INDIGNAI-VOS
O livro de Stéphane Hessel, “Indignai-Vos” (Indignez Vous), ultrapassou os 500 mil
exemplares em vendas, nele Hessel convida para que as pessoas façam um
envolvimento social e político para um mundo diferente e mais igualitário. No
seu opúsculo, mas grandioso livro, ele fala aquilo que todos vemos e não nos
indignamos, porque estamos cegos em ser aquilo que a mídia comparsa quer. Não
vimos a vergonha de uma sociedade doente perniciosa e corrupta, uma oligarquia
de ricos e poderosos junto com políticos canalhas, comprados pelos mercados
financeiros, abandonando os valores de uma democracia moderna e decente. Hessel
conclama por todos os tipos de indignados, principalmente os mais jovens, em
sua maioria agindo como zumbis para o consumismo moderno. “Aos Jovens eu digo:
olhem a sua volta e vocês encontrarão os temas que justificam a sua
indignação”. Hessel sofre acusações por
parte de algumas organizações judaicas, porque se solidariza com o sofrimento
dos palestinos, estas organizações esqueceram o que Hessel nunca esqueceu, como
judeu perseguido que passou por campos de concentração e lutou bravamente na
resistência francesa contra os nazistas.
Diplomata, embaixador e participante da Declaração Universal dos
Direitos Humanos em 1948, Hessel sabe bem o que fala.
Fiquei muito surpreso ao abrir o livro de Hessel, não pelo
conteúdo, o qual eu já tinha uma expectativa do que se tratava, mas por
deparar-me na primeira página, com a figura de um quadro de Paul Klee, “Angelus
Novus”, em que Hessel se refere ao comentário do filósofo alemão Walter
Benjamin, que foi o primeiro proprietário da obra e sobre a qual ele via um
anjo repelente. Benjamin falava da “tempestade que chamamos de progresso”.
Minha surpresa é que numa postagem em meu blog em 26 de março de 2009, coloquei
uma poesia de minha autoria chamada “A Tempestade”, onde eu mostro uma foto de
Benjamin e o quadro de Paul Klee. Minha poesia também é uma indignação contra
as atitudes dos afortunados e políticos, dos que obtém lucro na devastação.
“Aquilo que chamamos de progresso é este vendaval”, ela foi composta em 1999 sem que eu nunca tivesse ouvido falar do Sr. Hessel. Muitas vezes me refiro como um “cara que anda sempre
na contramão”, é uma ironia referente às minhas posições que
carrego desde muito jovem. Vendo a opinião de Stéphane Hessel e da grande
maioria dos escritores, filósofos e ativistas políticos com responsabilidade
moral e social, fico muito feliz em ter esta linha de pensamento. Minha poesia
publicada nas primeiras postagens deste blog com a mesma indignação, numa visão
que antecipa a obra de Hessel, fortalece o meu pensamento e dos
que amam o planeta terra e seus semelhantes.
“Ceux que marchent contre Le vente”, os que andam contra o
vento, nome que foi pego emprestado dos Omahas (povo indígena da América do
Norte da família dos Sioux), para dar nome a esta coleção do livro de Hessel.
Acho que também sou um dos: “Os que andam contra o vento” e creio que vou
morrer na contramão, um socialista libertário sem expressão de uma província do
interior, um rebelde sem pausa.
Jaime Baghá
Jaime Baghá
Um comentário:
Sigo-te na contramão! ;-)
Mad
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