domingo, 9 de junho de 2024


 TEMPOS

Ah, o tempo passou
Mas o passado
Ainda não se perdeu
Sobrevive nos meus pensamentos
Como uma película
Trazendo momentos
Mostrando lugares
As ânsias
Os risos
Os amores
A rebeldia
As dores
Os encontros
Namoros.
Ah, o tempo
Este passado atrevido
Invade meus sonhos
Transformando-me em herói
Iludindo-me
Em conquistas utópicas
Das velhas paixões
Que não vou mais ver
E, só
Em sonhos viver.
Ah, o tempo passou
E eu, com saudades
Gostaria de ver
Todos os rostos
De quem eu amei
Dos amigos de festas
Dos bares e garotas
Que algumas nunca sonhei.
Ah, o tempo
Me faz pensar
Em ermos lugares
Clubes, pousadas
Acampamentos
Bares
Fogueirinha e amor
Na beira dos mares
E assim lembrarei
Até a vida acabar.
Ah, o tempo
Quero-te na morte
Lembrar os momentos
No fim e no nada
Lembrar meus fantasmas
Dos sonhos de jovem
Dos dias, das noites
Das canções
De todas as loucuras
Das minhas ilusões.
Ah, o tempo passou
Mas às vezes
Volto a viver
Nos pensamentos correr
Olhando o ar
Recordando...
E como um tolo menino
A sorrir e chorar.
Com o passar do tempo, o pensamento que todos nós sentimos quantas histórias, quantos momentos, quantas loucuras, quantas paixões de doer o peito. Quanta gente jovem reunida, como na poesia, quantas aventuras e emoções que hoje lembramos e que um dia vai se perder no espaço e no tempo, como a chuva e depois o sol. As emoções do fulgor da juventude, os acertos, as mancadas, sem compromisso, a rebeldia e o sorriso fácil. Esta é a melhor época da vida que apesar das dores da saudade, eu confesso que vivi. Jaime Baghá -

quinta-feira, 6 de junho de 2024


VOCÊ
Você maldita você
Que há tanto tempo procuro
Que a tanto tempo perdi
E nunca mais me encontrei.
Procurei você nas ruas
E só me ouço passar
Procurei você no mar
Mas o mar não tem mais porto.
Procurei você na rosa
Que no deserto nasceu
Mas a rosa fez-se em pó
Que o vento do tempo varreu.
Procurei você na infância
Mas a infância envelheceu
Procurei você na árvore
Mas alguém transformou em semente
Na madrugada dos deuses
Que todos os bares fecharam.
Procurei você na vida
Na prisão, no cadafalso
Na cama sempre vazia
Onde outras mulheres achei.
Procurei você no canto
Que as ondas tiram da areia
O pássaro, eterno escravo
Que na prisão da existência
Ainda cantou liberto.
Procurei você em tudo
Mas o tudo virou nada.
Procurei você no espelho
E o espelho se partiu.
Olhei para os cacos e andei
Tornei a lhe procurar
E nunca mais me encontrei.
Eu querendo ser um poeta do amor como meu amigo Amaro Castilhos.
Jaime = Quadro: Os Amantes de René Magritte
Todas as reações:
Neuza Miguel Nunes, Volnei Monteiro Alves e 2 outras pessoas




VOCÊ
Você maldita você
Que há tanto tempo procuro
Que a tanto tempo perdi
E nunca mais me encontrei.
Procurei você nas ruas
E só me ouço passar
Procurei você no mar
Mas o mar não tem mais porto.
Procurei você na rosa
Que no deserto nasceu
Mas a rosa fez-se em pó
Que o vento do tempo varreu.
Procurei você na infância
Mas a infância envelheceu
Procurei você na árvore
Mas alguém transformou em semente
Na madrugada dos deuses
Que todos os bares fecharam.
Procurei você na vida
Na prisão, no cadafalso
Na cama sempre vazia
Onde outras mulheres achei.
Procurei você no canto
Que as ondas tiram da areia
O pássaro, eterno escravo
Que na prisão da existência
Ainda cantou liberto.
Procurei você em tudo
Mas o tudo virou nada.
Procurei você no espelho
E o espelho se partiu.
Olhei para os cacos e andei
Tornei a lhe procurar
E nunca mais me encontrei.
Eu querendo ser um poeta do amor como meu amigo Amaro Castilhos.
Jaime = Quadro: Os Amantes de René Magritte
Pode ser arte
Todas as reações:

domingo, 19 de maio de 2024

quinta-feira, 2 de maio de 2024


 DEJAVÚ

Eu caminho nos desvios
Padeço e sobrevivo
Feito um cachorro vadio.
Não programo meus caminhos
Não traço objetivos
Pra não ter que aturar
Elogios familiares
E um babaca empertigado
No meu túmulo a discursar.
Não quero ser o exemplo
Queria ser vagabundo
Aproveitar o pouco tempo
Caminhando pelo mundo.
Sou o Cândido de Voltaire
Nesta miséria humana
Sou o que nada quer
E quem me quer me engana.
Sou o miasma que o sangue medra
Louco da Divina Comédia
Paria dos sociais bandidos
O que na vida anda perdido.
Observo os homens
Razão por não querer ter nome
Racional de paixão incompleta
Que me faz maldito poeta.
Sou o nada
Uma trapaça
Não quero a grande farsa
Arranco a minha máscara
Exponho a minha carcaça.
Não sou o que machuca o mundo
Que adora o Deus absurdo
Que mata a própria espécie
Ora para a utopia
E no paraíso padece.
Sou dos meus iguais o inviso
Senil que não perdeu o juízo
Sem apego aos objetos
Porque morre e vira dejeto.
Sou o engano
Profundamente humano
Que sofre por ser
Não ser
O que vê
E não quer ver
O não sei...
Eu
O ser...
O que faço aqui na poeirinha da poeira? – Jaime Baghá

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024



 Os dias em que passamos nas montanhas, são os dias em que realmente vivemos. Quando as cabeças se limpam das teias de aranha e o sangue corre com força pelas veias. Quando os cinco sentidos cobram vitalidade e o ser mais completo se torna mais sensível. Então se pode ouvir as vozes da natureza e ver as belezas ao alcance dos mais ousados.

Eu e meu filho nas montanhas, sempre que podemos estamos lá. (clique)
Todas as rea

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023


 O Mar é de quem o sabe amar.

Jaime Baghá

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023


 

LIMITE

 

Livra-te da condição humana

Do teu semelhante danado

Que por ganância engana

Do amor que foi negado

Da incompreensão que te profana.

 

Acabe com teu tormento

Procure a tua droga

Com a classe dos perdidos

Ao som da ópera majestosa

Dissolva teus elementos

 

Não chore sozinho poeta

Tenha a grande solução

Termine teu sofrimento

Acabe com tua dor

Use a dissolução

 

Tua alma vai ao nada

Como tua vida mutilada

Tua amargura latente

Tendo como escora as palavras

E paraísos inexistentes.

 

Vá para o céu ou inferno

Para o corredor dos desesperados

Ou para o nada eterno

Mas, livra-te do que te dana

Da podre condição humana.

 

O inferno do outro. – Jaime outono 2005

 

 

 

 

DOUS

 

Tenho duas vidas

Uma é o acaso

A outra

Entre os labirintos das palavras.

terça-feira, 21 de novembro de 2023


 Eu que bebi da racionalidade desde as primeiras gotasdo leite materno, não posso ir contra a uma política que olha o ser humano como a coisa mais sagrada de todas as coisas.

Jaime Baghá

terça-feira, 14 de novembro de 2023


 

O MEU VALIOSO TEMPO

 

Tenho tantos escritos

Tantas anotações

Poemas, motes

Inspirações

Que vivo perdido

Entre textos e noções

 

Tenho sempre algo inacabado

Agendas lotadas

Cadernos rabiscados

Poesias incompletas

Caixas abarrotadas

 

Tenho papeis por toda a parte

Encima dos armários

Nas escrivaninhas

Nos bolsos

Em lugares estranhos

Nos cantos

Em baús

De todos os tamanhos

 

Tenho pensamentos

Incertezas

Metáforas

Clarezas

Absurdos

 Acertos e Enganos

 

Tenho escritos nos guardanapos

Caixa de Cigarro

Papeluchos e trapos

Papel de pão

Papel de embrulho

Tudo é usado para a inspiração

 

Tenho anotações

Em caixas de remédio

Papeis de chocolate

Capas  de filme

Blocos ao lado da cama

Além do meu moleskine

 

Tenho diversos lápis

 Canetas distintas

Sheaffer, Parker

Esferográficas e tintas

Bic, Pentel e Cross

De aprendizes a professores

Só não tenho a Mont Blanc

Personalizada dos escritores

 

 

 

Tenho inspiração

Devaneios e chistes

Sempre uma anotação

Escritos inacabados

Poemas sem fins

Nos bolsos amarrotados

Indiferente ao meu final

A morte em meio a loucura

Dos meus papéis rabiscados.

 

Jaime Bahá - -  A loucura que me faz viver.

 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

não digam nunca:
isso é natural!
diante dos acontecimentos de cada dia
numa época em que reina a confusão
em que corre o sangue
em que o arbítrio tem força de lei
em que a humanidade se desumaniza
não digam nunca:
isso é natural!
para que nada possa ser imutável!

Jaime Baghá

quinta-feira, 26 de outubro de 2023


 

Morte

Serei breve

Como cabe a um moribundo

Pois minha alma leve

Tem ânsias de ganhar o outro mundo

Aos amigos mais chegados

Deixo um pedido à toa

E não se trata ó bastardos

De consolar minha patroa.

Antes que este fio de luz se vá

E eu me perca na noite profunda

Enxotem o padre a golpes de pá

E as carpideiras com chutes na bunda.

Depois hidromel

Vinho doce

Agua e farinha branca

Com isso partirei fluidoflamante feliz

Passarei a eternidade

A comer margaridas pela raiz.

Poesia de velho - Jaime Baghá

sábado, 30 de setembro de 2023

SOLIDÃO

 As vezes é difícil viver na penumbra

Em meio à anomia provinciana

Fica uma viagem maluca

Sonhando o lúdico

Em meio aos personagens surdos

Em derrisão

Imbecis de hilárias bisbilhoteiras

Rindo da própria estupidez

Das piadas da elite retrógada

Da falta de lucidez.

 

As vezes não é fácil viver mudo

Solitário

Lendo “Poema Sujo”

Sem ter alguém para comentar

Sair para as ruas

Sem ter alguém para ouvir

Sem ninguém para falar

 

Às vezes é difícil viver a erudição

Em meio a pouca educação

Inclusive dos mais próximos

Que vivem do ócio

Alguns infernais

Toscos de feridas expostas

De agressivas respostas

E a mente vazia

Sem estro

Sem vida

Sem  sonhos

E poesia.

 Como dizia Mario de Andrade,  “Eu insulto o burguês funesto”. Jaime