quarta-feira, 1 de julho de 2020
COMPARANDO
Os livros dos quais gosto, depois de ler sempre dou algumas olhadas, depois faço pesquisa sobre e até leio novamente. Estava olhando “A Queda da Casa de Usher” de Edgar Alan Poe e vi algo com nossa situação política atual, onde o fantástico aparece quase sempre como um modo de dissolver as determinações reais, numa angustia subjetiva, num medo pânico, em face de uma realidade vivida como algo irracional e absurdo. Há um transtorno mental no comando do nosso país, uma sensação sombria que nos deixa inseguros. Quem sabe, assim como a “Casa de Usher,” os Palácios de Brasília se dividam em fragmentos e afundem no Lago Paranoá levando os insanos e transformando este país e trazendo para o povo uma nova visão. Que não tenhamos mais a fama de ser o segundo país do mundo em que as pessoas têm a percepção equivocada sobre a realidade. Assim, vamos poder sonhar com prosperidade e educação ao invés de viver um presente com fascistas e loucos.
terça-feira, 30 de junho de 2020
BRASIL EUA, O PERIGOSO PODER DO RIDÍCULO
O excesso de confiança na vontade popular pode ser muito perigoso, arrisca eleger um demagogo que ameaça a democracia. A ascensão de um demagogo no poder polariza a sociedade criando uma atmosfera de ódio, hostilidade e desconfiança mútua, muitas vezes separa amigos e familiares, o Brasil vive isto neste momento. Para um demagogo que se sente sitiado por críticas e de mãos atadas pelas instituições democráticas, as crises abrem janelas e oportunidades para silenciar e enfraquecer os rivais, com ajuda dos oportunistas e da ignorância que o levou ao poder. Então temos uma política liderada por uma pessoa desconfiada, opressivo, pretensioso, apocalíptico, debochado, mal educado e com atitudes paranoicas.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
![]() |
| Guernica - Pablo Picasso |
Sou da Filosofia da
Libertação dos povos oprimidos do sul, atrás de uma justiça que leve em
consideração o outro, da sua condição de oprimido, de fora do sistema baseado
na alteridade. Temos que ver nossa realidade, ver a nossa filosofia diferente
do homem do norte. Necessitamos estabelecer um conceito de justiça que seja
nosso, os excluídos e explorados pelo norte e seus pensadores.
Existe uma conspiração a
nível internacional para atacar e caluniar os governantes da América Latina,
principalmente para os governos que não baixaram a cabeça para o explorador
imperialista.
Os belicistas parecem estar
comprometidos com a paz, enquanto as vítimas da guerra são apresentadas como os
algozes, os protagonistas dos conflitos. Viva
a mídia imperialista, viva Israel os vilões. Por tudo que leio e vejo,
acredito que o sionismo é pior do que o islamismo extremista e o império
americano é o pior terrorista disfarçado como o defensor da paz.
O que vai acontecer após a decadência do capitalismo, terá um sistema mais democrático e igualitário ou mais polarizado e explorador. Sem um sistema de democracia plena uma parte rica e poderosa em armas viverá em ilhas de redoma de proteção e opulência, enquanto a maioria dos seres humanos viverá numa distopia, num oceano de miséria e violência, ambos com desprezo um pelo outro, como já nos encontramos.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
DISSIMULADO
Não gosto daquela gentileza
Aquele sorriso esperteza
Não gosto daquele elogio
Com tapas nas costas
E o abraço tão frio
Não gosto da aproximação
fantasia
Amigo metáfora
Alegoria
Não gosto de quem me faz tão
alto
E toda aquela alegria
Convencional de um falso.
Observando as
personalidades. Jaime Baghá -
inverno 1988
sábado, 9 de maio de 2020
DEBOCHE
O que me diferencia
Ora, o que me diferencia
Eu sou o que tu vê e pensa
Sou a diferença
O que procura e te atura.
Que provas me dão teus deuses
Tão maus
Eu sou o onipresente
Não tua onírica
Incógnita da tua imaginação
Tua inquietação.
Sou tua resposta vazia
Tua afasia.
Olho teus olhos
Preso no desterro
Procuro o erro
Sou o amanhã
Porque escrevo
A arte me faz diferente.
Você reza, ora, medita
Me inventa,
Me expulsa
Me explica
E naquilo que nunca viu,
acredita.
Sua mente incompleta
Delira e não acerta
Não tem o devaneio louco
É fátuo
Eu, poeta.
Sou como você
Uma interrogação
Mas sou o que fica
O erro, a razão
Que expões a dor
Na despedida da amante
Risos largos
Em momentos de amor.
Sou o ser refinado
Impuro, comedido, gentil
Deixo levar-me aos láudanos
Um fauno senil.
Eu vanguarda
Você perdido
Dividido com nada
Entre prato e bispote
Pacóvio do meu mote.
Um dia de Augusto dos Anjos,
com vontade de não mais beijar as bocas que escarram, um dia de deboche. – Jaime
Baghá – primavera 1999
sábado, 25 de abril de 2020
O Último Julgamento - Hieronymus Bosch
A contrariedade da Asor
Havia
uma pequena cidade chamada Asor que queria ser fraterna, ficava longe das
metrópoles, era religiosa, sem índices de criminalidade e cercada por lagos e
um verde exuberante. Porém a pequena cidade tinha divisões por ignorância,
avareza, invejas, comentários sobre o alheio, intrigas, desdém e muita política.
Enquanto
as mães conversavam a última sobre o alheio, seus filhos com ódio surravam meninos
menores, jogavam pedras nos cachorros, apanhavam todas as flores quebrando
alguns galhos dos hibiscos ao redor do prédio público. Jovens destruíam placas e
patrimônios, outros no centro de ensino com números partidários gravados na
cabeça e pintados nos corpos faziam guerras ideológicas, sem saber o que era
ideologia.
Digladiavam-se
destilando os ódios de seus pais, todos eles, predadores, valentes,
partidários, destruidores de patrimônios, árvores e flores, tinham em comum
serem filhos de políticos e bajuladores que não davam exemplos e de mestres da
própria escola com muros altos iguais aos presídios, onde se podia vislumbrar o
maior acúmulo de lixo e ao seu redor.
Os
jovens em confrarias assim como seus pais, apaixonavam-se cedo, dividiam-se
cedo, esportivamente, religiosamente e tristemente também os amores, os muitos corações
que viviam juntos em festas terminavam partidos e perdidos.
A cidade de tantos cultos, rezas e procissões,
que adorava festas e que se possível seriam eternas, vivia separada e pouco
fraterna, no fundo era um formigueiro de homens sós.
O paraíso e a falsidade dos
pequenos vilarejos do interior onde a política dita às regras. Jaime
Baghá
sexta-feira, 10 de abril de 2020
O
CONHECIMENTO E OS MEDÍOCRES NO BRASIL
Polêmico
é uma pessoa que esta tentando ver uma questão de um ângulo inesperado,
criativo, mas no Brasil os que se acham "politicamente corretos"
chamam de comunistas, polêmicos para desqualificar o raciocínio, desvalorizar o
inteligente, o esclarecido. É o ódio provinciano, cumplicidade dos medíocres,
racistas, herança do coronelismo colonial. O "politicamente correto"
é um criminoso em busca de uma oportunidade, que vai ao limite imoral e amoral
de sua causa, desde que tenha uma justificativa pública que lhe de cobertura
como a mídia. Está disposto a qualquer coisa porque o "politicamente
correto" não tem limites. Ele esta animado por este impulso homicida de
liquidar com tudo que é diferente. Tudo que é novo ou diferente é rejeitado, o
nu da arte, as canções, raças, o povo indígena, o nordestino, os imigrantes, a política voltada aos pobres, homossexualidade,
tudo é banido, nada lhes pode contrariar, só o caráter partidário e ideológico.
A pátria, o trabalho, o povo, o ódio, nada de abstração, nada de subjetivismo,
só a velha representação realista, "homens fortes" e mulheres
submissas, direita ortodoxa e fascista.
Jaime
Bagha -
quinta-feira, 9 de abril de 2020
EU QUIXOTE
O cavaleiro de Cervantes
No engano dos sentidos
Incitava Rocinante
Contra ilusórios inimigos.
Em meio a toda loucura
Do cavaleiro picaresco
Descobri minha procura
Meu sentido, meu contexto.
Nos caminhos da vida
A procura do meu ser
Vi tão poucas as saídas.
No desafio do tempo
Em pugnas por sonho e vida
Contra moinhos de vento.
Jaime Baghá
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Instante!
Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam
Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direção ao socorro em direção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros
Que faria eu, eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
Preso num espaço-marionete
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.
Que faria eu sem este mundo sem rosto sem questões
Quando o ser só dura um instante onde cada instante
Se deita sobre o vazio dentro do esquecimento de ter sido
Sem esta onda onde por fim
Corpo e sombra juntos se dissipam
Que faria eu sem este silêncio abismo de murmúrios
Arquejando furiosos em direção ao socorro em direção ao amor
Sem este céu que se eleva
Sobre o pó dos seus lastros
Que faria eu, eu faria como ontem como hoje
Olhando para a minha janela vendo se não serei o único
A errar e a mudar distante de toda a vida
Preso num espaço-marionete
Sem voz entre as vozes
Que se fecham comigo.
Samuel Beckett -
Jaime Baghá - sou eu esta poesia de Beckett
quinta-feira, 19 de março de 2020
Gosto de Nietzsche porque ensina o homem a gostar de si mesmo e não ser uma
marionete dos oportunistas. Precisamos destruir antigas convicções e parar de crer
nos enganadores. Nietszche sintetiza em poucas frases o que um escritor normal
precisaria de um livro todo para discorre-lo. Algumas vezes temos que fazer
desmoronar o mundo perfeito que religiões, professores e mesmo o que nossos pais
nos apresentaram, iludidos por falta de conhecimento. A arte de pensar por si
mesmo às vezes é muito perigosa. Nietzsche não é interessante para algumas
nações e organizações que empregam e manipulam a mão do homem para mover as
engrenagens de sua ganância, a cultura de massa destituiu o homem de si mesmo e
o transformou num ser anônimo que desconhece o seu potencial nobre, por isso
ele tem que quebrar as barreiras que imobiliza sua verdadeira liberdade
submetida a uma escravidão silenciosa que nos move no caminho da vida em sociedade
Necessitamos ver nossa verdadeira essência, por isso o “Martelo de Nietszche” é
tão importante, te ensina a não viver como num rebanho.
“Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdades porque não desejam
que suas ilusões sejam destruídas”
“O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte”.
Jaime
Baghá - 19/03/2020
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
REBELDE
Eu fui o adolescente
Que fumou nas quebradas
De vida pra frente
De vida folgada
Nômade
Muito louco
A noite agitava
Anjo perdido
Das luzes negras
Cabelos compridos.
Eu fui adolescente
De caráter não ter
Que a sociedade “decente”
Somente ensinou
A valorizar o possuir
E a realização do prazer.
Eu fui adolescente
De todas as gangues
Amante da vida
Indecente
Das meninas perdidas
Das lutas de sangue.
Eu fui adolescente
De boa família
Respeitado vagabundo
Andar compassado
Olhar atrevido
Irado
Que queria o mundo.
Eu fui adolescente
Que amava as loucuras
De jeans e de gíria
De vida de rua
Que pirou e sonhou
E que o subterrâneo
Quase me levou
Eu fui adolescente
Fui anjo e diabo
Malvado inocente
Sem o mal
Não tirano
Apenas mais um
Garoto urbano.
Eu hoje adulto
Escapei pra pensar
Um pouco careta
Mas sem condenar
Diferente de muitos
De faces incoerentes
Esqueceram estes velhos
Que um dia na vida
Foram adolescentes.
Nos desvarios da juventude o
melhor da vida. - Jaime Baghá –
primavera 1995
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
VOLTAS
O
mundo deu muitas voltas
Eu
fui menino
Moleque,
comportado
Jovem
e um maluco juvenil
Alegre
e debochado
Me
apaixonei, amei muito
Sofri
e chorei pelas mortes e solidão
Ri
à toa
Tomei
champanhe e cachaça
Voei
em jatos e Airbus
Andei
em carro de boi
De
navio e lombo de burros
O
mundo deu muitas voltas
Eu
sobrevivi às superfícies
Os
subterrâneos das grandes metrópoles
Vivi
os mares do norte e do sul
Amei
marginais
Esnobei
a aristocracia,
Comi
Agulhinha com cerveja
No
subterrâneo do Mercado Modelo
Naveguei
no oceano numa escuna branca
Com
um capitão preto
Reparti
o lanche
Com
o clandestino no porão do navio
Ancorei
em ilhas
Mergulhei
entre corais
Caçando
lagostas com nativos
Entre
peixes de cor de aquarela
O
mundo deu muitas voltas
Eu
entrei nos países latinos
Em
noites de loucuras
Parando
em pensões latinas
Dormi
em haciendas
Na
beira dos lagos
Em
tendas de lonas
Olhando
estrelas
Vivi
rocks
Musicais
de protesto
Fui
radical
Político,
rebelde
Irado,
logrado
Traído,
trapaceado
Tive
família, vivi sozinho.
Muito
mimado, sem carinho.
O
mundo deu muitas voltas
E
eu continuo nos delírios
Dos
loucos pensamentos
Na
vanguarda dos costumes
Achando
velhos alguns jovens
E
os velhos da minha idade
Novos
são os mágicos
De
pensamento e vontade
O
mundo deu muitas voltas
Eu
ouço antigas e novas canções
De
um momento presente
Breve,
que move as voltas do mundo.
Uma
máquina do tempo
Que
acelera o meu fim
Assim
preencho esta existência
De
poucas voltas
Com
visões, lembranças
Sonhos
e poesias
Embriagado
de vida
E
pensamentos sem fins.
Os meus caminhos – Jaime Baghá
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
UM
FANTASMA
Se um dia, eu sorrindo passar por você
fingindo alegria nesse olhar amante,
não me olhe…procure esconder de meus olhos
o amor que o destino me negou…no entanto,
de minha alma não sai…e assim, vacilante,
eu sou apenas um fantasma que anda nos cantos
fingindo alegria nesse olhar amante,
não me olhe…procure esconder de meus olhos
o amor que o destino me negou…no entanto,
de minha alma não sai…e assim, vacilante,
eu sou apenas um fantasma que anda nos cantos
Não procure jamais entender se te amo
pois nunca saberás se te quero, ou engano.
Tentarei esquecer, ou fingir que esqueci,
abafando em minha alma esse amor despertado,
que por ser impossível, terá que morrer,
pois não tinha o direito de tê-lo criado.
pois nunca saberás se te quero, ou engano.
Tentarei esquecer, ou fingir que esqueci,
abafando em minha alma esse amor despertado,
que por ser impossível, terá que morrer,
pois não tinha o direito de tê-lo criado.
Eu quisera poder te amar loucamente
e que o mundo, esse amor só a mim entregasse
e em você meu corpo enlaçado ficasse
sem mais nada temer…mas, loucura…não posso
e por isso, eu procuro fingir que esqueci
esse amor, pelo qual, sem alento e esperança,
numa febre de amor, em delírio tão louco,
nessa noite passada morri mais um pouco…!
e que o mundo, esse amor só a mim entregasse
e em você meu corpo enlaçado ficasse
sem mais nada temer…mas, loucura…não posso
e por isso, eu procuro fingir que esqueci
esse amor, pelo qual, sem alento e esperança,
numa febre de amor, em delírio tão louco,
nessa noite passada morri mais um pouco…!
E sou um fantasma e louco de amor é meu ofício
Só isso, só isso...
Jaime Baghá
domingo, 11 de agosto de 2019
AVESSO
Não destilo
a finitude humana
Não escrevo
elegias
Ou salto
como um Eros lúbrico
Satisfazendo
o rebanho
Sou a
rebeldia e o desespero
Prefiro a
loucura de um Goya
E suas
pinturas negras
Um
beckettiano no absurdo
Odeio
padrões pré-estabelecidos
A afeição
do meio
Existe
muita dor e danação
Na curta
existência
Para que eu
fique alheio
Aos
arquétipos invisíveis
Pelo social
e suas máscaras
A Maschera
Nobile dos cínicos.
Meu lado maldito – Jaime Baghá
terça-feira, 30 de julho de 2019
Neoliberalismo, o capital exterminador
Nosso sistema político e
econômico é falho, mas não para uma minoria que vive da exploração. As pessoas
votam pensando que estão contra o sistema, apoiam gente como Bolsonaro e Trump,
que não são contra o sistema, mas sim, fazem um discurso mostrando as falhas
deste sistema que eles mesmos criaram e conservam. As falhas no sistema
econômico são uma clara na desregulamentação causada por eles que dizem que o
conserto são os cortes nos gastos sociais. As pessoas querem mudar a vida e
escolhem um populismo fascista, que põe a culpa nos negros, nos emigrantes,
nordestinos e toda uma xenofobia, criando uma sociedade mais dividida e
violenta.
Muitas pessoas levadas por uma
propaganda midiática posam como antissistema, mas na verdade acabam apoiando
ainda mais esse sistema opressor e vão piorando cada vez mais o quadro. É fácil
tocar no sentimento do cidadão manipulável, que cada vez mais vão colocando no
poder políticos fascistas comandados por grandes corporações, fazem uma terapia
de choque, privatizam tudo, água, energia, saúde, educação, etc.; até chegar ao
ponto em que a democracia se torna um problema para o neoliberalismo.
Milton Friedman um dos mais
influentes economistas conservadores do século XX, professor da Escola de
Chicago, criou seguidores em todo mundo e um neoliberalismo capitalista de
mercado. Propôs a intervenção estatal mínima, a desregulamentação de tudo para funcionar
bem, sem coibir o mercado e com o desaparecimento do setor público, privatizar
tudo. Friedman achava que tinha que depurar tudo, sacrificando o povo e as
causas sociais, deixando o capital eficaz somente para uma classe privilegiada.
Sua experiência foi maior no Chile e na Argentina, mas se fosse tão boa porque
ele nunca aplicou nos Estados Unidos?
Eles na sua insanidade acham que o estado de bem, limitava o crescimento,
a mídia que nos deveria orientar, só aumenta a histeria. Cortes na saúde é um
homicídio e os profissionais protestam os cidadãos alienados só sentem o grande
engano quando eles necessitam dos cuidados médicos e não tem, quando suas
aposentadorias se desvanecessem e todos seus benefícios conquistados a duras
lutas são perdidos, é a alienação midiática controlado por um poder canalha.
Em muitos casos as pessoas
cansaram de ouvir não, mesmo sendo vítimas elas só obedecem, não resistem,
falta lhes uma visão e um projeto político que, quando acontece, cria-se uma
propaganda enganosa colocando como vilões os benfeitores. O interessante nisto
tudo é que, ao mudarmos um sistema mais voltado para o social, também mudamos
os problemas climáticos, com menos poluição a mais valor ao verde. Eles falam
em mudar separadamente, mas nos temos que juntar tudo, porque o sistema é um
todo, se quiser diminuir a temperatura não podemos mais explorar petróleo, gás
e carvão, nós já temos a alternativa, mas não usamos pelo lucro fácil ao poder,
este mesmo que manipula o sistema e prega o neoliberalismo excludente e um
capitalismo perverso. Temos que acabar com os subsídios fósseis e ter um alto
imposto sobre o carbono, porque dinheiro tem, vivemos
numa época de grande riqueza privada que só pensa numa insanidade de cada vez
aumentar seus lucros sem a mínima compaixão e ver a miséria, a fome, a
criminalidade e a extinção de sua própria espécie, numa loucura voraz pelo
lucro, que de nada vai adiantar porque eles são a pragas do sistema, da espécie
e do extermínio.
Jaime Baghá – verão
2019 – As vezes fico angustiado por um futuro que não testemunharei.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
SELVAGEM
O homem que ganhou a vida neste
planeta, aos poucos vai destruindo o seu próprio habitat, seu próprio
semelhante, numa ganância sem piedade para ao que há de vir, não pensa na preservação
das espécies e da sua própria. O homem mata e corta sessenta bilhões de animais
por ano, quase dez vezes a população humana, abate e come como se a vida nunca
tivesse existido, não tivesse significado. Caça os animais silvestres, às vezes
só pelo simples prazer do tiro, em quarenta anos metade dos animais selvagens
terão desaparecidas, sessenta mil espécies não existirão até 2050.
O ritmo de morte é cem vezes mais
que o natural entre os animais e as condições está reunido para a extinção
massiva das espécies, então como não temer, que depois dos animais, das árvores,
plantas em geral, os oceanos e outros seres vivos, o próximo da lista serão os
seres humanos, morrendo num planeta destruído com numa ficção de horror.
A vida na terra é uma criação de
beleza e harmonia, mas desde que o homem existe a história dos seres vivos foi
transformada pela sua consciência, pela falta de consciência. Temos que
reconsiderar a vida que nos rodeia, reatar com toda atenção e respeito de
outros seres vivos, isto pode mudar e dar outro destino a nossa vida e nosso
futuro. Selvagem não é a barbárie, selvagem não é o oposto da civilização,
selvagem quer dizer “aquele que mora na floresta” que é minha casa interior,
minha vida. Defender o selvagem e a floresta é defender a minha história e o
meu planeta.
Quando mais observo este mundo selvagem,
noto que ele é o guia que falta em meu caminho, a razão da minha existência e
da minha felicidade. Se eu aprender a viver com harmonia com esta vida
selvagem, eu voltaria a minha essência e seria de verdade um ser humano. É
minha própria espécie que eu protegerei o amor por todos os seres vivos esta
escondido dentro de mim, dentro de nós, precisamos libertá-lo, mas para isso
temos que deixar abrir os olhos sobre o mundo e olhá-lo com respeito, do
contrário, se continuar assim vamos todos fechar os olhos para sempre.
Jaime Baghá -
verão de 2019 – Fazendo uma análise do mundo e minha fuga da metrópole.
domingo, 10 de março de 2019
OS AMANTES
Você acordava primeiro
Andava pelos cômodos do apartamento
Velho sobrado encima do café
Seminua
Cabelos em desalinho
Com um baby-dol de seda
Estampado de rosas vermelhas.
Eu ficava na cama
Olhando o teto
Braços abertos
Peito nu
Tatuagem viva
Sorriso jovem de felicidade.
Não pensávamos no que fazer
Estar ali
Só nos dois
Já era o feito
A juventude já era a vida,
O perfeito.
Agora acordo primeiro
Quase num andar derradeiro
Você vestida
Assim como eu
Da sedução para o pijama
Já sabemos o que fazer
Estamos na delicadeza
A tatuagem desvanece
Como nossa visão
E nossa luta
É para que nosso mundo
Não fuja do perfeito.
A vida é breve, longo é o
amor. Jaime Baghá
O Caos capital das corporações
Você
vive no mundo da fantasia, de uma fantasia macabra onde instituições e
corporações influenciam violentamente a política pública e transformam-se em
armas financeiras de destruição de massa. O capitalismo não tem se saído muito
bem ao lado da produção e estou falando dos bens de serviço, aquelas que são
para satisfazer as necessidades humanas, o forte deles é a especulação
financeira e para isso obtém a ajuda da mídia com os seus trabalhos de alienação
e desvio da opinião pública. Pelos jornais, rádios, televisão, as pessoas são
informadas que precisam se sacrificar e aceitarem os cortes nos gastos sociais,
terem menos direitos e benefícios trabalhistas, tem é que encarar a destruição
da economia em nome de uma maravilhosa ciência econômica. Esta bobeira coletiva
é incapaz de enxergar o verdadeiro problema e o manipulado briga com o próprio
amigo. Com parte da sociedade desorientada, imbecilizada, o poder do capital
exerce uma grande força controlando o seu discurso, a mídia se especializou em
dizer que o problema não é o capital e o tolo os segue com um zumbi. Colocam a
culpa nos miseráreis, nos negros, nos imigrantes, nos refugiados, culpa todo
mundo, mas nunca se toca na questão central das contradições do capital que lhe
domina e lhe rouba. É o grande equívoco econômico que soa como um senso comum,
como uma economia doméstica, meu amigo, tua economia doméstica não coleta
impostos e não imprime dinheiro. A globalização que deixou circular a riqueza
dos grupos privilegiados desarticulou ate velha base tributaria das políticas
keynesianas onde prevaleciam os impostos diretos sobre a renda e a riqueza e
vão contra até os mais renomados economistas, como o francês Thomas Piketty que
foi o grande responsável por colocar novamente a desigualdade de renda e
riqueza como uma questão política importante. Muito do sucesso capitalista e
predatório das corporações foi aprender a combater as lutas dos trabalhadores,
em grande parte graças a ajuda de um povo sem conhecimento, que manipulados,
foram para a rua fantasiados de amarelo pedindo a sua própria ruína, mas não é
só aqui. Como falou David Harvey, o mundo vive um estado de loucura, com uma
população alienada e cega contra seus próprios direitos.
Jaime
Baghá
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