quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021


 

PALAVRAS

 Que infernos são estes

Que habitam meu interior?

São as guerras das palavras

São as lutas do meu eu

Numa infindável batalha

De desvendá-las

Perdê-las

Juntá-las

Não deixar morrer

E revive-las em contos

Em versos

Para construir meu universo

 

Na loucura de minha mente

Inquieta

Procuro a resposta certa

Encontro linguagens erradas

E construo meu texto

Com nexo

Levado pelas palavras

 

Não quero o lírico

A rima

A métrica

Quero o verso livre

Achar a palavra

Que resuma meus anseios

 

Quero construir meus versos

Sonetos malucos

Fragmentos do meu eu

Saboreando-os

Num banquete sem fim

Nos devaneios dos meus pensamentos.

 

 

Jaime Baghá  -  Numa incansável  procura pelas palavras.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021




GOSTOS

Não gosto da roupa da moda

Do lugar da moda

Da música da moda

Incomoda-me.

 

Não gosto de quem causa dor

Do político conservador

Da falta de gosto do emergente

Do vulgar Indecente

 

Não gosto do som alto no carro

Bad boy otário

Pessoa fútil

Trapaceiro e inútil

 

Não gosto do burguês arrogante

Dos rebentos ignorantes

Do fascista

Quem no mal insista

 

Não gosto do político canalha

Do cínico, covarde

Do alto falante

Poluindo a cidade

 

Não gosto de quem polui

Pela diferença exclui

Que destrói o verde e o mar

Quem causa ao planeta todo mal

 

Não gosto do ignorante

Da traição e do farsante

Dos gritos de briga

Desaforos e intrigas

 

Não gosto da desordem

De tudo na ordem

De guerra e militar

De jogos de azar

 

Não gosta da bomba

De quem zomba

Jogo de bingo

Pós domingo

 

Não gosto de despejo com policia

Do doente racista

Da confusão

De falta de educação

 

Não gosto das confrarias

De quem não respeita as artes

Homens com estandartes

Grupelhos e misantropias

 

Não gosto do vulgar

De cidade sem mar

Do governo ditador

Da falta de amor

 

Não gosto da mentira

De quem a primeira pedra atira

Do falso intelectual

De máscara neoliberal.

 

Tem coisas que a gente não gosta – Jaime Baghá

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021


Pensador

É aquele que pensa

O que a mente comum não consegue pensar.

Pensador é o profano

Bendito, insano

Profeta do infinito.

Pensador é o solitário

Que vê, procura

De muitos porquês

O que define a vida

Sonha, faz à alternativa.

Pensador é o que muda o mundo

Oferece a utopia

Do incerto ao certo

Dentro de um plano

De anjo e demônio

Que os Deuses me protejam

De ti pensador.

Louco, praga da natureza

Dos poetas o estro

Mas que por certo

O que mais me aproxima

De todo o universo.

Para quem não vive só de prato e bispote. Jaime Baghá

terça-feira, 19 de janeiro de 2021


 Sem norte

 

Eu não sabia

Que amores ficavam

Pelos caminhos

Eu não sabia

Que um dia

Ficaria assim sozinho.

 

Eu não sabia

Destinos e rumos

Da traição do tempo

Eu não sabia

Que vinham os fantasmas

Só cabelos ao vento.

 

Eu não sabia

Nas minhas alegrias

Ficar triste assim

Eu não sabia

Quem era você

Nem conhecia a mim.

 

Para quem ficou pelo caminho, e se perdeu...- Jaime Baghá

O FALSO

 Não gosto

Daquela gentileza

Aquele sorriso esperteza

Não gosto

Daquele elogio

Com tapas nas costas

E o abraço tão frio

Não gosto

Da aproximação fantasia

Amigo metáfora

Alegoria

Não gosto

Quem me faz tão alto

E toda aquela alegria

Convencional de um falso.

 O falso sempre me aborrece.  Jaime Baghá -  inverno 1998.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021


 PROCELA

Por detrás do morro a lua surge

Tentando vencer as nuvens negras da tempestade

O vento forte canta o hino dos vendavais

A transformação é rápida

De cintilantes estrelas

Para os clarões de raios

Do luar de silhuetas e formas

Para o escuro breu do temporal

Trovões como ensurdecedores tambores

Anunciam a mudança na natureza

E o vendaval me causa medo e fascínio.

 

A tempestade entre as montanhas do interior. – Jaime Baghá

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020


 RECLUSÃO       

A casa é simples entre o mar e as montanhas da serra, mas estou recluso com meus discos do Blur, Metallica, U2, Miles Davis, Billie Holiday, Elis, Chico, Rachmaninoff. Livros e recortes de Foucault, Nietzsche, Chomsky, Hobsbawn, Beckett, Schopenhauer, Drumond, Bukowski, Leminski, poemas simbolistas e manifestos iluministas. Umas visões de Jessé Souza e Pierre Bourdieu para não perder a ternura, e de vez em quando colocando na página social um esculacho ao bufão que nos “governa” e seus asseclas dementes. Assim vou aliviando meu isolamento e dando um sentido a vida na “dupla curva”, dos sensatos que escolhem a vida ou o falso dilema da economia canalha que até Hayek e Von Mises teriam vergonha e Marx e Thomas Piketty profundamente irritados pela desigualdade.

Na época do Covid 19 – 2020  -  Jaime Baghá

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020


 A REVOLTA DOS DÂNDIS

Por ser aceito

Convidado

Estava ali

Frente aos confrades sentados

Falei-lhes

Sem, no entanto saber

O que nunca haviam escutado.

 

Falei-lhes de Caetano

Lina Bo Bardi e Glauber

Betinho, mil planos

Henfyl, Brasil

De poesias

Sonhos e de Elis

De músicas e arte latina

E coisas do meu país.

 

Então o grupo

De vazia Sabedoria

Lançou-me um olhar de soslaio

Em clara xenofobia

E numa emulação

Jogaram ao abandono

O meu brâmane companhia.

 

Dândis interioranos

Continuam ao meu lado

Arredios, desconfiados

Olhando-me de longe

Amedrontados

Alguns se aproximam

Comigo mais análogos

E assim passam os dias

Eu continuo a sorrir

Com ares de melancolia.

 

Tantas situações

Podíamos deixar viver

Ditirambos

Subversões

Contos e ficções

Eu profícuo, com visões

Mas inviso

Um inovador reaça

Como um personagem de Kafka.

 

Uma poesia ao “conselho de cultura” do interior que teve uma curta vida, que adoravam festas particulares, roupas “demarca”, fardamento escrito nas costas dizendo que eram do conselho de cultura da província de maneira pueril. Um regular grupo de eventos, e parco conhecimento, só isso.  Jaime Baghá

terça-feira, 1 de dezembro de 2020


 POESIA E MÚSICA

A grande maioria deste pessoal faz música e poesia com cultura, tem uma forte influência e anda junto com um pessoal esclarecido e dos que sonham com uma vida melhor. Tem uma enorme visão político social e são conhecidos em todo o mundo, são críticos de qualquer forma de governo reacionário e conservador e abominam os imbecis, por isso eu sou eles, não só pela beleza de suas poesias, mas porque os entendo e compactuo com suas mensagens. 

Jaime Baghá

segunda-feira, 23 de novembro de 2020



 OS CRIMES AMBIENTAIS NO BRASIL

Ao longo de anos de maus tratos, a Amazônia Legal perdeu em torno de 900 mil quilômetros quadrados de florestas, correspondendo a aproximadamente 18,2% de sua área total, em torno de 5 milhões de km2, segundo estimativa do diretor do Departamento de Política para o Combate ao Desmatamento do Ministério de Meio Ambiente (DPCD/MMA), Francisco Oliveira.

A perda da cobertura natural vem influenciando o delicado equilíbrio ambiental na região, com reflexos sobre o clima no restante do país, aponta o renomado biólogo americano Philip Fearnside, pesquisador e coordenador de pesquisas em ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Entre outros serviços, a floresta recicla água, o que é crítico para as chuvas em São Paulo, inclusive; armazena carbono, evitando o agravamento do aquecimento global; e mantém a biodiversidade, que tem muitas utilidades econômicas, além de valores não econômicos”, anota Fearnside. Agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2007, juntamente com a equipe do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Fearnside afirma que “a economia da região está quase toda baseada na destruição da floresta”, menosprezando o fato de que o valor dos serviços prestados pela mata ao homem é muitas vezes maior do que “o retorno da destruição”. Ele aponta o agronegócio como um dos principais “motores do desmatamento”, que tem apresentado índices decrescentes num período mais recente, mas ainda avança principalmente sobre regiões no entorno da “área indígena Parakanã, ao lado de Tucuruí, e das barragens do Rio Madeira e de Belo Monte, na rodovia BR-163, na Terra do Meio, no Sul do Amazonas e em Roraima”, diz ele. Toda a destruição da floresta tem a cumplicidade do governo federal e das corporações que agem de maneira insana e irresponsável, uma vergonha para os brasileiros conscientes e dos países do mundo, do qual recebem diversas críticas pela ganância e insanidade. (F) .  -  Jaime Baghá

quinta-feira, 19 de novembro de 2020


 OS OBSCUROS * (ou Ápeiron)

Amanheci interiorano

Vou para beira do mar

Escrever no promontório

Ficar longe dos Dórios

Que sabem pouco o amar.

 

Além dos desenganos

Sinto o ar do oceano

Longe da afasia

Solitário

Manhã, cedo

Parado numa ataraxia

Sem a lira

Sem enredo

Mas poeta

Mais Aedo.

 

Esqueço os simples mortais

Suas banais cerimônias

Viajo pelo éter astral

No arque das cosmogonias

E os pífios de tão cegos

De quase vazios cérebros

Escolheram seus destinos

Vão para as sombras de Érebos.

 

Não quero suserania

Só etéreo em meu ego

Viajar nas poesias

Como Homero o cego

Indiferente aos povos

Quero ter a plenitude

Na harmonia do logos.

 

Não cultuo rapsódias

Como o senhor do certo

Acho que são paródias

De um poeta eclético

Pois a moral de tudo

É que vivo neste mundo

Uma odisseia louca

Um Ulisses vagabundo.

 

·         Uma analogia a Heráclito de Éfeso – Jaime Baghá

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Alto - Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven;segunda fila - Franz Schubert, Frédéric Chopin, Richard Wagner, Pyotr Ilyich Tchaikovsky;terceira fila - Johannes Brahms, Antonín Dvořák, Igor Stravinsky, Dimitri Shostakovich;Última fila - Béla Bartók, George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Krzysztof Penderecki

A MÚSICA

Quando menino, perguntava a mim mesmo qual o sentido dos clássicos, óperas, dramas musicais que alguns, principalmente os mais velhos ouviam na discoteca Pública de Porto Alegre, onde eu gostava de ir e ficava a apreciá-los com seus fones no ouvido e com seus olhos fechados quase em transe.

 As dúvidas do belo, a intriga pelas viagens dos tenores, a graça das sopranos e a harmonia da orquestra, fizeram com que eu me aproximasse para entender aquela confusão de pessoas que em pouco tempo transformavam-se numa consonância perfeita.

 Hoje mais velho vivo a sensibilidade que esta aproximação me causou, agora tal quais os velhos que eu observava na infância, viajo pelas músicas com se estivesse na velha Discoteca Pública, com um pequeno lamento de não ter sido ainda menino levado a esta magia da música clássica.

 Talvez pela infância modesta e de pouco conhecimento, minha sensibilidade teve que esperar algum tempo para poder embalar a alma e os meus sentidos, que só os cânones pré-estabelecidos dos clássicos conseguem, e acredito que seja a paz de minha velhice e o doce embalo de minha imutável morte.

 Um dos significados da minha vida é a música Jaime Baghá

quinta-feira, 5 de novembro de 2020


       

 

O saque das corporações

Uma consistente matéria da jornalista Marina Amaral demonstra claramente os vínculos entre a organização ultraliberal norte-americana Atlas Network com organizações brasileira como o Instituto Millenium, Institutos de Estudos Empresariais que promovem anualmente o Fórum da Liberdade, desde 1988, Instituto Liberal, Instituto Ludwig von Mises, Estudantes pela Liberdade, entre outras. O Movimento Brasil Livre (MBL) que teve destacada atuação nos atos a favor do impeachment da Pres. Dilma, tem origem no Students for Liberty, fundado em 2008 na Columbia University, que tem como “missão” “empoderar jovens estudantes liberais” ou líderes estudantis “libertários”. Na verdade libertários para as grandes corporações que lucram muito a todo custo, deixando um mundo mais pobre e desigual. E o sentido da palavra “libertário”, não se vincula ao que lhe foi dado, a palavra na verdade e historicamente pertencia ao movimento anarquista que luta a favor dos mais fracos.  A palavra libertário foi usada a partir das concepções econômicas de Milton Friedman e da Escola Econômica de Chicago, ou de Ludwig Von Miss, Friedrich Hayes e a chamada “Escola Austríaca”. A Atlas Network promove programas de treinamentos, cursos e apoio financeiro em todos os continentes, entre financiadores e apoiadores estão fundações e grandes corporações como o Google. Seu presidente desde 1991, conhecido como Aléx Chafuen é Alejandro A. Chafuen, argentino radicado nos Estados Unidos, ligado a Opus Dei e simpatizante do Tea Party, tendência ultraliberal dentro do Partido Republicano, que também é o presidente fundador do Hispanic American Center of Economic Research. Vale registrar que Chafuen estava presente no ato pró-impeachment  de Dilma em P.Alegre em 12 de abril de 2015. Diversos empresários bilionários estão por trás destas organizações, entre eles os Irmãos Koch, bilionários norte-americanos cujas empresas atuam entre outros, no setor de petróleo e gás, e lucram muito no Brasil com a cumplicidade dos saqueadores locais;

A parceria do Instituto Millenium com a Atlas Network revela os vínculos do think tank norte-americano (com intuito de servir aos propósitos corporativos) com a mídia corporativa brasileira. Entre os mantedores e parceiros do Instituto Millenium estão o grupo a Abril, o Grupo Oesp o Grupo RBS de Sta. Catarina e Rio Grande do Sul e a Rede Globo entre outros.

Os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos e suas gigantescas corporações estão em todos os países, aqui foi às significativas reservas de petróleo da camada pré-sal na costa brasileira e a preocupação com o papel econômico e geopolítico dos BRICS, isto explicam as ações de vigilância da NSA e a atuação de think tanks norte-americana no Brasil. Eles também estão em diversos países do mundo, especialmente no Oriente Médio e no norte da África, ricos em petróleo. Ações desestabilizadoras piores que aqui, com recursos de armas foram realizados em países como o Iraque, a Líbia e Síria, além da Ucrânia e tantas outras partes do mundo. As estratégias mais recorrentes deles é insuflar a população a partir do descontentamento crescente com a corrupção de governantes políticos e partidos, ai tudo é generalizado, livrando quem esta com eles e incriminando quem não está, tudo com apoio da mídia, parte do judiciário como a vergonhosa república de Curitiba, autoridades e a população  imbecilizada fácil de comandar, bem como criminalizar o democrático e o desmoralizando.

Recentemente um documentário chamado The revolution business produzido pela Journeymann Pictures, fundada por Mark Stucke, nos mostra a perca da ilusão de que manifestações de oposição a governos não alinhados com os Estados Unidos ou o “Ocidente”, ditatoriais ou democráticos, mostram que existe organizações e pessoas que se especializam em auxiliar e estimular as chamadas revoluções coloridas (como os amarelinhos no Brasil), todos estimulados e financiados por estas organizações corporativas  e com recursos vindos dos Estados Unidos. Desta forma muitos veem a situação de uma forma, mas é outra bem diferente tudo é planejado, tudo é conspirado e arquitetado para iludir e saquear os países, entre seus preferidos esta o Brasil e seu povo que se mostrou racista, violento, imbecil e dócil para o carrasco tapear.

Tudo o que tem de ruim no Brasil hoje, o governo imbecil, a entrega das nossas riquezas e privatizações para o capital estrangeiro, veio desta armadilha muito bem arquitetado por este poder milionário e criminoso Temos que se opor ao violento neoliberalismo burguês, fundamentado na desigualdade e na servidão e fazer surgir um novo conceito político. Que consigamos mudar este quadro e que a democracia sobreviva a este duro golpe, ou então seremos para sempre uma colônia, até o dia em que eles não tendo mais nada para saquear e não necessitar mais de nossa servidão nos abandone a própria sorte.

Jaime Baghá,  a muito tempo vendo uma realidade a muito contada pelos especialistas, historiadores, sociólogos, economistas e especialistas em politica mundial. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020


 MOLIÉRE

 O dramaturgo francês Molière viveu em 1600, mas vejam como ele esta atual, parece estar no Brasil nos dias de hoje.


 "A hipocri
sia é um vício que está na moda, e todos os vícios que estão na moda são vistos como virtudes." O personagem do homem de bem é o mais fácil de interpretar em nossos dias, qualquer hipócrita o representa com razoável perícia. É uma arte cuja impostura é sempre respeitada, e mesmo que seja descoberta, ninguém ousa dizer nada contra ela. Todos os outros vícios dos homens estão expostos à censura, e cada um tem a liberdade de atacá-los em voz alta; mas a hipocrisia é um vício privilegiado: com sua mão ela tapa a boca de todo mundo e goza tranquilamente de uma impunidade soberana. Hipócritas usam as mesmas máscaras, possuem semelhantes comportamentos e afetações, formam assim um grupo fechado e auto protetor: quem atacar um vai ter o revide de todos os outros. Por mais que se saiba de suas intrigas e futricas, que se conheça e divulgue aquilo que realmente são, nem por isso eles perdem o prestígio e a estima das pessoas."

No nosso caso a dos dançarinos de amarelo e golpistas.  Jaime Baghá -Outono de 2020


 A PESTE

 Foi tanto a exploração

Que aceitei os enganos

Sorri para sofistas profanos

Aceitando a mendaz compaixão.

 

Foi tanto a necessidade

Que aceitei os carrascos

Os malditos, seus ascos

Contrariando minhas verdades.

 

Foi tanto a dor

Que caminhei cabisbaixo

Sem forças, fraco

Deturpando o amor.

 

Foi tanto a agonia

Que fiquei cúmplice ao erro

Inerte, amordaçado

Fez se escasso os meus dias.

 

Para ter em minha mesa

Disfarcei para meus filhos

Porque roubaram o meu brilho

E minha delicadeza.

 

Para continuar existindo

Fui um fantoche sem vida

Da esbórnia coletiva

E calei consentindo.

 

Para encenar estes atos

Atuei na ópera bufa

Misturei-me a turba

De poeta a palhaço.

 

Para sobreviver

Suprimi minha liberdade

Da infernal sociedade

Que impõe o sofrer

 

Assim devora o meu mundo

Quem de máscara se veste

E exorta toda a peste

Ao povoado latifúndio.

 Minha homenagem a “Peste” de Albert Camus -  Jaime Baghá -  outono de 2006

 A SUPRESSÃO DA MÁSCARA

 Neste teatro da vida, do cotidiano preconceituoso, do social que dissimula a existência real, procuro não usar a máscara da vergonha com medo dela grudar ao meu rosto e eu não mais conseguir arranca-la.

 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

segunda-feira, 21 de setembro de 2020


 A PESSOA ERRADA.

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, vivencia, ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa, que se você for parar pra pensar, é na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho: chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas. Mas nem sempre precisamos das coisas certas. Aí é à hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar, que é para na hora que vocês se encontrarem a entrega seja muito mais verdadeira. A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai enxugar suas lagrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma inesquecível noite de amor. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar toda a vida esperando você. A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo, porque a vida não é certa, nada aqui é certo. O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo amando, sorrindo, chorando, pensando, agindo, querendo e conseguindo. Só assim, é possível chegar aquele momento do dia em que a gente diz: "Graças a Deus, deu tudo certo!", e vem dando certo, porque você foi a minha pessoa errada e acredito que minha vida só começou a dar certa quando encontrei você, a pessoa errada, pois acredito que aí foi que as coisas começaram a funcionar direito pra gente.

Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.

Jaime Baghá  - o cara errado.


 A OUTRA HISTÓRIA

Não gosto da mal contada história que nos foi enfiada goela abaixo pelo poder, contada por uma sociedade na qual eu nunca confiei e que ainda não confio que levanta monumentos transformando vilões em heróis para prosseguir com uma sociedade elitista, oligárquica e racista, discriminadora, dos quais muitos têm sucesso por explorar e roubar o povo e sua pátria, sempre tentando colocar no poder seus mandos e a política nas mãos dos mesmos. Conforme aponta Mia Couto, temos um passado, que nos foi dado Um passado que é uma construção, uma ficção autorizada e que conta uma história única daqueles que estavam no poder e que apagaram outras versões. Nesse trabalho de visibilizar o esquecido deveríamos agir como um arqueólogo, O que faz um arqueólogo? Junta caquinhos os limpa, cola-os tenta conferir coerência aos fragmentos. Às vezes a reconstrução do artefato é completa, outras, no entanto, fica a cargo de nossa imaginação completar o vaso sem alça e a estátua sem braço. Dai a importância do projeto de Foucauld em habilitar histórias das pessoas infames esquecidas nos arquivos. Lançar luzes em áreas obscurecidas. Tentar conferir sentidos as descontinuidades é o desafio que temos diante de histórias como Herculine Barin, Pirre Rivière e outros “anormais” narrados por Foucauld. Temos que resgatar nossa cultura, nossa história dando vida aos esquecidos e visibilizar todo nosso povo e nossa sociedade esquecida, para ter um país digno e pessoas com dignidade para construir uma história sem ficção, com verdade e justiça.  Jaime Baghá 


 HIPPIE

 Foi no tempo de aquários

Joplin, Hendrix

Crazy

Cantando, “Oh Fox Lady”

Na Praça

Eu

Vários

 

Roupas da “Boutique Lixo*

Liberdade

Paz e amor

Aos comportados, despudor

Gatas

Hippies

Bixos.

 

Encontro na Redenção

Dançando livre na praça

Paz, amor, contestação

Cabelos longos

Harmonia

A loucura vira arte

Eternamente jovem eu seria.

 

Nos belíssimos tempos de paz e amor. – Jaime verão 1970

 

*Boutique Lixo, era uma loja da década 70 em Porto Alegre, roupas extravagantes e psicodélicas como a década e muitas roupas militares vindo da guerra do Vietnã que a gurizada usava como forma de protesto a ditadura.