segunda-feira, 24 de maio de 2021


 OS SONHOS

A ganância e o poder politico esta presente nos mecanismos mais sutis de permuta social, não somente no Estado, nas classes, nos grupos, mas também nas modas, opiniões correntes, espetáculos, jogos, esportes, relações familiares e particulares e até nos impulsos liberadores que procuram contestá-los. Todo discurso de poder gera culpa, não só na sua história política e histórica. Há os novos pastores ligados ao poder, os cães dos pastores e as ovelhas, eles manipulam “espiritualmente” a sociedade, os homens, as armas e junto com o poder mantém a todos, uma parte iludida e dando vivas ao carrasco, hipnotizados pela mentira que entra nos seus aparelhos de informação. O poder é um parasita de um organismo transocial ligado a história dos homens que fazem um sistema de regras onde impera o ódio, a fome, a doença, a miséria e a pobreza. O poder chega ao fascismo como dispositivo modelizante e secundário,  com sua epifania ameaçadora criadores de sub-raças e seus modelos, seus argumentos demagógicos que vemos nos meios de comunicação do poder em nível jornalístico cotidiano. Por isso digo NÃO, sou da época de Aquarius, e mesmo mais velho vivo na contramão do establishment e sempre vou dizer NÃO a submissão dos cidadãos em determinados estados. Não há caminho para a paz e a paz é o caminho e a única opção para se viver em harmonia e se você quer paz, trabalhe contra a injustiça, a justiça não vem sozinha,  devemos fazer nossa parte para alcança-la, quem quer justiça defende a vida, a inteligência a serviço do amor e da compreensão. Guerras, violência, ódio e abusos não leva a lugar nenhum, só a dor. Como dizia John Lennon, sonhe com este mundo e faça acontecer. Como eu disse, sou desta época, por isso sempre digo NÃO a irracionalidade porque sem os sonhos não posso viver.   Jaime Baghá

quinta-feira, 20 de maio de 2021

MÁGOAS

 

Ali

Aqui

As mágoas.

 

Conhecidas

Vividas

Escondidas

As mágoas.

 

Provei

Provoquei

Chorei

Causei

As Mágoas.

 

Contristado

Dolorido

Desagrado

Ferido

Pelas mágoas.

 

Mas são os rancores

Os falsos

Ou outros amores

Que causam a ferida

E marcam meu coração

As mágoas da vida.

 

Tentando explicar as mágoasJaime Bagha  
 

sábado, 8 de maio de 2021


 Nossa barca elevada nas brumas imóveis navega em direção ao porto da miséria, a cidade enorme de céu sujo de fogo e lodo

Quando iremos, enfim, para além das praias e das montanhas saudar o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos tiranos e dos demônios, o desaparecimento da superstição; quando iremos adorar - os primeiros! - a Natividade sobre a terra? O canto dos céus, a marcha dos povos!
Escravos, não amaldiçoemos a vida.
Acho que a poesia de Rimbaud se encaixa com este momento em que vive este país. Jaime Baghá

quarta-feira, 5 de maio de 2021


 O SER

Nesta imensa teia

O ser caminha

E ao invés de viver, tateia

Procura por algo

Às vezes sem razão

Amargo

Cria a dor

Constrói feridas

Às vezes o amor

Alegre, dolorido

O ser se diz

Em vários sentidos

Esquece a grandeza

O caminho da vida

Cria labirintos

Antecipa o partir

Esquece-se de tudo

Do existir

O agora e o ser

O doce sopro

Deste diminuto

Viver

Não pode ser

Fim da estrada

Nem viver

É o nada.

Jaime Baghá – Existencialista, assim como Sartre, “O Ser e o nada.”

domingo, 2 de maio de 2021



MAMBO

 

Dancei um mambo

Encima da tua cama

Olhando teu corpo nu

Ouvindo Smooth de Santana

Na mão, champagne

Gotas no teu umbigo

Ménade em risos

Na cama

Dançando um mambo

Numa orgia louca

Sacana

Ao som Smooth de Santana.

 

Jaime Bagha

quarta-feira, 28 de abril de 2021

BAGHÁ O OBSCURO * (ou Ápeiron)

Amanheci interiorano

Vou para beira do mar

Escrever no promontório

Ficar longe dos Dórios

Que sabem pouco o amar.

 

Além dos desenganos

Sinto o ar do oceano

Longe da afasia

Solitário

Manhã, cedo

Parado numa ataraxia

Sem a lira

Sem enredo

Mas poeta

Mais Aedo.

 

Esqueço os simples mortais

Suas banais cerimônias

Viajo pelo éter astral

No arque das cosmogonias

E os pífios de tão cegos

De quase vazios cérebros

Escolheram seus destinos

Vão para as sombras de Érebos.

 

Não quero suserania

Só etéreo em meu ego

Viajar nas poesias

Como Homero o cego

Indiferente aos povos

Quero ter a plenitude

Na harmonia do logos.

 

Não cultuo rapsódias

Como o senhor do certo

Acho que são paródias

De um poeta eclético

Pois a moral de tudo

É que vivo neste mundo

Uma odisseia louca

Um Ulisses vagabundo.

 

Uma analogia a Heráclito de Éfeso – Jaime Baghá
 

sábado, 24 de abril de 2021


 O PODER DA FRAUDE

Fuja das seitas de dinheiro e politica, da alienação e caminhe com a cultura, com a ecologia, com a sensatez, com a poesia e seja feliz nesta curta existência. Não gosto da histeria, da loucura, gosto da poesia e da brandura. Abomine os sacrifícios de aberração e rituais malucos, para ser feliz precisamos de amor, temos uma religiosidade do inconsciente, do vórtice, da diferença, uma insegurança ideológica e do progresso junto com o jogo cíclico das crises econômicas. Temos um Deus tornado leigo e infinitamente ausente que acompanha o pensamento contemporâneo  manipulado na voz do fanático. Com a cultura sabemos quem é ele no manuseio dos homens gananciosos e falsos pastores, porque tudo explodiu no renascimento da psicanálise, na redescoberta de Nietzsche e de Heidegger, tivemos uma ruptura no modo de pensar o sagrado, aprendemos a ver com a crise, seja do otimismo marxista, ou seja, daquele liberal. Esta religiosidade vazia para entreter e lucrar com as pessoas, invadiu o pensamento da assim chamada esquerda que vê a maquinação e o engano com outra ótica, na verdade nem necessita muito esforço, vendo pastores vendendo feijões milagrosos para curar a pandemia, lembro-me de minha juventude e de  malucos tipos Jim Jones e o reverendo Moon.   Para mim e para quem procura conhecer os homens do mundo, certas resposta deve ser procurada em Freud e Lacan e não nos filósofos embusteiros, na turma do ódio, na nova direita brasileira ou na confraria dos charlatães  enganadores que manipulam o povo imbecilizando-os para manipular o poder. Como dizia Ariano Suassuna, “O fanatismo e a inteligência nunca moraram na mesma casa.”   Jaime Baghá

domingo, 18 de abril de 2021


Sou um brasileiro de estatura mediana, hermético, olhos castanhos que olham no interior por trás de óculos escuros e estou sempre longe noutra situação resolvendo algum problema dos meus loucos pensamentos. Falo muito para alegrar poucos, pouca besteira, excessivamente educado, desajeitado, roupas largas, pouca vaidade na aparência, aceito a vida fatalisticamente pensando em alterar tudo. Tenho ideias estranhas e mórbidas, mas original como realmente tinha que ser, tenho ainda um espetacular senso sardônico de humor negro.

segunda-feira, 12 de abril de 2021


 

PALAVRAS

 Que infernos são estes

Que habitam meu interior?

São as guerras das palavras

São as lutas do meu eu

Numa infindável batalha

De desvendá-las

Perdê-las

Juntá-las

Não deixar morrer

E revive-las em contos

Em versos

Para construir meu universo

 

Na loucura de minha mente

Inquieta

Procuro a resposta certa

Encontro linguagens erradas

E construo meu texto

Com nexo

Levado pelas palavras

 

Não quero o lírico

A rima

A métrica

Quero o verso livre

Achar a palavra

Que resuma meus anseios

 

Quero construir meus versos

Sonetos malucos

Fragmentos do meu eu

Saboreando-os

Num banquete sem fim

Nos devaneios dos meus pensamentos.

 Jaime Baghá  -  Numa incansável  procura pelas palavras.

quinta-feira, 8 de abril de 2021


 QUAL O FUTURO DO TRABALHO?

Além dos gigantes como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, as plataformas ocupam outros setores como finanças, hotelaria, transportes, comercialização e distribuição de mercadorias, entrega de comida a domicilio. Outrora apoiado em edificações distribuídas pelos espaços físicos nas cidades e arredores, o comércio, atacado e varejo, baseado no contato pessoal entre funcionários vendedores e clientes vem sendo substituído pelo e-commerce. Assim a economia fica na mão de poucos e o trabalhador na precarização e no empobrecimento vive numa bolha cada vez mais inflada e você o tolo, sem conhecimento que só fala o que vê e o que ouve, não se instrui e não lê, bate palmas para o carrasco imbecil que provoca a tua própria desgraça.   Jaime Baghá

segunda-feira, 29 de março de 2021


 SEM JEITO

 Sou inquieto

Não fixo lugar

Onde reina o falso discreto.

Ando olho, observo

Comento, gesticulo

Um estorvo

Avesso ao teatral decoro.

Só a alma é latente

O físico corre

Dissimulando a mente

Ironizando o ridículo

Às vezes louco

Às vezes indecente.

Pondo a nu o protocolar

Reunião social

Zumbaia familiar

Para não acomodar

O eu marginal.

 

Sem jeito, velho e na contramão. – Jaime Baghá – verão de 2000

 

Tenho uma tendência a fazer o contrapeso lançando luz sobre uma área do pensamento que não esta sendo enfatizado, e vivo fora do consenso para manter meu olhar livre e contribuir com mais clareza para a visão geral. O problema é viver numa sociedade que não enfatiza nada e não pensa.

 

terça-feira, 23 de março de 2021


 Dor

 Qual o sentido de não haver mais sentido

Qual o caminho quando não houver estradas

Qual o desejo quando não houver mais amor

Qual é a porta quando não se tem mais saída

Qual o desespero quando não se tem mais dor

Qual é a liberdade quando não se é livre como o vento

Qual são as ilusões quando não se tem mais sentimentos.

 Vi numa amiga – Jaime Baghá

terça-feira, 16 de março de 2021


 SEM A LOUCURA

Sem minha loucura não tenho vida, não tenho sonhos, quimeras, não tenho energia, devaneios e uma aura criativa por menor que seja. Necessito do além do racional para poder observar, para raciocinar a loucura da trajetória e da caminhada humana. Necessito ver além da fachada, procurar ver por baixo das máscaras, juntar palavras e transformar o pequeno verso tosco num despertar de sentimentos, para ser poesia, texto, para ter corpo e alma e eu ufanar-me com o meu desvario.   Jaime Baghá

quinta-feira, 11 de março de 2021


 AS PRAGAS QUE NOS OPRIMEM.

Temos que procurar uma identidade, acabar com certas elites, o louco de plantão e seu profundo mal, sua identidade doentia com um neoliberalismo e sua máxima de produzir competição até a devastação gerindo sofrimento e miséria. Tudo aumenta de forma espantosa e com a recessão nosso PIB é o pior em mais de 30 anos, esta vergonha será uma mancha indelével na nossa dignidade, rebaixada para sempre na comunidade internacional onde teremos que viver nesta regressão civilizatória. Seremos sempre um país infeliz que esta sempre a espera de um “mito.” Um povo inteligente que ânsia o progresso, não pode acreditar que o autoritarismo que implica no caos traz a ordem, na verdade o Brasil esta um país doente, além da peste a patologia nacional e a incompetência do governo, o vírus que se alastra e os poucos recursos, o desdém, o deboche, o tráfico de influência que é uma tradição no nosso sistema político agora é uma influência muito mais maligna e o canalha é o cara que manda. Jamais devemos optar por alguém que prega o ódio e a violência, Bolsonaro trafega na névoa, nada sabe a respeito de coisa alguma, um títere parlapatão que neste momento serve aos desígnios dos eternos donos do poder, é um governo de destruição nacional um governo omisso, incapaz, mentiroso, negacionista e homicida. Batemos recordes diários do número de casos e mortes e assim como tudo, sem previsão de melhora em curto prazo. Protesto e não me calo porque este governo é um desaforo, uma vergonha e eu sou de uma época que jovens lutavam pela democracia e os poetas vaziam versos como Chico Buarque e cantavam nossa liberdade, sou de uma geração que cantávamos com Jim Morrison, “We want the world, and we want it now,” Nós queremos o mundo, e queremos agora. Jaime Baghá

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021


 

PALAVRAS

 Que infernos são estes

Que habitam meu interior?

São as guerras das palavras

São as lutas do meu eu

Numa infindável batalha

De desvendá-las

Perdê-las

Juntá-las

Não deixar morrer

E revive-las em contos

Em versos

Para construir meu universo

 

Na loucura de minha mente

Inquieta

Procuro a resposta certa

Encontro linguagens erradas

E construo meu texto

Com nexo

Levado pelas palavras

 

Não quero o lírico

A rima

A métrica

Quero o verso livre

Achar a palavra

Que resuma meus anseios

 

Quero construir meus versos

Sonetos malucos

Fragmentos do meu eu

Saboreando-os

Num banquete sem fim

Nos devaneios dos meus pensamentos.

 

 

Jaime Baghá  -  Numa incansável  procura pelas palavras.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021




GOSTOS

Não gosto da roupa da moda

Do lugar da moda

Da música da moda

Incomoda-me.

 

Não gosto de quem causa dor

Do político conservador

Da falta de gosto do emergente

Do vulgar Indecente

 

Não gosto do som alto no carro

Bad boy otário

Pessoa fútil

Trapaceiro e inútil

 

Não gosto do burguês arrogante

Dos rebentos ignorantes

Do fascista

Quem no mal insista

 

Não gosto do político canalha

Do cínico, covarde

Do alto falante

Poluindo a cidade

 

Não gosto de quem polui

Pela diferença exclui

Que destrói o verde e o mar

Quem causa ao planeta todo mal

 

Não gosto do ignorante

Da traição e do farsante

Dos gritos de briga

Desaforos e intrigas

 

Não gosto da desordem

De tudo na ordem

De guerra e militar

De jogos de azar

 

Não gosta da bomba

De quem zomba

Jogo de bingo

Pós domingo

 

Não gosto de despejo com policia

Do doente racista

Da confusão

De falta de educação

 

Não gosto das confrarias

De quem não respeita as artes

Homens com estandartes

Grupelhos e misantropias

 

Não gosto do vulgar

De cidade sem mar

Do governo ditador

Da falta de amor

 

Não gosto da mentira

De quem a primeira pedra atira

Do falso intelectual

De máscara neoliberal.

 

Tem coisas que a gente não gosta – Jaime Baghá

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021


Pensador

É aquele que pensa

O que a mente comum não consegue pensar.

Pensador é o profano

Bendito, insano

Profeta do infinito.

Pensador é o solitário

Que vê, procura

De muitos porquês

O que define a vida

Sonha, faz à alternativa.

Pensador é o que muda o mundo

Oferece a utopia

Do incerto ao certo

Dentro de um plano

De anjo e demônio

Que os Deuses me protejam

De ti pensador.

Louco, praga da natureza

Dos poetas o estro

Mas que por certo

O que mais me aproxima

De todo o universo.

Para quem não vive só de prato e bispote. Jaime Baghá

terça-feira, 19 de janeiro de 2021


 Sem norte

 

Eu não sabia

Que amores ficavam

Pelos caminhos

Eu não sabia

Que um dia

Ficaria assim sozinho.

 

Eu não sabia

Destinos e rumos

Da traição do tempo

Eu não sabia

Que vinham os fantasmas

Só cabelos ao vento.

 

Eu não sabia

Nas minhas alegrias

Ficar triste assim

Eu não sabia

Quem era você

Nem conhecia a mim.

 

Para quem ficou pelo caminho, e se perdeu...- Jaime Baghá

O FALSO

 Não gosto

Daquela gentileza

Aquele sorriso esperteza

Não gosto

Daquele elogio

Com tapas nas costas

E o abraço tão frio

Não gosto

Da aproximação fantasia

Amigo metáfora

Alegoria

Não gosto

Quem me faz tão alto

E toda aquela alegria

Convencional de um falso.

 O falso sempre me aborrece.  Jaime Baghá -  inverno 1998.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021


 PROCELA

Por detrás do morro a lua surge

Tentando vencer as nuvens negras da tempestade

O vento forte canta o hino dos vendavais

A transformação é rápida

De cintilantes estrelas

Para os clarões de raios

Do luar de silhuetas e formas

Para o escuro breu do temporal

Trovões como ensurdecedores tambores

Anunciam a mudança na natureza

E o vendaval me causa medo e fascínio.

 

A tempestade entre as montanhas do interior. – Jaime Baghá