sexta-feira, 9 de julho de 2010


ECCE HOMO (A Grandeza da vida)

Quero mais...
Além de homens e vermes
Quero o espanto
Assombro, encantos!

Os mitos
Almas e espíritos
Deuses e Querubins
Divindades e ritos!

Os sonhos
De infernos e paraísos
Demônios e super-homens
Ninfas e sibilinos!

As dúvidas
Planetas e outras vidas
Portais e disco voadores
Seres e alienígenas!

As certezas
De universos e galáxias
Buracos negros, cometas
Sistemas e vias láctea!

Eis o meu mais!

Acabar, findar
Sem nada descobrir
Pouco para enxergar
No meu miserável
Estado natural.

Eis o meu mais!

Feito um cão
Viver e morrer
Em meio à danação
Dos homens comuns!

Eis minha realidade!
Eis meus estado natural!
Eis minha verdade!
Eis o meu caos!

O estado natural de tudo não é o caos?

Jaime

sexta-feira, 2 de julho de 2010



Família do meu avô Joaninha. Da esquerda para direita: Laide, José(meu pai), Vó Rogina, Rosa (colo), Maria, Bonifácio, Vô João, Lino e Serafim.

OS NETOS ESPÚRIOS

Meu sobrenome é Silva, o sobrenome de minha mãe é Arcênego, porém meu pai optou somente pelo Silva, dizia ser mais brasileiro. Meu avô chamava-se João José da Silva, conhecido na sua região como Seu Joaninha pelo fato da mãe dele (minha bisavó) se chamar Ana, então ficou conhecido como João da Aninha. No interior concilia-se o nome dos pais aos filhos para melhor a identificação. Tenho um enorme orgulho do meu avô, por ter sido um homem muito gentil, íntegro, honesto e trabalhador. Acho que o melhor da minha vida foi quando passava as minhas férias na sua casa do interior, correndo pelos campos, tomando banho em açudes, subindo nos pés de frutas, cantando com os peões no engenho em época de safra e fazendo todas as espécies de travessuras típicas de um menino feliz em férias escolares. Eu e meu avô éramos bons amigos, conversávamos muito, ele me falou muitas coisas que até hoje carrego comigo como ensinamentos, além de ter me ensinado a pescar, montar a cavalo e entender um pouco de pecuária e agricultura. Falava muito sobre o comportamento, os quais mesclavam com histórias sensacionais e hilárias. Teve uma grande família (sete filhos), todos muitos educados. Era uma pessoa de muito conceito entre seus amigos, solidário com seus semelhantes e de grande prestigio em sua comunidade. Diante deste quadro de muita honra, entristece-me ver alguns dos seus descendentes, netos emergentes, renegarem o sobrenome Silva como se isso os fizessem melhor. Temos muito Silvas que são e foram melhores e não necessitou mudar o sobrenome: atletas, campeão mundial de fórmula um, ministros, artistas, intelectuais e até nosso presidente, além de tantos que não caberiam neste escrito. Resolvi escrever esta crônica para avaliar estes parentes imbecis, que pensam que a sociedade vai lhes mimar mais pelo fato de trocar o sobrenome que o idiota julga comum. Eu sei que neste mundo de mitos e aparência e imbecilidade coletiva (a disneylização do Sr
Baudrillard) eles encontram pares. Depois deste fato, conversei com estes parentes, não muito, porque era visível a falta de conhecimento político e social, apegaram-se às crendices babacas, literaturas de auto-ajuda, cultuando divindades duvidosas, cantores e artistas vulgares e vestindo uma moda alegoria, apegados ao conservadorismo de interesse e arcaico. Acho que eles devem participar de alguns eventos culturais, como ir ao teatro, mas tenho a certeza que desconhecem a peça, o dramaturgo e se riem ou se comovem é porque a platleia o faz, porque é claríssimo o desconhecimento do trabalho literário, teatral ou musical, não entendem a encenação, porque suas próprias vidas é uma encenação de uma opereta barata e bufa. A única esperteza que notei nestes parentes é a que usam para ganhar, lucrar, sempre encima do incauto que eles adestram e exploram, depois abandonam (inclusive amigos e parentes), quando não tem mais nada para sugar, descartando o explorado ou este se afastando quando pressentiu o engodo. Meu entendimento para esta artificialidade nos modos lembra-me uma parábola que meu avô contava quando via alguma tolice, dizia ele para mim em tom de pergunta: "quando o mundo começou tinha sete bobos morreram um, quantos ficaram? eu, para mostrar-me esperto respondia muito rápido, "ficaram seis, dindinho", rapidamente meu avô discordava, "não, ficaram quinze", e explicava: " é que o número de bobo são piores que ratos, desafiam a natureza, se proliferam muito rapidamente", e dava uma gargalhada. Mais tarde alguns (bem poucos) de seus descendentes, iam desonrar o seu sobrenome de caráter, sabedoria e respeito, para adotar outro que melhor lhes satisfaçam seus interesses espúrios e oportunistas. Querido Avô, estes são os bobos que para ter um pouco do vil metal e pouca magia na vida, para ostentar um status imbecil as custas do engano, colocaram a máscara mais horrenda que os mortais comuns gostam de usar. Não são mais um dos nossos, não tem mais o nosso sobrenome, ainda bem, não gostamos de ver nosso sobrenome comum nos bobos e acho que o Seu Joaninha já sabia disso, pois conheceu cada um deles desde que nasceram.

Jaime

sábado, 9 de janeiro de 2010

Inversão de valores.

Queria compreender como um ato em busca de direito é nivelado a um ato criminoso. Em nome da ordem pública se confundem bandidos e cidadãos.
Como um comandante com “formação”, “visão” e “liderança” aceita cegamente uma ordem do malfeitor político, e o que é mais incoerente, uma “Lei” muitas vezes autorizada pelo “nosso” judiciário, para massacrar o cidadão que paga o salário de todos e o roubo de alguns que estão no poder. O malfeitor político rouba e usa a “Lei” para a sua proteção. Aqueles que não se calam sofrem essa injustiça e o desdém do acomodado que fica em casa no sofá em frente à televisão e chama de vagabundos e desocupados os que clamam por seus direitos.

Jaime Baghá.

Nossos Índios



Nossos miseráveis



Nossos trabalhadores e estudantes



“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis”

Bertold Brecht.



Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Protesto Olimpíada Vancouver 2010



Vancouver-Canada, jogos olímpicos de inverno 2010.Campanha da PETA contra o massacre dos bebes focas por assassinos imbecis, para fazer casacos para outros imbecis cúmplices.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ERUDIÇÃO



O que me faz diferente
Oculto
Difícil, fácil
Tagarela, claro
Taciturno
Maldito e raro
Foi a visão do inferno de Dante
Do paraíso poético
Nada como antes
Inútil, lúdico de Foucault
Dançar com Bacantes
Dionisíaco
Já pensou?
[Sou] Baco de orgias
Marx, Engels
Perpétuas harmonias
Utopias
[Sou] o pessimismo de Schopenhauer
Céptico
Anti-humanista, Heidegger
Cabeça da Bauhaus
O super-homem de Nietzsche
[Sou] o revoltado de Camus
O além que existe
Existencialista de Sartre
Solitário, aberto
Polêmico em partes
Emotivo as artes
[Sou] o significado
Minerval, ateneu
Sem deuses, demônios e prometeus
[Sou] vida
De curta existência
Amante, abandono
Dos animais a essência
[Sou] o amado
Metamorfose de Kafka
Evitado
Louco e poeta
Por você inviso
Porque não acerta
[Sou] o homem separado
De Luther King
Decadente de Beckett
Absurdo, Ping
[Sou] diferente a você
Cabeça comum
Pouca luz
Raras labaredas
Populaça
Tonto de Carlos Castañeda
[Eu] * Dulce Est Desipere In Loco
Mas literato
Músicas, clássicos e teatros
* É delicioso perder o juizo de vez em quando
Surrealista, Breton
Fauno...
Ditirambos...

Em devaneios, procurando a diferença de identidade, além do prato e bispote.

Noam Chomsky o socialista libertário


A LIVRARIA PODE ESTAR LONGE, MAS A INTERNET ESTA PRÓXIMA

Por favor, se você não conhece, esclareça-se antes de votar (não que isso vá mudar tudo do dia pra noite), mas conheça os especialistas do mundo e esqueça o ranço partidário, aquilo que os babacas desinformados ou os “senhores de bem” da tua sociedade acham, com aquela razão estúpida sobre a mudança desta sociedade explorada. Por favor, acessem o Google e leiam o que diz o Sr. Noam Chomsky, ou Susan George, e nesta última clique na “Agência Carta Maior” (veja entrevista). É preciso se instruir e quanto mais cedo melhor, o pior é ficar velho e descobrir que todos os teus valores estavam errados. Para não forçar muito leiam também o Eduardo Galeano, a América Latina explorada agradece. Tem também gente nossa, como o Fausto Wollf e toda aquela turma de jornalistas sérios deste país. Procurem também um documentário do Simon Hartog, chamado “Muito além do Cidadão Kane”. Larguem um pouco deste atraso brega mental de música de péssima qualidade movida à bandalheira, sertanejo imitação barata de country americano e outras desgraças. Escutem um pouco de Seu Jorge, Lenine, Zeca Baleiro, Cazuza, os sempre novos Caetano e Chico Buarque, as modas de viola e tantos outros poetas que escrevem e cantam a tua realidade que você ignora. Isto é o mínimo para que possas ver a tua realidade, não este empirismo que o poder lhe inculcou. Agora se você vive a conveniência e está com a barriguinha cheia dos rebotalhos, vivendo suas confrarias sociais, chamando pobre de vagabundo, pedindo pena de morte, sem olhar para o lado e ver a miséria, a violência e a degradação do meio ambiente, por favor, me ignore e me tire para louco, porque eu vou comprometer a tua boa vida sem visão, sem arte e com as vendas do acomodado. Vá assistir Matrix com aquela comilança no sofá, pois não vai demorar muito para você ganhar o teu chip na cabeça.

Jaime Bhagá

"A tradição dos oprimidos nos ensina que o estado de exceção em que vivemos é, na verdade, regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade."

E.T.: A pessoa enxerga o mundo de acordo com sua perspectiva sócio-cultural. Nietzsche

Arthur Rimbaud e a poesia simbolista

“Nossa barca elevada nas brumas imóveis navega em direção ao porto da miséria, a cidade enorme de céu sujo de fogo e lodo.

Quando iremos, enfim, para além das praias e das montanhas saudar o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos tiranos e dos demônios, o desaparecimento da superstição; quando iremos adorar - os primeiros! - a Natividade sobre a terra? O canto dos céus, a marcha dos povos!

Escravos, não amaldiçoemos a vida.”

Arthur Rimbaud

Jean Baudrillard. Todos nossos valores não passam de simulacros

“Se fosse necessário caracterizar o estado atual das coisas, diríamos que é o de pós-orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, liberação da criança, das pulsações inconscientes, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti-representação. Total orgia de real, de racional, de sexual, de crítica e de anticrítica, de crescimento e de crise de crescimento. Atualmente tudo está liberado, a sorte está lançada e estamos diante da questão crucial: Que fazer depois da orgia?”

Jean Baudrillard

MALDITO

NÃO FALE MEU NOME AOS GRITOS
QUE A VOZ NÃO VAI ALCANÇAR
MEU SER, NADA, NO INFINITO
ALMA DISPERSA A VAGAR.

NÃO PENSE EM MEU NOME MALDITO
SINÔNIMO DE RUÍNA MORAL
SEM NORTE, LUXÚRIAS E VÍCIOS
SEM SENSO, LOUCURA, UM CHACAL.

NÃO SONHE MEU NOME, UM PESADELO
QUE NO MUNDO ANDA PERDIDO
NUNCA AMOR E DESVELO
SOTURNO, NOTURNO, ESCONDIDO.

NÃO EVOQUES MEU SATÂNICO NOME EM VÃO
NÃO CHORE JAMAIS POR MIM
POIS EU SOU A PERDIÇÃO
QUE UM DIA QUIS SER QUERUBIM.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


O Torquato Neto era parecido com Ezra Pound

"Quando eu nasci
um anjo muito louco
Veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco
torto, com asas de avião
eis que esse anjo me disse apertando a minha mão
com um sorrisso entre dentes
vai bicho, desafinar
o coro dos contentes"
Torquato Neto


UNDERGROUND

Depois da esbórnia
Caiu no tapete
"Goin to California"
Fitando o teto
Com Page e Plant
Num repente
Sem mais
Nem menos
Respirando
O veneno
Dos seus labirintos
Pequenos
Virou de lado
Suspirou
Sorrio
E apagou.

Jaime Silva.

terça-feira, 21 de julho de 2009




SÍNCOPE

Toc-toc na aldrava
Noites de tempestade
Cães ladravam
uivavam
Toc-toc
Bateu em minha porta
Um espectro de capote
Chapéu contra luz
Escondia a face
Olho branco que reluz
Nada era como antes
Na mão não era uma cruz
Gadanho relampejante
Assim nada falou
Este macabro andante
Apenas me olhou
Como num verso de Poe
A minha sorte mudou
Me visitava Tanatos
Chegava a minha morte.

Minha homenagem a Edgar Allan Poe, representante do gótico americano de sentimentos a flor da pele, de morbidez e monomanias irracionais. A seguir a primeira estrofe do seu poema mais popular, "O Corvo" de 1845 e minha versão preferida em portugues feita por Fernando Pessoa.

"Numa meia-noite agreste, quando
eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências
ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que
parecia
O som de alguém que batia
levemente a meus umbrais.
Uma visita, eu me disse, esta
batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Se a modernidade é liquida, em liquidos também se encontram miasmas, então convém lembrar "Augusto dos Anjos", com sua poesia de conteúdo que subverte o pré-moderno, melancólico, de dor, horror e morte.

"Sou uma sombra! Venho de outras eras."

"Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo a natureza humana
A podridão me serve de evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!"

Uma das minhas preferidas - Jaime, inverno 2009.

"Os grandes poetas morrem em fumegantes penicos de merda." C. Bukowski.

CURRAL DE DEUS

Morro das Mortes meu paraiso
Meu despiste
Meu Auschwitz
Meu encanto perdido

Morro das Mortes que não me vê
Me aponta, me amarga
Zomba de minhas calças largas
Quero minha lata de Zyklon-B

Morro das Mortes as vezes nazista
De homens de muitas rezas
Que escondem a vida que levam
Conservadores, elitistas

Posses soberbas, incultas
Com máscaras feito artistas
De sedução e repulsa

Alguns meigos são meus
Outros sorrissos me assustam
Neste curral de Deus.

Jaime - inverno 2009

Minha província é meu paraiso, mas algumas vezes sofre o meu escárnio como um Bukowski depravado.

FUNERAL

Eu via
Entre a fresta da janela
Da sala fria
O cortejo fúnebre
Num dia húmido
De tons lúgubres.

Eu ouvia
Os passos acompanhantes
Um chiar de sapatos
Em compassos andantes
Cabisbaixos no asfalto.

Eu sentia
O peso do ataúde
Na troca de mãos
Compassivos e rudes
Como numa prova
Levavam o féretro
A caminho da cova.

Eu ouvia
Por entre névoas
A marca do esquife
O sino em repique
Uma parada macabra.

Eu via
Pela frincha o sineiro
No campanário
Um quasímodo ordinário
Funesto
Suado
Controlando o badalo.

Eu sentia
O frio do inverno
O nada eterno

Eu ouvia
O sibilar da morte
Do alísio do norte

Eu não vejo
Céu ou inferno
Apenas
Um dia menor
A falta de sorte
Flores e lutos
No séquito da morte.

Jaime, inverno de 2009.

Aos funerais que eu observava pela fenda da janela na cidade do interior.

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Se o mundo tem Samuel Beckett, nós temos o Zé Limeira " O Poeta do Absurdo"

"Jesus foi Home de fama
Dentro de Cafarnaum …
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum …
No sertão do cariri
Vi um casá de siri
Sem cumprimisso nenhum".
"Napoleão era um
Bom capitão de navio:
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo,
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio".
"Meu verso merece um rio
Todo enfeitado de coco,
Boa semente de gado,
Bom criatório de porco …
Dizia Pedro Segundo
Que a coisa melhó do mundo
É cheiro de arroto choco"
"É difice um home moco
Apredê pirnografia.
Um prefessô de francês
Honestamente dizia:
Tempo bom era o moderno
Judas só foi pró inferno
Promode a Virge Maria".
"São Pedro, na sacrïstia,
Batisou Agamenon …
Jesus entrou em Belém
Proibindo o califon,
Montado na sua idéia,
Nas ruas da Galiléia
Tocou viola e piston".

Zé Limeira.

terça-feira, 19 de maio de 2009


"Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a idéia da inexistência de Deus, o homem inventou Deus para poder viver sem se matar". Fiodor Dostoievski


Malucos e Oráculos


Não frequento oráculos
Na minha vida um obstáculo
Não vou aos oráculos
O fanático se torna máculo
Se isto é sabedoria
Na vida quero ser laico
Não visito oráculos
Tabernáculos
Ou tudo que lembre tentáculos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009


"Aquilo que vivemos no sonho, e que vivemos repetidas vezes, termina por pertencer a economia global de nossa alma, tanto quanto 'realmente' vivido". Nietszche


O SONHADOR


Talvez eu equivocado
Trilhe a polêmica
Correndo certo caminhos tortos
Talvez a verdade não sejam os sonhos
E o mundo pertença aos demônios
O racional seja o mal
A luta pela sobrevivência
Seja além do animal
Isto, o natural
Talvez a natureza
Num erro de criação
Além dos dualistas
Criou o sonhador
Transformou-me em metáfora
Poeta
E, Eu e outros patetas
Vivemos o nada filosófico
Utopias
Mundos alternativos
No propósito do despropósito.

quinta-feira, 26 de março de 2009


ESCÓRIA

Uma cria parda, têz insalubre
Pai, um pária, amante dos destilados
Mãe, vida fácil, amante dos desvairados
Vida bastarda, trejeitos rudes

Vai conhecer outro sujo, bastardo
Tal qual o pai, confraria dos pulhas
Assim como a mãe, madame amargura
Para o moto-contínuo dos desgraçados

Acostuma-te a vida miserável
Ao desdém dos bem nascidos intragáveis
Pega os restos que te são oferecidos

Revolta-te contra o estado que te marca
Saqueia e mata o carrasco de tua via sacra
Ou ora a teu deus na procissão dos esquecidos

*Imagens: Paulo Freire, Bertold Brecht, P. J. Proudhon, Eduardo Galeano


A TEMPESTADE *

Eis o progresso
A abjeção dos afortunados
Dos vampiros abastados
E o resto?

Eis o resto, indecisos
Aumentando o lixo
Vivendo feito bixos
Marginais dos ventos do paraíso

Eis os malditos
De vida chifrin
Amontoando detritos

Eis a escória
Do Querubim de Benjamin
O anjo da história.

Olhando o lixo, como Walter Benjamin e sua visão do quadro de Paul Klee "Angelus Novus".
"Aquilo a que chamamos de progresso é este vendaval".

*Imagens: Walter Benjamin e o quadro de Paul Klee "Angelus Novus"

A NOSTALGIA DA LAMA *

Frequentei o Bar dos perdidos
Em conversas de subterrâneos
Acatando a razão dos enganos
Entre bêbados, drogados e esquecidos

Visitei a escória das bacantes pobres
Em meio a caterva dos indecentes
Laudanos, bebidas, amor ardente
Nunca achei companhias tão nobres

Amei o tugúrio dos edonistas
O doce prazer que engana
Os decadentes artistas

Sou o poeta devasso
A nostalgia da lama
O social em descompasso.

Como sempre amei os subterrâneos.

Minha homenagem a "Nostalgie de La Boue" de Baudelaire.