baghá

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024



 Os dias em que passamos nas montanhas, são os dias em que realmente vivemos. Quando as cabeças se limpam das teias de aranha e o sangue corre com força pelas veias. Quando os cinco sentidos cobram vitalidade e o ser mais completo se torna mais sensível. Então se pode ouvir as vozes da natureza e ver as belezas ao alcance dos mais ousados.

Eu e meu filho nas montanhas, sempre que podemos estamos lá. (clique)
Todas as rea

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023


 O Mar é de quem o sabe amar.

Jaime Baghá

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023


 

LIMITE

 

Livra-te da condição humana

Do teu semelhante danado

Que por ganância engana

Do amor que foi negado

Da incompreensão que te profana.

 

Acabe com teu tormento

Procure a tua droga

Com a classe dos perdidos

Ao som da ópera majestosa

Dissolva teus elementos

 

Não chore sozinho poeta

Tenha a grande solução

Termine teu sofrimento

Acabe com tua dor

Use a dissolução

 

Tua alma vai ao nada

Como tua vida mutilada

Tua amargura latente

Tendo como escora as palavras

E paraísos inexistentes.

 

Vá para o céu ou inferno

Para o corredor dos desesperados

Ou para o nada eterno

Mas, livra-te do que te dana

Da podre condição humana.

 

O inferno do outro. – Jaime outono 2005

 

 

 

 

DOUS

 

Tenho duas vidas

Uma é o acaso

A outra

Entre os labirintos das palavras.

terça-feira, 21 de novembro de 2023


 Eu que bebi da racionalidade desde as primeiras gotasdo leite materno, não posso ir contra a uma política que olha o ser humano como a coisa mais sagrada de todas as coisas.

Jaime Baghá

terça-feira, 14 de novembro de 2023


 

O MEU VALIOSO TEMPO

 

Tenho tantos escritos

Tantas anotações

Poemas, motes

Inspirações

Que vivo perdido

Entre textos e noções

 

Tenho sempre algo inacabado

Agendas lotadas

Cadernos rabiscados

Poesias incompletas

Caixas abarrotadas

 

Tenho papeis por toda a parte

Encima dos armários

Nas escrivaninhas

Nos bolsos

Em lugares estranhos

Nos cantos

Em baús

De todos os tamanhos

 

Tenho pensamentos

Incertezas

Metáforas

Clarezas

Absurdos

 Acertos e Enganos

 

Tenho escritos nos guardanapos

Caixa de Cigarro

Papeluchos e trapos

Papel de pão

Papel de embrulho

Tudo é usado para a inspiração

 

Tenho anotações

Em caixas de remédio

Papeis de chocolate

Capas  de filme

Blocos ao lado da cama

Além do meu moleskine

 

Tenho diversos lápis

 Canetas distintas

Sheaffer, Parker

Esferográficas e tintas

Bic, Pentel e Cross

De aprendizes a professores

Só não tenho a Mont Blanc

Personalizada dos escritores

 

 

 

Tenho inspiração

Devaneios e chistes

Sempre uma anotação

Escritos inacabados

Poemas sem fins

Nos bolsos amarrotados

Indiferente ao meu final

A morte em meio a loucura

Dos meus papéis rabiscados.

 

Jaime Bahá - -  A loucura que me faz viver.

 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

não digam nunca:
isso é natural!
diante dos acontecimentos de cada dia
numa época em que reina a confusão
em que corre o sangue
em que o arbítrio tem força de lei
em que a humanidade se desumaniza
não digam nunca:
isso é natural!
para que nada possa ser imutável!

Jaime Baghá

quinta-feira, 26 de outubro de 2023


 

Morte

Serei breve

Como cabe a um moribundo

Pois minha alma leve

Tem ânsias de ganhar o outro mundo

Aos amigos mais chegados

Deixo um pedido à toa

E não se trata ó bastardos

De consolar minha patroa.

Antes que este fio de luz se vá

E eu me perca na noite profunda

Enxotem o padre a golpes de pá

E as carpideiras com chutes na bunda.

Depois hidromel

Vinho doce

Agua e farinha branca

Com isso partirei fluidoflamante feliz

Passarei a eternidade

A comer margaridas pela raiz.

Poesia de velho - Jaime Baghá

sábado, 30 de setembro de 2023

SOLIDÃO

 As vezes é difícil viver na penumbra

Em meio à anomia provinciana

Fica uma viagem maluca

Sonhando o lúdico

Em meio aos personagens surdos

Em derrisão

Imbecis de hilárias bisbilhoteiras

Rindo da própria estupidez

Das piadas da elite retrógada

Da falta de lucidez.

 

As vezes não é fácil viver mudo

Solitário

Lendo “Poema Sujo”

Sem ter alguém para comentar

Sair para as ruas

Sem ter alguém para ouvir

Sem ninguém para falar

 

Às vezes é difícil viver a erudição

Em meio a pouca educação

Inclusive dos mais próximos

Que vivem do ócio

Alguns infernais

Toscos de feridas expostas

De agressivas respostas

E a mente vazia

Sem estro

Sem vida

Sem  sonhos

E poesia.

 Como dizia Mario de Andrade,  “Eu insulto o burguês funesto”. Jaime

 

domingo, 10 de setembro de 2023


 Anarquista

Polêmico é uma pessoa que esta tentando ver uma questão de um ângulo inesperado, criativo, mas no Brasil os que se acham "politicamente corretos" chamam de polêmicos para desqualificar o raciocínio, desvalorizar o inteligente, o esclarecido. É o ódio provinciano, cumplicidade dos medíocres, racistas, herança do coronelismo colonial. O "politicamente correto" é um criminoso em busca de uma oportunidade, que vai ao limite imoral e amoral de sua causa, desde que tenha uma justificativa pública que lhe de cobertura como a mídia. Está disposto a qualquer coisa porque o "politicamente correto" não tem limites. Ele esta animado por este impulso homicida de liquidar com tudo que é diferente. Tudo que é novo ou diferente é rejeitado, o nu da arte, as canções, raças, a política voltada aos pobres, homossexualidade, tudo é banido, nada lhes pode contrariar, só o caráter partidário e ideológico. A pátria, o trabalho, o povo, o ódio, nada de abstração, nada de subjetivismo, só a velha representação realista, "homens fortes" e mulheres submissas, direita ortodoxa e fascista.
Jaime Baghá

domingo, 13 de agosto de 2023


 DEPRESSO

Eu vejo o mundo

Com olhos de poeta

Os sonhos

Os anseios

O que lhe afeta.

 

Conheço sua afasia

Seu medo

O olhar atrevido

O bom

O bandido

A inocência

O tolo

O pueril.

 

O ser de falsos amores

Sua pose cariátide

Seus temores

Suores

Tremores.

 

Eu vejo seu olhar

Perdido no nada

Taciturno

Alhures

Seu salva-vidas de agarro

Seu ópio

Seu cigarro.

 

Eu conto o teu nada

E sei que teu amor

Não sabe o amor

E olho teus olhos

De mágoas

De dor

Que você disfarça

Num sorriso suave

Um tanto sem graça.

 

Eu vejo tua alma

Transparecer nos teus olhos

Lôbregos

Tão tristes

Caminhar cabisbaixo

Na vaidade de ornatos

Como se nada existe.

 

Eu vejo a leve impressão

De timidez e brandura

Frágil

Forte

Bacante

Insegura.

 

Eu vejo teus dias

Fazer-se escassos

Das alegres euforias

E conheço os estágios

De risos

Loucuras

Pesadelos e sonhos

Liberdade

Clausura

 

Enxergo o óbvio

Não sou profeta

E mostro o oculto

O teu oculto

Porque sou poeta.

 

Sentada na porta, na soleira

No fim do dia

Ares de melancolia

Artelhos, joelhos

Debruçada

E os olhos verdes

Perdidos no nada...

 

A minha amiga que vive em eternas melancolias.  Jaime Baghá

 

terça-feira, 18 de julho de 2023

EU... UNIVERSO
Vida
Harmonia
Regra Áurea
Simetria
Tudo gira
Embaixo
Em cima
Tudo combina
Mistérios
Formas
Artes
Constelações
Via Láctea
Fibonacci
Diferentes
Astros
Animal
Terra
Vegetal
Ar
Pedras
Vegas
Água
Fogo
Tudo igual.
Tudo que existe possui os mesmos padrões geométricos. Jaime Baghá
Sequência das belezas e as referência do Universo criativo de Leonardo Fibonaci - Jaime

 

sábado, 15 de julho de 2023

VAZIO

Sabem o porquê tantas perguntas

Sabe o porquê a falta de respostas

Porque sou eu

Sou eu o homem

O pensador inquieto

O que foi dado à dádiva de pensar.

Sou eu que faço mil perguntas interiores

Sou eu nesta agonia

De procuras incansáveis.

Sou eu o homem

Certo e louco

Sou eu que não define

Não sei tal ou qual.

Sou eu o ser

Como todos os seres

Só uma interrogação.

Sou eu o pesquisador de mim

Sou eu o amaldiçoado

Por pensar sem resolver

Sou eu cercado por matérias

Mistérios e Deuses.

Sou eu o que pensa

Sou eu o que delira

Sou eu que procuro

E sou eu que sofro

E morre sem nada descobrir

Só míseros passos científicos

E nada mais, nada mais...

 Eu o melhor,  que vem a ser nada. Jaime Bagá

 

segunda-feira, 10 de julho de 2023

SOLIDÃO

 As vezes é difícil viver na penumbra

Em meio à anomia provinciana

Fica uma viagem maluca

Sonhando o lúdico

Em meio aos personagens surdos

Em derrisão

Imbecis de hilárias bisbilhoteiras

Rindo da própria estupidez

Das piadas da elite retrógada

Da falta de lucidez.

 

As vezes não é fácil viver mudo

Solitário

Lendo “Poema Sujo”

Sem ter alguém para comentar

Sair para as ruas

Sem ter alguém para ouvir

Sem ninguém para falar

 

Às vezes é difícil viver a erudição

Em meio a pouca educação

Inclusive dos mais próximos

Que vivem do ócio

Alguns infernais

Toscos de feridas expostas

De agressivas respostas

E a mente vazia

Sem estro

Sem vida

Sem  sonhos

E poesia.

 

Como dizia Mario de Andrade,  “Eu insulto o burguês funesto”. Jaime

sexta-feira, 7 de julho de 2023


 TACITURNO

 Quantos anos ainda por viver

Quantas linhas por escrever

Serão quantos os versos

Para explicar meu universo.

 

Vou aproveitar esta sorte

De poesias e motes

Este gosto da escrita

Até próximo da morte.

 

Quero decifrar o ser

Mesmo sem nada saber

Se não acertar as mensagens

Quero marcar a passagem.

 

Mesmo na tese certeira

De nunca cruzar a fronteira

Falar, conta

Viver, estar

 

Certo ou incerto

Louco ou incoerente

Ler, escrever, entender

Para mim o suficiente.

 

A sina - Jaime Baghá