quarta-feira, 1 de julho de 2020


COMPARANDO

Os livros dos quais gosto, depois de ler sempre dou algumas olhadas, depois faço pesquisa sobre e até leio novamente. Estava olhando “A Queda da Casa de Usher” de Edgar Alan Poe e vi algo com nossa situação política atual, onde o fantástico aparece quase sempre como um modo de dissolver as determinações reais, numa angustia subjetiva, num medo pânico, em face de uma realidade vivida como algo irracional e absurdo. Há um transtorno mental no comando do nosso país, uma sensação sombria que nos deixa inseguros. Quem sabe, assim como a “Casa de Usher,” os Palácios de Brasília se dividam em fragmentos e afundem no Lago Paranoá levando os insanos e transformando este país e trazendo para o povo uma nova visão. Que não tenhamos mais a fama de ser o segundo país do mundo em que as pessoas têm a percepção equivocada sobre a realidade. Assim, vamos poder sonhar com prosperidade e educação ao invés de viver um presente com fascistas e loucos. 

terça-feira, 30 de junho de 2020


BRASIL EUA, O PERIGOSO PODER DO RIDÍCULO

O excesso de confiança na vontade popular pode ser muito perigoso, arrisca eleger um demagogo que ameaça a democracia. A ascensão de um demagogo no poder polariza a sociedade criando uma atmosfera de ódio, hostilidade e desconfiança mútua, muitas vezes separa amigos e familiares, o Brasil vive isto neste momento. Para um demagogo que se sente sitiado por críticas e de mãos atadas pelas instituições democráticas, as crises abrem janelas e oportunidades para silenciar e enfraquecer os rivais, com ajuda dos oportunistas e da ignorância que o levou ao poder. Então temos uma política liderada por uma pessoa desconfiada, opressivo, pretensioso, apocalíptico, debochado, mal educado e com atitudes paranoicas.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Guernica - Pablo Picasso


Sou da Filosofia da Libertação dos povos oprimidos do sul, atrás de uma justiça que leve em consideração o outro, da sua condição de oprimido, de fora do sistema baseado na alteridade. Temos que ver nossa realidade, ver a nossa filosofia diferente do homem do norte. Necessitamos estabelecer um conceito de justiça que seja nosso, os excluídos e explorados pelo norte e seus pensadores.
Existe uma conspiração a nível internacional para atacar e caluniar os governantes da América Latina, principalmente para os governos que não baixaram a cabeça para o explorador imperialista.
Os belicistas parecem estar comprometidos com a paz, enquanto as vítimas da guerra são apresentadas como os algozes, os protagonistas dos conflitos. Viva  a mídia imperialista, viva Israel os vilões. Por tudo que leio e vejo, acredito que o sionismo é pior do que o islamismo extremista e o império americano é o pior terrorista disfarçado como o defensor da paz.






O que vai acontecer após a decadência do capitalismo, terá um sistema mais democrático e igualitário ou mais polarizado e explorador. Sem um sistema de democracia plena uma parte rica e poderosa em armas viverá em ilhas de redoma de proteção e opulência, enquanto a maioria dos seres humanos viverá numa distopia, num oceano de miséria e violência, ambos com desprezo um pelo outro, como já nos encontramos.



EU... UNIVERSO        
Vida
Harmonia
Regra Áurea
Simetria
Tudo gira
Embaixo
Em cima
Tudo combina
Mistérios
Formas
Artes
Constelações
Via Láctea
Fibonacci
Diferentes
Astros
Animal
Terra
Vegetal
Ar
Pedras
Vegas
Água
Fogo
Tudo igual.
Tudo que existe possui os mesmos padrões geométricos. Jaime Baghá


quarta-feira, 13 de maio de 2020



DISSIMULADO
Não gosto daquela gentileza
Aquele sorriso esperteza
Não gosto daquele elogio
Com tapas nas costas
E o abraço tão frio
Não gosto da aproximação fantasia
Amigo metáfora
Alegoria
Não gosto de quem me faz tão alto
E toda aquela alegria
Convencional de um falso.

Observando as personalidades. Jaime Baghá  -  inverno 1988

sábado, 9 de maio de 2020



DEBOCHE

O que me diferencia
Ora, o que me diferencia
Eu sou o que tu vê e pensa
Sou a diferença
O que procura e te atura.
Que provas me dão teus deuses
Tão maus
Eu sou o onipresente
Não tua onírica
Incógnita da tua imaginação
Tua inquietação.
Sou tua resposta vazia
Tua afasia.
Olho teus olhos
Preso no desterro
Procuro o erro
Sou o amanhã
Porque escrevo
A arte me faz diferente.
Você reza, ora, medita
Me inventa,
Me expulsa
Me explica
E naquilo que nunca viu, acredita.
Sua mente incompleta
Delira e não acerta
Não tem o devaneio louco
É fátuo
Eu, poeta.
Sou como você
Uma interrogação
Mas sou o que fica
O erro, a razão
Que expões a dor
Na despedida da amante
Risos largos
Em momentos de amor.
Sou o ser refinado
Impuro, comedido, gentil
Deixo levar-me aos láudanos
Um fauno senil.

Eu vanguarda
Você perdido
Dividido com nada
Entre prato e bispote
Pacóvio do meu mote.

Um dia de Augusto dos Anjos, com vontade de não mais beijar as bocas que escarram, um dia de deboche. – Jaime Baghá – primavera 1999


sábado, 25 de abril de 2020


O Último Julgamento - Hieronymus Bosch


A contrariedade da Asor

Havia uma pequena cidade chamada Asor que queria ser fraterna, ficava longe das metrópoles, era religiosa, sem índices de criminalidade e cercada por lagos e um verde exuberante. Porém a pequena cidade tinha divisões por ignorância, avareza, invejas, comentários sobre o alheio, intrigas, desdém e muita política.

Enquanto as mães conversavam a última sobre o alheio, seus filhos com ódio surravam meninos menores, jogavam pedras nos cachorros, apanhavam todas as flores quebrando alguns galhos dos hibiscos ao redor do prédio público. Jovens destruíam placas e patrimônios, outros no centro de ensino com números partidários gravados na cabeça e pintados nos corpos faziam guerras ideológicas, sem saber o que era ideologia.

Digladiavam-se destilando os ódios de seus pais, todos eles, predadores, valentes, partidários, destruidores de patrimônios, árvores e flores, tinham em comum serem filhos de políticos e bajuladores que não davam exemplos e de mestres da própria escola com muros altos iguais aos presídios, onde se podia vislumbrar o maior acúmulo de lixo e ao seu redor.

Os jovens em confrarias assim como seus pais, apaixonavam-se cedo, dividiam-se cedo, esportivamente, religiosamente e tristemente também os amores, os muitos corações que viviam juntos em festas terminavam partidos e perdidos.

 A cidade de tantos cultos, rezas e procissões, que adorava festas e que se possível seriam eternas, vivia separada e pouco fraterna, no fundo era um formigueiro de homens sós.

O paraíso e a falsidade dos pequenos vilarejos do interior onde a política dita às regras.  Jaime Baghá

sexta-feira, 10 de abril de 2020




O CONHECIMENTO E OS MEDÍOCRES NO BRASIL

Polêmico é uma pessoa que esta tentando ver uma questão de um ângulo inesperado, criativo, mas no Brasil os que se acham "politicamente corretos" chamam de comunistas, polêmicos para desqualificar o raciocínio, desvalorizar o inteligente, o esclarecido. É o ódio provinciano, cumplicidade dos medíocres, racistas, herança do coronelismo colonial. O "politicamente correto" é um criminoso em busca de uma oportunidade, que vai ao limite imoral e amoral de sua causa, desde que tenha uma justificativa pública que lhe de cobertura como a mídia. Está disposto a qualquer coisa porque o "politicamente correto" não tem limites. Ele esta animado por este impulso homicida de liquidar com tudo que é diferente. Tudo que é novo ou diferente é rejeitado, o nu da arte, as canções, raças, o povo indígena, o nordestino, os imigrantes,  a política voltada aos pobres, homossexualidade, tudo é banido, nada lhes pode contrariar, só o caráter partidário e ideológico. A pátria, o trabalho, o povo, o ódio, nada de abstração, nada de subjetivismo, só a velha representação realista, "homens fortes" e mulheres submissas, direita ortodoxa e fascista.
Jaime Bagha  - 

quinta-feira, 9 de abril de 2020



EU QUIXOTE          

O cavaleiro de Cervantes
No engano dos sentidos
Incitava Rocinante
Contra ilusórios inimigos.

Em meio a toda loucura
Do cavaleiro picaresco
Descobri minha procura
Meu sentido, meu contexto.

Nos caminhos da vida
A procura do meu ser
Vi tão poucas as saídas.

No desafio do tempo
Em pugnas por sonho e vida
Contra moinhos de vento.

Jaime Baghá

quinta-feira, 2 de abril de 2020



Instante!

Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam

Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direção ao socorro em direção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros

Que faria eu, eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
Preso num espaço-marionete
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.

Samuel Beckett  - 
Jaime Baghá  - sou eu esta poesia de Beckett

quinta-feira, 19 de março de 2020



Gosto de Nietzsche porque ensina o homem a gostar de si mesmo e não ser uma marionete dos oportunistas. Precisamos destruir antigas convicções e parar de crer nos enganadores. Nietszche sintetiza em poucas frases o que um escritor normal precisaria de um livro todo para discorre-lo. Algumas vezes temos que fazer desmoronar o mundo perfeito que religiões, professores e mesmo o que nossos pais nos apresentaram, iludidos por falta de conhecimento. A arte de pensar por si mesmo às vezes é muito perigosa. Nietzsche não é interessante para algumas nações e organizações que empregam e manipulam a mão do homem para mover as engrenagens de sua ganância, a cultura de massa destituiu o homem de si mesmo e o transformou num ser anônimo que desconhece o seu potencial nobre, por isso ele tem que quebrar as barreiras que imobiliza sua verdadeira liberdade submetida a uma escravidão silenciosa que nos move no caminho da vida em sociedade Necessitamos ver nossa verdadeira essência, por isso o “Martelo de Nietszche” é tão importante, te ensina a não viver como num rebanho.

“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdades porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas”

“O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte”.

Jaime Baghá  -  19/03/2020

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020



REBELDE

Eu fui o adolescente
Que fumou nas quebradas
De vida pra frente
De vida folgada
Nômade
Muito louco
A noite agitava
Anjo perdido
Das luzes negras
Cabelos compridos.

Eu fui adolescente
De caráter não ter
Que a sociedade “decente”
Somente ensinou
A valorizar o possuir
E a realização do prazer.

Eu fui adolescente
De todas as gangues
Amante da vida
Indecente
Das meninas perdidas
Das lutas de sangue.

Eu fui adolescente
De boa família
Respeitado vagabundo
Andar compassado
Olhar atrevido
Irado
Que queria o mundo.

Eu fui adolescente
Que amava as loucuras
De jeans e de gíria
De vida de rua
Que pirou e sonhou
E que o subterrâneo
Quase me levou

Eu fui adolescente
Fui anjo e diabo
Malvado inocente
Sem o mal
Não tirano
Apenas mais um
Garoto urbano.

Eu hoje adulto
Escapei pra pensar
Um pouco careta
Mas sem condenar
Diferente de muitos
De faces incoerentes
Esqueceram estes velhos
Que um dia na vida
Foram adolescentes.

Nos desvarios da juventude o melhor da vida. -  Jaime Baghá – primavera 1995



terça-feira, 11 de fevereiro de 2020



VOLTAS

O mundo deu muitas voltas
Eu fui menino
Moleque, comportado
Jovem e um maluco juvenil

Alegre e debochado
Me apaixonei, amei muito
Sofri e chorei pelas mortes e solidão
Ri à toa

Tomei champanhe e cachaça
Voei em jatos e Airbus
Andei em carro de boi
De navio e lombo de burros

O mundo deu muitas voltas
Eu sobrevivi às superfícies
Os subterrâneos das grandes metrópoles
Vivi os mares do norte e do sul

Amei marginais
Esnobei a aristocracia,
Comi Agulhinha com cerveja
No subterrâneo do Mercado Modelo

Naveguei no oceano numa escuna branca
Com um capitão preto
Reparti o lanche
Com o clandestino no porão do navio

Ancorei em ilhas
Mergulhei entre corais
Caçando lagostas com nativos
Entre peixes de cor de aquarela

O mundo deu muitas voltas
Eu entrei nos países latinos
Em noites de loucuras
Parando em pensões latinas

Dormi em haciendas
Na beira dos lagos
Em tendas de lonas
Olhando estrelas

Vivi rocks
Musicais de protesto
Fui radical
Político, rebelde

Irado, logrado
Traído, trapaceado
Tive família, vivi sozinho.
Muito mimado, sem carinho.

O mundo deu muitas voltas
E eu continuo nos delírios
Dos loucos pensamentos
Na vanguarda dos costumes

Achando velhos alguns jovens
E os velhos da minha idade
Novos são os mágicos
De pensamento e vontade

O mundo deu muitas voltas
Eu ouço antigas e novas canções
De um momento presente
Breve, que move as voltas do mundo.

Uma máquina do tempo
Que acelera o meu fim
Assim preencho esta existência
De poucas voltas

Com visões, lembranças
Sonhos e poesias
Embriagado de vida
E pensamentos sem fins.

Os meus caminhosJaime Baghá

quarta-feira, 9 de outubro de 2019



UM FANTASMA
Se um dia, eu sorrindo passar por você
fingindo alegria nesse olhar amante,
não me olhe…procure esconder de meus olhos
o amor que o destino me negou…no entanto,
de minha alma não sai…e assim, vacilante,
eu sou apenas um fantasma que anda nos cantos
Não procure jamais entender se te amo
pois nunca saberás se te quero, ou engano.
Tentarei esquecer, ou fingir que esqueci,
abafando em minha alma esse amor despertado,
que por ser impossível, terá que morrer,
pois não tinha o direito de tê-lo criado.
Eu quisera poder te amar loucamente
e que o mundo, esse amor só a mim entregasse
e em você meu corpo  enlaçado ficasse
sem mais nada temer…mas, loucura…não posso
e por isso, eu procuro fingir que esqueci
esse amor, pelo qual, sem alento e esperança,
numa febre de amor, em delírio tão louco,
nessa noite passada morri mais um pouco…!
E sou um fantasma e louco de amor é meu ofício
Só isso, só isso... 
Jaime Baghá

domingo, 11 de agosto de 2019


AVESSO
Não destilo a finitude humana
Não escrevo elegias
Ou salto como um Eros lúbrico
Satisfazendo o rebanho

Sou a rebeldia e o desespero
Prefiro a loucura de um Goya
E suas pinturas negras
Um beckettiano no absurdo

Odeio padrões pré-estabelecidos
A afeição do meio
Existe muita dor e danação
Na curta existência

Para que eu fique alheio
Aos arquétipos invisíveis
Pelo social e suas máscaras
A Maschera Nobile dos cínicos.


Meu lado maldito – Jaime Baghá


terça-feira, 30 de julho de 2019


Neoliberalismo, o capital exterminador

Nosso sistema político e econômico é falho, mas não para uma minoria que vive da exploração. As pessoas votam pensando que estão contra o sistema, apoiam gente como Bolsonaro e Trump, que não são contra o sistema, mas sim, fazem um discurso mostrando as falhas deste sistema que eles mesmos criaram e conservam. As falhas no sistema econômico são uma clara na desregulamentação causada por eles que dizem que o conserto são os cortes nos gastos sociais. As pessoas querem mudar a vida e escolhem um populismo fascista, que põe a culpa nos negros, nos emigrantes, nordestinos e toda uma xenofobia, criando uma sociedade mais dividida e violenta.

Muitas pessoas levadas por uma propaganda midiática posam como antissistema, mas na verdade acabam apoiando ainda mais esse sistema opressor e vão piorando cada vez mais o quadro. É fácil tocar no sentimento do cidadão manipulável, que cada vez mais vão colocando no poder políticos fascistas comandados por grandes corporações, fazem uma terapia de choque, privatizam tudo, água, energia, saúde, educação, etc.; até chegar ao ponto em que a democracia se torna um problema para o neoliberalismo.

Milton Friedman um dos mais influentes economistas conservadores do século XX, professor da Escola de Chicago, criou seguidores em todo mundo e um neoliberalismo capitalista de mercado. Propôs a intervenção estatal mínima, a desregulamentação de tudo para funcionar bem, sem coibir o mercado e com o desaparecimento do setor público, privatizar tudo. Friedman achava que tinha que depurar tudo, sacrificando o povo e as causas sociais, deixando o capital eficaz somente para uma classe privilegiada. Sua experiência foi maior no Chile e na Argentina, mas se fosse tão boa porque ele nunca aplicou nos Estados Unidos?  Eles na sua insanidade acham que o estado de bem, limitava o crescimento, a mídia que nos deveria orientar, só aumenta a histeria. Cortes na saúde é um homicídio e os profissionais protestam os cidadãos alienados só sentem o grande engano quando eles necessitam dos cuidados médicos e não tem, quando suas aposentadorias se desvanecessem e todos seus benefícios conquistados a duras lutas são perdidos, é a alienação midiática controlado por um poder canalha.

Em muitos casos as pessoas cansaram de ouvir não, mesmo sendo vítimas elas só obedecem, não resistem, falta lhes uma visão e um projeto político que, quando acontece, cria-se uma propaganda enganosa colocando como vilões os benfeitores. O interessante nisto tudo é que, ao mudarmos um sistema mais voltado para o social, também mudamos os problemas climáticos, com menos poluição a mais valor ao verde. Eles falam em mudar separadamente, mas nos temos que juntar tudo, porque o sistema é um todo, se quiser diminuir a temperatura não podemos mais explorar petróleo, gás e carvão, nós já temos a alternativa, mas não usamos pelo lucro fácil ao poder, este mesmo que manipula o sistema e prega o neoliberalismo excludente e um capitalismo perverso. Temos que acabar com os subsídios fósseis e ter um alto imposto sobre o carbono, porque dinheiro tem, vivemos numa época de grande riqueza privada que só pensa numa insanidade de cada vez aumentar seus lucros sem a mínima compaixão e ver a miséria, a fome, a criminalidade e a extinção de sua própria espécie, numa loucura voraz pelo lucro, que de nada vai adiantar porque eles são a pragas do sistema, da espécie e do extermínio.

Jaime Baghá  – verão 2019 – As vezes fico angustiado por um futuro que não testemunharei.

segunda-feira, 1 de julho de 2019


SELVAGEM

O homem que ganhou a vida neste planeta, aos poucos vai destruindo o seu próprio habitat, seu próprio semelhante, numa ganância sem piedade para ao que há de vir, não pensa na preservação das espécies e da sua própria. O homem mata e corta sessenta bilhões de animais por ano, quase dez vezes a população humana, abate e come como se a vida nunca tivesse existido, não tivesse significado. Caça os animais silvestres, às vezes só pelo simples prazer do tiro, em quarenta anos metade dos animais selvagens terão desaparecidas, sessenta mil espécies não existirão até 2050.

O ritmo de morte é cem vezes mais que o natural entre os animais e as condições está reunido para a extinção massiva das espécies, então como não temer, que depois dos animais, das árvores, plantas em geral, os oceanos e outros seres vivos, o próximo da lista serão os seres humanos, morrendo num planeta destruído com numa ficção de horror.

A vida na terra é uma criação de beleza e harmonia, mas desde que o homem existe a história dos seres vivos foi transformada pela sua consciência, pela falta de consciência. Temos que reconsiderar a vida que nos rodeia, reatar com toda atenção e respeito de outros seres vivos, isto pode mudar e dar outro destino a nossa vida e nosso futuro. Selvagem não é a barbárie, selvagem não é o oposto da civilização, selvagem quer dizer “aquele que mora na floresta” que é minha casa interior, minha vida. Defender o selvagem e a floresta é defender a minha história e o meu planeta.

Quando mais observo este mundo selvagem, noto que ele é o guia que falta em meu caminho, a razão da minha existência e da minha felicidade. Se eu aprender a viver com harmonia com esta vida selvagem, eu voltaria a minha essência e seria de verdade um ser humano. É minha própria espécie que eu protegerei o amor por todos os seres vivos esta escondido dentro de mim, dentro de nós, precisamos libertá-lo, mas para isso temos que deixar abrir os olhos sobre o mundo e olhá-lo com respeito, do contrário, se continuar assim vamos todos fechar os  olhos para sempre.

Jaime Baghá  -  verão de 2019 – Fazendo uma análise do mundo e minha fuga da metrópole.

domingo, 10 de março de 2019



OS AMANTES

Você acordava primeiro
Andava pelos cômodos do apartamento
Velho sobrado encima do café
Seminua
Cabelos em desalinho
Com um baby-dol de seda
Estampado de rosas vermelhas.

Eu ficava na cama
Olhando o teto
Braços abertos
Peito nu
Tatuagem viva
Sorriso jovem de felicidade.

Não pensávamos no que fazer
Estar ali
Só nos dois
Já era o feito
A juventude já era a vida,
O perfeito.

Agora acordo primeiro
Quase num andar derradeiro
Você vestida
Assim como eu
Da sedução para o pijama

Já sabemos o que fazer
Estamos na delicadeza
A tatuagem desvanece
Como nossa visão
E nossa luta
É para que nosso mundo
Não fuja do perfeito.

A vida é breve, longo é o amor. Jaime Baghá



O Caos capital das corporações

Você vive no mundo da fantasia, de uma fantasia macabra onde instituições e corporações influenciam violentamente a política pública e transformam-se em armas financeiras de destruição de massa. O capitalismo não tem se saído muito bem ao lado da produção e estou falando dos bens de serviço, aquelas que são para satisfazer as necessidades humanas, o forte deles é a especulação financeira e para isso obtém a ajuda da mídia com os seus trabalhos de alienação e desvio da opinião pública. Pelos jornais, rádios, televisão, as pessoas são informadas que precisam se sacrificar e aceitarem os cortes nos gastos sociais, terem menos direitos e benefícios trabalhistas, tem é que encarar a destruição da economia em nome de uma maravilhosa ciência econômica. Esta bobeira coletiva é incapaz de enxergar o verdadeiro problema e o manipulado briga com o próprio amigo. Com parte da sociedade desorientada, imbecilizada, o poder do capital exerce uma grande força controlando o seu discurso, a mídia se especializou em dizer que o problema não é o capital e o tolo os segue com um zumbi. Colocam a culpa nos miseráreis, nos negros, nos imigrantes, nos refugiados, culpa todo mundo, mas nunca se toca na questão central das contradições do capital que lhe domina e lhe rouba. É o grande equívoco econômico que soa como um senso comum, como uma economia doméstica, meu amigo, tua economia doméstica não coleta impostos e não imprime dinheiro. A globalização que deixou circular a riqueza dos grupos privilegiados desarticulou ate velha base tributaria das políticas keynesianas onde prevaleciam os impostos diretos sobre a renda e a riqueza e vão contra até os mais renomados economistas, como o francês Thomas Piketty que foi o grande responsável por colocar novamente a desigualdade de renda e riqueza como uma questão política importante. Muito do sucesso capitalista e predatório das corporações foi aprender a combater as lutas dos trabalhadores, em grande parte graças a ajuda de um povo sem conhecimento, que manipulados, foram para a rua fantasiados de amarelo pedindo a sua própria ruína, mas não é só aqui. Como falou David Harvey, o mundo vive um estado de loucura, com uma população alienada e cega contra seus próprios direitos.

Jaime Baghá